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Mobilidade: quem vai cair?

O quarto domínio existe para uma pergunta bem concreta: dá para prever, ali no consultório, qual idoso vai cair? Dá — e com testes simples. O TUG e a Tinetti fecham o conjunto dos quatro domínios obrigatórios.

O quarto domínio: mobilidade

O quarto domínio. Depois de cognição, humor e função, o quarto domínio obrigatório é a mobilidade. Ele existe para uma pergunta bem concreta: dá para prever, ali no consultório, qual idoso vai cair? Dá — e com testes simples.

O TUG (Timed Up and Go) e o corte dos 20 segundos

O TUG. O teste mais direto é o TUG (Timed Up and Go): o paciente se levanta da cadeira, caminha três metros, retorna e senta — cronometrado. Quem não tem impacto de mobilidade faz o TUG em no máximo 20 segundos. O idoso que não consegue fazê-lo em menos de 20 segundos tem risco aumentado para quedas. Uma nota de rigor: 20 segundos é o corte clássico e mais ensinado (abaixo de 10s é normal; 10-20s independência parcial; acima de 20s alto risco). Parte da literatura de rastreio de queda na comunidade usa um corte mais sensível, de cerca de 13,5 segundos — mas o número que a prova mais cobra é o 20.

TUG: levanta, anda 3 m, volta e senta, cronometrado. > 20 s = risco aumentado de queda (<10 s normal; 10–20 s independência parcial.)

A escala de Tinetti (mobilidade + equilíbrio)

A Tinetti. A mobilidade também pode ser avaliada pela escala de Tinetti, que é ampla: envolve vários parâmetros e inclui testes tanto de mobilidade quanto de equilíbrio. Enquanto o TUG dá um número rápido, a Tinetti dá um perfil mais detalhado da marcha e do equilíbrio.

Fecho: os quatro domínios são obrigatórios, o resto complementa

O fecho dos quatro. As escalas geriátricas são muitas, e nenhum serviço usa exatamente as mesmas — a avaliação não é engessada, cada lugar complementa à sua maneira. Mas os quatro domínios — cognição, humor, capacidade funcional e mobilidade — são obrigatórios e não se abre mão deles. Complementos possíveis: grau de sobrecarga do cuidador (que tem escala própria), audição e visão do paciente. Bons de acrescentar — mas nunca no lugar dos quatro.

O piso inegociável da avaliação geriátrica

  • Cognição — mini-mental, relógio, fluência
  • Humor — Yesavage / GDS-15
  • Capacidade funcional — Katz (ABVD) × Lawton (AIVD)
  • Mobilidade — TUG · Tinetti

Complementos (acrescentam, não substituem):

  • Sobrecarga do cuidador (escala própria)
  • Audição
  • Visão

Resumo operacional: TUG > 20 s = risco de queda; os quatro domínios são o piso inegociável.

Paciente idosa caminhando durante teste funcional de marcha, com avaliadora acompanhando, em ambiente clínico.
Prever a queda no consultório — a marcha avaliada em ato: velocidade, estabilidade, cadência, transição sentado-em-pé. CDC, via Wikimedia Commons, domínio público · fonte

Quiz

1. Idosa leva 26 segundos para completar o TUG. O que isso indica?

2. (V/F) Cognição, humor, capacidade funcional e mobilidade são os quatro domínios obrigatórios; sobrecarga do cuidador, audição e visão podem substituí-los conforme o serviço.

Conexão

Percorridos os quatro domínios, chega a pergunta que a avaliação inteira estava perseguindo — o que, afinal, ela estava caçando o tempo todo?