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Demência vascular: cortical × subcortical

O contraste entre o declínio “em degraus” dos grandes vasos e o “arrasto” dos pequenos vasos é o coração da página. Mesma origem — neurônio que morre de isquemia —, dois padrões clínicos opostos.

A cognição que morre de infarto

A cognição que morre de infarto. A segunda causa de demência nasce de um paciente com fator de risco cerebrovascular que faz isquemia com infarto de neurônio. A lógica é topográfica e implacável: morre o neurônio que mexe a mão, perde-se a mão; morre o que mexe o pé, perde-se o pé; morre o neurônio responsável pela cognição, faz-se déficit cognitivo. É a demência vascular, a segunda causa mais comum — e não é um grupo homogêneo: divide-se em dois tipos.

Grandes vasos: o declínio em degraus

Grandes vasos: o declínio em degraus. O primeiro tipo pega grandes vasos: isquemiar um grande vaso infarta uma grande região cortical — é a demência cortical. A história é estereotipada: o paciente faz múltiplos AVE isquêmicos, múltiplos infartos cerebrais, e a cada infarto a demência afunda um pouco mais — evolui afundando em degraus. É o vovô que vai várias vezes à UPA com quadro de AVE isquêmico, sempre piorando um pouco mais. Na imagem há um infarto cortical grande, que “fritou” uma região inteira do encéfalo — morre neurônio da motilidade (perde a função de mexer a mão) e também da cognição.

Pequenos vasos: o arrasto subcortical

Pequenos vasos: o arrasto subcortical. Diferente é o infarto de pequenos vasos — os vasos lacunares — em que o paciente faz uma demência mais subcortical. Por infartar pequenos vasos, o quadro é mais arrastado. É o vovô que vai ao médico um pouco “esquisito”, ninguém sabe o que é, atribuem à velhice (o que está errado); fica sem diagnóstico e afunda de forma lenta e contínua. Na imagem, em vez de fritar uma grande região do córtex, pega-se a região periventricular — e, quando o diagnóstico se dá, o quadro já avançou.

Duas curvas de declínio cognitivo

Cortical · grandes vasos

Declínio em degraus — cada AVE isquêmico afunda um pouco mais.

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Subcortical · lacunar

Declínio arrastado — ladeira contínua, periventricular.

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Tratamento: controlar os fatores de risco

Tratamento: controlar os fatores de risco. O tratamento do AVE isquêmico em si (doppler de carótidas, ecocardiograma, antiplaquetário) não é o foco aqui. O tratamento da demência vascular é controlar os fatores de risco — hipertensão arterial, diabetes mellitus, obesidade, sedentarismo, dieta — para impedir que o déficit cognitivo avance. E, como a morte de neurônio evoca a ideia dos anticolinesterásicos centrais do Alzheimer, pode-se fazer um teste terapêutico com anticolinesterásico na demência vascular — pode-se testar, sem garantia de que funcione. Alzheimer e demência vascular são as duas principais causas de demência na prática.

Grande vaso frita uma região cortical inteira (declínio em degraus); pequenos vasos lacunares pegam o periventricular (declínio arrastado). A topografia do vaso decide o padrão clínico.
Tomografia de crânio com infarto cortical extenso de grandes vasos (território da artéria cerebral média direita).
Infarto cortical extenso (grandes vasos) — “fritou” uma região inteira do córtex; declínio em degraus. Radiopaedia (right MCA infarct), CC BY-NC-SA · fonte
Neuroimagem com lacunas periventriculares de pequenos vasos, padrão subcortical da demência vascular.
Lacunas periventriculares (pequenos vasos) — infartos lacunares; declínio arrastado. Radiopaedia, CC BY-NC-SA · fonte

Não confunda

Cortical/grandes vasos = declínio em degraus (múltiplos AVE, infarto cortical extenso). Subcortical/lacunar = declínio arrastado (lacunas periventriculares).

Por que importa na prática

Reconhecer o padrão vascular muda a conduta: o tratamento não é “dar remédio de memória”, é controlar HAS, DM, obesidade e sedentarismo para travar a progressão.

Quiz

1. Idoso hipertenso e diabético apresenta piora cognitiva em degraus, coincidindo com episódios repetidos de déficit neurológico focal agudo. O padrão descreve:

2. O tratamento da demência vascular baseia-se principalmente em:

Conexão

Somadas, Alzheimer e vascular explicam a maioria — inclusive quando aparecem juntas; e é aí que entram a causa mista e as raras que a prova adora.