Página 7 · Parte D · Toxoplasmose: transmite mais, agrava menos
Parte D · Toxoplasmose · Paradoxo e matriz sorológica
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3º trimestre transmite mais e tende a ser menos grave — o contraste clássico de prova que define a toxoplasmose congênita.
Obstetrícia Transmissão × gravidade IgG/IgM · matriz 2×2 Suscetível: 1–3 m Itens 081–094
A12–A13 base A14 diagnóstico A15 fisio A16 pré-natal
Tópico 1
Paradoxo transmissão × gravidade
Toxoplasmose (junto com sífilis) é imbatível em prova — GO e pediatria. Transmissão vertical aumenta com a idade gestacional; gravidade fetal diminui com a idade gestacional. 3º trimestre transmite mais que o 1º; o período que mais transmite é menos grave .
Tópico 2
Perfil tranquilizador e o suscetível
Perfil sorológico ideal / tranquilizador: IgG positivo e IgM negativo = imunidade por infecção fora da gravidez atual (em condições normais não "pega de novo"). Preferência clínica: ter tido toxoplasmese antes da gestação a ficar suscetível na gravidez. IgG negativo e IgM negativo = sem imunidade / sem contato prévio documentado. Suscetível (G− M−): repetir sorologia a cada 1 a 3 meses (há variação: mensal, bimestral ou trimestral na literatura).
Tópico 3
Prevenção primária
Mais importante que só repetir sorologia na suscetível: prevenção primária — evitar fruta/verdura mal lavada , carne crua , cuidado com manipulação de jardim/fezes de gato .
Tópico 4
G−M+ e o perfil que mais cai (G+M+)
IgM positivo e IgG negativo: infecção aguda ainda sem IgG ou falso positivo de IgM . Conduta G− M+: iniciar tratamento já (não perder tempo) e repetir IgG em 3 semanas . Se em 3 semanas o IgG não soroconverter → IgM era falso positivo → pode parar o tratamento. Existe IgA como marcador de infecção aguda, mas o MS prefere a estratégia do IgG em 3 semanas . O que mais cai: IgG e IgM positivos — infecção dentro ou fora da gestação? (resposta na página da avidez).
Pegadinha de prova
confundir G+M+ "dentro ou fora" sem avidez; esquecer que G−M+ já é tratar e repedir IgG em 3 sem , sem esperar avidez.
Por que importa na prática
o paradoxo explica por que a maioria dos RN expostos não é grave; o G−M+ explica por que perder tempo custa tratamento.
Resumo operacional
3ºT transmite mais e tende a ser menos grave; G+M− tranquiliza; suscetível repete 1–3 m; G−M+ = tratar e repedir IgG em 3 sem; G+M+ → avidez.
Conexão
o nó não resolvido é o G+M+: a próxima página é a avidez e o alvo do tratamento (materno × fetal).
IgG \ IgM IgM − IgM +
IgG − Suscetível (repetir 1–3 m) G−M+ (tratar + IgG em 3 sem)
IgG + Imune (tranqüiliza) G+M+ → avidez
T. gondii · taquizoítos (Giemsa)
P7 toxoplasmose
Micrografia CDC DPDx / Wikimedia Commons, domínio público. Disponível em: cdc.gov/dpdx . Arquivo local: media/B08-T_gondii_tachyzoites_giemsa.jpg.
TOXOPLASMOSE NA GESTAÇÃO: O PARADOXO TRIMESTRAL
Transmissão vertical aumenta com a idade gestacional, mas a gravidade das sequelas fetais diminui (1ºT vs 2ºT vs 3ºT)
CURVAS OPOSITORAS DE RISCO FETO-MATERNO
Toque nos trimestres para alternar a análise detalhada do binômio
Transmissão (↑)
Gravidade (↓)
100%
75%
50%
25%
0%
Ponto de Cruzamento
1º TRIMESTRE
1 a 13 semanas
2º TRIMESTRE
14 a 27 semanas
3º TRIMESTRE
28 a 40 semanas
BARREIRA PLACENTÁRIA & ANATOMIA PATOLÓGICA
Fisiopatologia do fluxo placentário e vulnerabilidade fetal por idade gestacional
1º TRIMESTRE: RAREFAÇÃO
Placenta Espessa (Barreira ↑)
GRAVIDADE MÁXIMA
• Abortamento espontâneo
• Tríade Clássica de Sabin
2º TRIMESTRE: DESTRUIÇÃO
Vascularização Intermediária
RISCO INTERMEDIÁRIO
• Lesões neurológicas/visuais
• Janela de Amniocentese (≥16w)
3º TRIMESTRE: SUBCLÍNICA
Placenta Fina / Vasa (Passagem ↑)
GRAVIDADE LEVE / SUBCLÍNICA
• RN Assintomático (80-90%)
• Coriorretinite tardia na infância
PAINEL DO TRIMESTRE SELECIONADO
Transmissão Vertical (1ºT):
15% a 25% (BAIXA)
Gravidade Sequelas (1ºT):
75% a 90% (ALTÍSSIMA)
Impacto Fetal & Achados Clínicos:
• Embriogênese inicial vulnerável a danos irreversíveis no SNC.
• Tríade Clássica de Sabin: Hidrocefalia + Calcificações intracranianas
difusas + Coriorretinite (com ou sem retardo mental).
• Alto risco de morte fetal intrauterina e abortamento espontâneo.
📌 PROVA: Transmite POUCO, mas se infectar, DESTRÓI o embrião!
Transmissão Vertical (2ºT):
30% a 50% (MÉDIA)
Gravidade Sequelas (2ºT):
20% a 30% (MODERADA)
Impacto Fetal & Conduta Diagnóstica:
• Zona de transição das curvas: risco equilibrado de transmissão e dano.
• Janela ideal para confirmação feto-placentária por **Amniocentese**
(com PCR para T. gondii no líquido amniótico) a partir de 16-18 sem.
• Se PCR positiva → substituir Espiramicina por **Esquema Triplo** (Sulfadiazina + Pirimetamina + Ácido Folínico).
📌 PROVA: Amniocentese + PCR do líq. amniótico indicada ≥16-18 sem!
Transmissão Vertical (3ºT):
65% a 80% (ALTÍSSIMA)
Gravidade Sequelas (3ºT):
5% a 10% (LEVE / SUBCLÍNICA)
Impacto Fetal & Acompanhamento Neonatal:
• Placenta fina e vascularizada facilita a passagem massiva de parasitas.
• Maioria dos recém-nascidos nasce **assintomática** (80-90%).
• Atenção: Sem tratamento, desenvolvem **coriorretinite tardia** e
perda auditiva/neurológica na infância ou adolescência.
📌 PROVA: Transmite MUITO, mas o RN nasce assintomático na maioria!
MATRIZ DE CONDUTA SOROLÓGICA (IgG / IgM)
Selecione o resultado sorológico da gestante para ver a conduta exata
IgG − / IgM −
Suscetível (Sem Imunidade)
IgG + / IgM −
Imune (Infecção Antiga)
IgG − / IgM +
Infecção Aguda Recente
IgG + / IgM +
Dúvida (Pedir Avidez)
DIAGNÓSTICO: SUSCETÍVEL À INFECÇÃO
Conduta Obrigatória de Pré-Natal:
1. Orientações Profiláticas Primárias:
• Evitar carne crua/malpassada e embutidos.
• Higienizar bem frutas, legumes e utensílios de cozinha.
• Evitar contato com fezes de felinos jovens / jardinagem.
2. Repetição de Sorologia: Repetir a cada 1 a 3 meses (mensal no MS Brasil / trimestral em faixas de menor risco) até o parto.
💡 REGRA DE PROVA:
Gestante IgG- IgM- NÃO ganha medicação, ganha prevenção + sorologia seriada!
DIAGNÓSTICO: IMUNIDADE PRÉVIA (Infecção Antiga)
Conduta de Pré-Natal:
• Infecção adquirida há mais de 6 meses antes da concepção.
• Gestante imunoprotegida. Sem risco de transmissão vertical em pacientes imunocompetentes.
• Alta do rastreamento de toxoplasmose no pré-natal.
• NÃO necessita repetir sorologia e NÃO necessita de tratamento.
💡 PEGADINHA CLÁSSICA DE PROVA:
IgG+ IgM- no 1º trimestre tranquiliza a paciente. Fim de investigação!
DIAGNÓSTICO: PROVÁVEL INFECÇÃO AGUDA RECENTE
Conduta Imediata (NÃO PERDER TEMPO):
1. Iniciar Espiramicina (1g de 8/8h = 3g/dia) IMEDIATAMENTE.
2. A Espiramicina se concentra na placenta e reduz em 50% o risco de transmissão vertical, sem toxicidade fetal.
3. Coletar nova amostra para confirmar soroconversão de IgG em 2-3 semanas (descartar IgM falso-positivo).
🚨 ERRO CRÍTICO EM CONCURSOS / PROVA:
Jamais espere 3 semanas para tratar! A Espiramicina DEVE ser
prescrita no PRIMEIRO atendimento na presença de IgM positivo!
A Espiramicina NÃO atravessa placenta para tratar feto (é profilaxia de barreira).
DIAGNÓSTICO: DÚVIDA (Aguda vs IgM Residual)
Conduta pelo Tempo de Gestação:
• Se < 16 semanas: Iniciar Espiramicina + Pedir TESTE DE AVIDEZ DE IgG.
- ALTA AVIDEZ (>60%): Infecção antiga (>4 meses) → Suspender medicação!
- BAIXA AVIDEZ (<30%): Infecção recente → Manter Espiramicina + PCR feto.
• Se > 16 semanas: Avidez NÃO confirma mais nada (pode ser baixa por meses). Tratar como infecção aguda!
⚠️ SEGREDO DE PROVA (TESTE DE AVIDEZ):
O Teste de Avidez de IgG só tem valor diagnóstico conclusivo se
realizado ANTES de 16 semanas de gestação! Alta Avidez em <16w exclui
infecção na gestação e tranquiliza a paciente.
Paradoxo da toxo Duas curvas opostas: transmissão vertical sobe com a IG; gravidade fetal desce com a IG.
Quiz
Sobre transmissão e gravidade da toxoplasmose congênita:
A) 1ºT transmite mais e é menos grave.
B) 3ºT transmite mais e tende a ser menos grave.
C) Gravidade e transmissão sobem juntas.
D) Só o 2ºT transmite.
Virada: 3ºT transmite mais e tende a ser menos grave.
(A/C/D) confundem o paradoxo.
Gestante G−M+. Conduta imediata:
A) Esperar avidez sem tratar.
B) Iniciar tratamento já e repetir IgG em 3 semanas.
C) Alta — falso positivo garantido.
D) Amniocentese na mesma hora, sem tratamento.
Virada: não perder tempo; IgG em 3 sem decide se o IgM era falso.
(A/C/D) erram a janela de tratamento.
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