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Fechando o caso: Dona Helena

Ao final, você consegue percorrer os três passos e cravar o diagnóstico de Dona Helena. O caso que abriu tudo se fecha — e a TC limpa, que no início parecia contradizer, confirma que a atrofia é tardia.

O que crava o diagnóstico

O que crava o diagnóstico. Volta-se à Dona Helena com o percurso completo na mão. Perda de memória para fatos recentes, progressiva e gradual, que já interferiu na funcionalidade (compras, dinheiro); mini exame de estado mental 16/30 — gravíssimo para uma professora, cujo corte é ~29; laboratório sem alterações; e uma TC de crânio até normal, que não exclui nada em fase inicial. Afastados os falseadores e excluídas as causas reversíveis, não sobra dúvida: o diagnóstico é doença de Alzheimer. A tomografia limpa, que no início parecia contradizer a hipótese, apenas confirma que a atrofia é achado tardio.

Dona Helena = Alzheimer → anticolinesterásico central

MEEM 16/30gravíssimo (corte ~29)
TC normalnão exclui — atrofia é tardia
Percurso de exclusãofalseadores e reversíveis afastados
Condutaanticolinesterásico central (donepezila, rivastigmina — e galantamina no rol BR)

A conduta

A conduta. O tratamento de escolha envolve os anticolinesterásicos de ação central (donepezila, rivastigmina — e, no rol brasileiro, também galantamina), preservando a acetilcolina que ainda resta. Nas fases moderadas a graves, o eixo passa à memantina. O que começou como um reflexo de “gritar o diagnóstico” termina como uma decisão fundamentada, construída passo a passo.

O gancho neurodegenerativo

O gancho neurodegenerativo. Encerradas as principais causas de demência, ainda falta uma doença neurodegenerativa a discutir — o próximo alvo do raciocínio, que dá continuidade a esta lógica de reconhecer padrões e cravar diagnóstico.

O método inteiro num quadro: caracterizar o déficit, afastar os falseadores, excluir as reversíveis — e só então nomear o Alzheimer por exclusão. Foi o caminho de Dona Helena.
Retomada da tomografia de crânio normal de Dona Helena, a mesma da abertura, fechando o caso de Alzheimer.
A mesma TC normal do início: no começo parecia contradizer o Alzheimer; no fim, confirma que a atrofia é achado tardio — normal nunca excluiu. Mikael Häggström, M.D., CT of a normal brain, axial 20, Wikimedia Commons, CC0 / domínio público · fonte · link-back à P1

Revisão ativa (metacognição)

  1. Sem olhar o tabelão, quais são os três passos da investigação e o que cada um exclui?
  2. Por que 16/30 é catastrófico em Dona Helena, mas poderia ser aceitável em outro paciente?
  3. Se a TC dela viesse com atrofia acentuada, o diagnóstico e a conduta mudariam? Por quê?

Quiz

1. Retomando o caso: professora aposentada, declínio de memória recente progressivo com perda de autonomia, MEEM 16/30, laboratório normal, TC de crânio normal, falseadores e causas reversíveis afastados. Diagnóstico e tratamento de escolha:

2. (V/F) Uma TC de crânio normal no momento do diagnóstico permitiu excluir doença de Alzheimer em Dona Helena.

Conexão

Percurso encerrado. O gancho neurodegenerativo abre o próximo tema, mantendo a mesma disciplina: síndrome antes de etiologia, palavra-chave antes de palpite.