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Exames num diagnóstico de exclusão
Parear o que aparece cedo (hipofunção metabólica com neurônios ainda vivos) com o que aparece tarde (atrofia com neurônios já mortos) resolve a aparente contradição “diagnóstico de exclusão, mas ainda peço exames”.
Por que exame se é exclusão
Por que exame se é exclusão. O diagnóstico do Alzheimer é de exclusão: excluídas as causas reversíveis e outros diagnósticos, definido o caráter progressivo e gradual e afastadas as pseudodemências, chega-se a quase 90% de certeza. Ainda assim, alguns exames ajudam — não para “provar” a doença, mas para iluminar a própria fisiopatologia e fortalecer a hipótese.
Medicina nuclear: a hipofunção precoce
Medicina nuclear: a hipofunção precoce. A medicina nuclear serve nas fases iniciais: no começo ainda não há morte de neurônio, mas os neurônios ficam hipofuncionantes — mostra-se redução de perfusão e de metabolismo. Estão vivos, mas vão morrer logo. O PET é a tomografia por emissão de pósitrons que documenta essa hipofunção; o SPECT é a tomografia computadorizada por emissão de fóton único. Além da queda de perfusão e metabolismo, esses métodos podem mostrar o acúmulo de beta-amiloide — buscam a própria fisiopatologia para reforçar o diagnóstico. Um cuidado de leitura: na imagem de medicina nuclear, o que aparece muito vermelho e laranja está muito funcionante. A região frontal aparece bem funcionante, a occipital também, mas a região medial do lobo temporal mostra hipofunção — é ali que começa a morte neuronal. (Atenção: esse “vermelho = funcionante” da medicina nuclear é o inverso do “vermelho = alerta” usado no resto da plataforma.)
Caveat de cor — medicina nuclear (inversão localizada)
Vermelho/laranja = FUNCIONANTE (alto metabolismo), não alerta. A hipofunção temporal medial é o achado — aparece “fria”. Esta inversão existe só na peça de medicina nuclear desta página; fora dela, a semântica padrão da casa vale (vermelho = alerta).
A atrofia tardia e o ex-vacuo
A atrofia tardia e o ex-vacuo. Apenas em fases tardias começam a aparecer a atrofia cortical e a hidrocefalia compensatória. Na fase inicial o ventrículo ainda está anatômico e não há fissuras e sulcos muito proeminentes; no quadro avançado surgem incisuras, fissuras bem proeminentes e o ventrículo dilatado. Alguns chamam esse achado de hidrocefalia ex-vacuo: parece que se fez um vácuo no cérebro e os ventrículos dilataram — mas dilataram por acomodar o espaço dos neurônios que morreram. A imagem estrutural, portanto, é a última a mudar; contar com ela para diagnóstico precoce é chegar atrasado.
Biomarcadores: sangue e líquor
Biomarcadores: sangue e líquor. O Precivity AD2 avalia proteínas no sangue periférico (razão de p-tau217 plasmática + beta-amiloide) — é muito acurado, mas pouco disponível e caro, então não se encontra no dia a dia, embora possa aparecer em prova. Os biomarcadores no líquor permitem procurar a tau fosforilada: muita tau fosforilada no líquor é indício de muita tau fosforilada dentro do neurônio. O campo dos biomarcadores plasmáticos avança rápido e tende a ganhar peso — mas, na prática atual, o diagnóstico segue clínico e de exclusão.
Não confunda
Na medicina nuclear, vermelho/laranja = funcionante (alto metabolismo). Não é sinal de alerta. A hipofunção aparece como “frio” na região temporal medial.
O que a banca quer
Que o aluno associe fase inicial → medicina nuclear (hipofunção temporal medial) e fase tardia → atrofia/ex-vacuo na TC/RM — e reconheça o Precivity AD2 e a tau liquórica como marcadores fisiopatológicos.
Quiz
Conexão
Sabendo que falta acetilcolina e sobra glutamato tóxico, resta a decisão terapêutica — e ela começa por um erro tentador: repor a acetilcolina direto.