Mnemônico-âncora · Pág. 13 de 15
Mista + as duas primeiras raras
“Lewy = alucinação visual” é a chave estereotipada mais rentável em prova. Abrir com o bordão em destaque e depois explicar de onde vem fixa o gancho — e prepara o tabelão das raras que vem a seguir.
A causa mista
A causa mista. A terceira causa de demência é uma mistura de doença de Alzheimer e demência vascular — a causa mista. Na prática e na prova, o que mais se encontra é Alzheimer, demência vascular, ou a combinação das duas: o paciente com Alzheimer que tem fator de risco cerebrovascular e acaba desenvolvendo também um componente vascular. O resto das causas é muito infrequente na prática (vira caso clínico, sessão clínica, publicação) — mas em prova costumam colocar exatamente as raras, e vindo tão estereotipadas que o diagnóstico salta aos olhos. A estratégia é decorar a palavra-chave de cada uma.
Corpos de Lewy: alucinação visual
Corpos de Lewy: alucinação visual. A primeira das outras causas é a demência por corpos de Lewy — corpúsculos que ficam dentro do neurônio, num paralelo com o que acontece no Alzheimer, e que dão nome à condição. O achado estereotipado é a alucinação visual: guarde, Lewy é alucinação visual. O paciente vê bichos, crianças, formas abstratas. Faz também parkinsonismo. E flutua a consciência — diferente do curso mais linear do Alzheimer: uma hora está bem, outra hora está mal, oscilando ao longo do tempo. Um detalhe de prova ata tudo: a alucinação visual costuma ser precoce — e, se o paciente faz alucinação precoce, não deve ser Alzheimer, no qual a desorientação grave é tardia. A cronologia, de novo, separa as demências.
As duas raras — palavra-chave e detalhe
Corpos de Lewy
- alucinação visual precoce
- parkinsonismo
- flutuação de consciência
Frontotemporal / Pick
- alteração de comportamento
- desinibição (sexual)
- variante afásica
- atrofia frontal
Frontotemporal/Pick: o comportamento que muda
Frontotemporal/Pick: o comportamento que muda. Outro domínio se perde quando o problema pega a região frontal: é a doença de Pick, ou demência frontotemporal. Na imagem, a região frontal “fritou”. A região frontal é fundamental para o comportamento social — é ela que mantém a pessoa inibida (para não subir numa mesa e tirar a roupa, por exemplo). Um paralelo ajuda a entender: o álcool inibe a região frontal, e é isso que explica a desinibição de quem bebe demais. O paciente que perde a função frontal fica “frontalizado”, desinibido, e faz alteração do comportamento — muitas vezes desinibição sexual. É o vovô que era exemplo da comunidade e de repente começa a falar bobagem, palavrão, a querer agarrar os outros — alteração do comportamento que, em muitos casos, é doença e precisa ser tratada. A demência frontotemporal tem ainda uma variante afásica, em que a pessoa perde a capacidade de se comunicar — e essa variante já apareceu em prova.
Mnemônico
Lewy = alucinação visual (precoce) + parkinsonismo + flutuação de consciência. Frontotemporal/Pick = alteração de comportamento / desinibição (sexual) + atrofia frontal.
Pegadinha de prova
Alucinação visual precoce aponta para corpos de Lewy, não Alzheimer (onde a desorientação é tardia). Desinibição comportamental em idoso “exemplar” aponta para frontotemporal.
Quiz
Conexão
Faltam as raras que se entregam por um sinal específico — uma tríade, um olhar preso, uma mioclonia — reunidas no tabelão que a banca ama.