Caso clínico

Facada no olho e o homem que grita

Bar, álcool, madrugada — facada periorbitária e grito no PS. Reconhecer salva.

TAC e protótipo

Salva = capítulo das cefaleias trigêmino-autonômicas (TAC); é o protótipo. Outras: hemicrania paroxística e SUNCT/SUNA. Nas TACs, a qualidade da dor é semelhante; mudam duração e recorrência/dia.

Homem + álcool

Epidemiologia: predomínio em homens — estimativa clássica de cerca de 9 homens : 1 mulher. Gatilho clássico: álcool. Mini-cena: eliminação na Copa, bar, “afogar as mágoas” → madrugada com salva (bebe, dorme, acorda com a dor).

Facada periorbitária

Dor unilateral periorbitária, em facada / “furador de gelo”, insuportável. Pode acordar o paciente.

Comportamento no PS

Enxaqueca fica quieta (luz/barulho atrapalham); tensional leve–moderada até ajuda a empurrar a maca; salva grita/desespera na emergência.

Autonômicos ≥ 1

Pelo menos um sintoma autonômico ipsilateral: hiperemia conjuntival, lacrimejamento, congestão nasal, miose, ptose, edema palpebral. O conjunto dor fortíssima + autonômico torna a salva peculiar.

Tempos

Crise: 15–180 minutos. Frequência: 1–8/dia. Mesmo 15 min de dor insuportável não se menospreza. Rara na prática, mais presente na prova.

Bordão

Facada no olho, homem, álcool, O₂. O oxigênio completa o mnemônico, mas o reconhecimento começa pelo fenótipo.

Foto clínica durante crise de cefaleia em salva mostrando hiperemia e injeção conjuntival ipsilaterais, com o paciente solicitado a abrir os olhos.
Crise de cefaleia em salva — hiperemia e injeção conjuntival ipsilaterais.

T. Bjornstad. Cluster headache attack photo. Wikimedia Commons 2018 — CC BY-SA 4.0 · fonte

Salva tem cara e tem cheiro

Foto de crise: hiperemia e injeção conjuntival ipsilateral ao lado da dor. O autonômico é a marca clínica da cefaleia trigêmino-autonômica.

Cefaleia em Salva: Fenótipo Trigêmino-Autonômico e Comportamental Ilustração médica interativa da Cefaleia em Salva (Cluster Headache), destacando dor periorbitária em facada, sinais autonômicos ipsilaterais, agitação psicomotora, perfil temporal e nuances epidemiológicas. CEFALEIA EM SALVA: PROTÓTIPO TRIGÊMINO-AUTONÔMICO Fenótipo clínico, hiperativação parassimpática ipsilateral e agitação motora na crise LEGENDA DE INTERPRETAÇÃO CLÍNICA: Sinais autonômicos estritamente IPSILATERAIS à dor em facada + agitação psicomotora (diferencia da migrânea e neuralgia). LADO CONTRALATERAL (HÍGIDO) LADO IPSILATERAL (ACOMETIDO) Gasser / NC V G. Esfenopalatino AGITAÇÃO MOTORA NA CRISE (Não consegue deitar) 1. Autonômicos (V1) 2. Comportamento PS 3. Relógio & Epidemiologia 1. SINAIS AUTONÔMICOS IPSILATERAIS (TAC) Reflexo trigêmino-parassimpático por hiperativação do N. V1 Pelo menos UM sinal ipsilateral à dor é OBRIGATÓRIO: • Ocular: Hiperemia conjuntival & Lacrimejamento • Palpebral: Ptose + Miose (Horner parcial) / Edema • Nasal: Congestão nasal / Rinorreia abundante • Cutâneo: Sudorese e rubor facial/frontal ipsilateral FISIOPATOLOGIA DO CIRCUITO (V1 + GÂNGLIO): 1. Ativação do hipotálamo posterior (marcador de ciclo). 2. Estimulação da 1ª divisão do Trigêmino (V1). 3. Sinal eferente via Gânglio Esfenopalatino. 4. Descarga parassimpática (vazamento vascular/lágrima). 5. Paresia simpática carotídea → Ptose + Miose. ALERTA DE PROVA (PEGADINHA FREQUENTE): Se os sinais autonômicos forem BILATERAIS ou alternantes sem dor estrita periorbitária, NÃO é salva. A marca registrada da Salva é a ESTRITA IPSILATERALIDADE concomitante ao pico de dor. 2. CASO CLÍNICO & COMPORTAMENTO NO PS Diferenciação comportamental imediata no pronto-socorro CASO TÍPICO DE PROVA: "Homem de 34 anos chega ao PS de madrugada, agitado, andando de um lado para o outro, pressionando o olho esquerdo. Refere dor insuportável em facada iniciada há 40 min, após tomar 2 cervejas." MATRIZ COMPARATIVA DE CEFALEIAS: ENTIDADE COMPORTAMENTO AUTONÔMICO DURAÇÃO SALVA Agitado / Gritando Ipsilateral ++ 15-180 min Migrânea Quieto no escuro Ausente / Raro 4-72 horas Neuralgia V Imóvel (evita toque) Ausente Segundos POR QUE O PACIENTE NÃO FICA QUIETO? Diferente do enxaquecoso que busca o quarto escuro e o repouso absoluto devido à agravação por movimento, a dor da Salva é de tal intensidade excruciante ("cefaleia do suicídio") que gera hiperatividade motora reflexa: o paciente anda, balança o corpo, bate a cabeça ou aperta a órbita. 3. PERFIL TEMPORAL & EPIDEMIOLOGIA Ritmo circadiano, gatilhos e estimativas epidemiológicas DURAÇÃO DA CRISE 15 – 180 min (Tipicamente 45–90 min) FREQUÊNCIA DIÁRIA 1 – 8 / dia Pico noturno (REM / 1-2h após dormir) GATILHO CLÁSSICO & PERFIL DE ATIVIDADE: • Gatilho deflagrador: ÁLCOOL (mesmo em pequenas doses na fase ativa). • Período ativo: crises podem se repetir de 1 a 8 vezes ao dia. VARIAÇÃO ENTRE REFERÊNCIAS — RAZÃO DE SEXO (M : F): Estimativas publicadas na literatura médica: 1. Estimativa clássica: Cerca de 9 Homens : 1 Mulher (predomínio masculino marcante). 2. Classificação ICHD-3 (Atual): Razão aproximada de 3 Homens : 1 Mulher (estreitamento histórico). 3. Diretriz / Protocolo 2018: Cerca de 85% dos casos em homens (foco epidemiológico). Nota: Todas as 3 formas são cobradas em questões de residência.

Quiz

Q1. Qual fenótipo de PS combina com salva?

Q2. Duração típica da crise de salva: