Pergunta central · Pág. 08 de 15
Alzheimer por dentro: do micro ao macro
O que se deposita fora e o que se altera dentro do neurônio até o cérebro encolher? A fisiopatologia do Alzheimer cai de forma objetiva em prova — do micro (β-amiloide/tau) ao macro (atrofia ex-vacuo), com o hipocampo e a acetilcolina no centro.
Fora do neurônio: β-amiloide e as placas senis
Fora do neurônio: β-amiloide e as placas senis. A fisiopatologia do Alzheimer cai de forma muito objetiva em prova — não é conteúdo de encher linguiça. Para entendê-la, parte-se do micro para o macro, com um zoom no cérebro que separa o espaço extracelular do espaço intracelular. No espaço extracelular, fora do neurônio, ocorre o depósito de uma proteína: a beta-amiloide. O acúmulo de beta-amiloide no espaço extracelular constitui as placas senis — chamadas senis porque são mais frequentes no idoso em geral, mas no Alzheimer aparecem de forma muito proeminente.
Dentro do neurônio: tau e os emaranhados
Dentro do neurônio: tau e os emaranhados. Além do processo de fora, há um processo por dentro do neurônio: a fosforilação da proteína tau. A tau fosforilada forma o emaranhado neurofibrilar. São, portanto, dois processos em compartimentos diferentes — beta-amiloide fora (placas senis), tau fosforilada dentro (emaranhados neurofibrilares) — e é a soma dos dois que gera a degeneração neuronal.
Do neurônio morto ao cérebro encolhido
Do neurônio morto ao cérebro encolhido. No plano macro/anatômico, a consequência é direta: começa a morrer neurônio. O encéfalo inicial tem sulcos e fissuras anatômicos preservados e ventrículos de tamanho normal. Com a morte neuronal, abrem-se “buracos”: as fissuras ficam muito proeminentes, os sulcos afundam e o ventrículo dilata. Essa dilatação é a hidrocefalia compensatória (ou ex-vacuo): o ventrículo não cresce por excesso de líquor sob pressão — ele se acomoda, ocupando o espaço deixado pelos neurônios que morreram ao seu redor. O cérebro literalmente encolhe, e o líquor preenche a sobra.
Onde bate mais forte: hipocampo e acetilcolina
Onde bate mais forte: hipocampo e acetilcolina. Em neurologia, sempre se pensa na região anatômica acometida e no neurotransmissor que sofreu. Embora o encéfalo inteiro seja atingido, quem sofre mais é a região medial do lobo temporal — o hipocampo, região fundamental para reter a memória recente. Por isso a amnésia recente é o sintoma que abre o quadro. E, além da atrofia cortical e hipocampal, há redução da acetilcolina. Guarde a consequência terapêutica que nasce daqui: se falta acetilcolina, o tratamento vai passar por aumentar a acetilcolina — a lógica do tratamento já está escrita na fisiopatologia.
Regra de ouro
Em neurologia, pense sempre região anatômica + neurotransmissor. No Alzheimer: hipocampo (região) + acetilcolina reduzida (neurotransmissor) = amnésia recente + alvo do tratamento.
Quiz
Conexão
Se o hipocampo cai primeiro, dá para prever a ordem em que o paciente perde cada função ao longo de uma década — e onde a prova esconde a pegadinha.