Página 11 · Parte A · Paredes
Mede-se o que se alcança, desconta-se o osso, sobra o que o feto tem
Uma figura mostra o examinador com os dedos dentro do canal, o indicador estendido alcançando um ponto lá atrás. A pergunta: qual estreito e qual diâmetro estão sendo avaliados nessa manobra?
A figura do caso: o examinador alcança o promontório e encosta na borda inferior da sínfise — mede a conjugata diagonalis do estreito superior.
1. Uma figura, um dedo que alcança um ponto, e uma pergunta
A figura do caso clínico mostra o dedo do examinador entrando no canal e alcançando um ponto lá atrás — o promontório sacral. Do outro lado, o dedo encosta na borda inferior da sínfise púbica. Esse trajeto — do promontório até a borda de baixo da sínfise — é a conjugata diagonalis, e faz parte do estreito superior da bacia. A pergunta do caso, portanto, se responde assim: a manobra avalia o estreito superior e mede a conjugata diagonalis.
2. Conjugata é qualquer diâmetro de frente para trás da entrada
Antes de decorar nomes, entenda o que todos eles medem. Conjugata é o nome genérico para qualquer diâmetro anteroposterior da entrada da bacia — qualquer linha que vá de trás (promontório) para frente (sínfise). Existem várias, e todas medem a mesma direção. O que muda entre elas não é a origem nem o eixo — é onde terminam.
3. Todas começam no mesmo lugar; o que muda é onde terminam
Todas as conjugatas do estreito superior partem do promontório sacral. O que muda é onde chegam na sínfise púbica. Quatro pontos, quatro nomes:
- Borda superior da sínfise → conjugata anatômica ≈ 11,0 cm
- Face interna da sínfise → conjugata obstétrica ≈ 10,5 cm
- Borda inferior da sínfise → conjugata diagonalis ≈ 12,0 cm
- Cóccix → borda inferior da sínfise → exitus ≈ 9,5 cm (esta é do estreito inferior)
Repare: três dessas (anatômica, obstétrica e diagonalis) pertencem ao estreito superior; a exitus pertence ao estreito inferior. A diagonalis é a mais longa porque vai até a borda de baixo; a obstétrica é a mais curta do estreito superior porque para na face interna, que está mais para trás.
4. Por que se subtrai 1,5 cm — a regra de Smellie
A conjugata obstétrica é a que decide se a cabeça fetal passa, mas não é mensurável diretamente ao toque. O que se mede é a diagonalis: o dedo alcançou o promontório e encostou na borda de baixo da sínfise. A obstétrica termina mais para cima, na face interna da sínfise — exatamente onde o feto passa. Entre a borda inferior e a face interna há um pedaço de osso de cerca de 1,5 cm de espessura. Por isso se aplica a regra de Smellie:
Obstétrica = Diagonalis − 1,5 cm
A frase que guarda tudo: mede-se o que se alcança, desconta-se o osso, sobra o que o feto tem. Mede-se a diagonalis (que se alcança), desconta-se 1,5 cm de osso, e sobra a obstétrica — o espaço que o feto realmente usa.
5. O que se mede e o que decide
Há uma separação clínica essencial entre essas duas medidas que a banca cobra o tempo todo:
- Diagonalis ≈ 12 cm — é mensurável ao toque vaginal, porque o dedo alcança o promontório e a borda inferior.
- Obstétrica ≈ 10,5 cm — é a que decide, mas é estimada (calculada pela regra de Smellie, nunca medida diretamente).
O promontório não alcançável ao toque é um bom sinal: significa que há espaço sobrando à frente do promontório, ou seja, a conjugata é ampla. Quando o promontório é fácil de alcançar, há pouco espaço — sinal de alerta para uma bacia estreita.
6. O sinal que a banca adora
A manobra de toque para avaliar o promontório é um clássico de prova. Não alcançar o promontório é bom sinal — indica bacia adequada, com conjugata ampla. Alcançar o promontório facilmente é sinal de alerta — pode indicar estreitamento da entrada e necessidade de avaliar a conjugata obstétrica com mais cuidado. A banca adora esse detalhe porque ele conecta o gesto clínico (o toque) com a decisão obstétrica (via parto).
| Conjugata | Origem | Término na sínfise | Valor | Estreito | Mensurável? |
|---|---|---|---|---|---|
| Anatômica | Promontório | Borda superior | ≈ 11,0 cm | Superior | Não |
| Obstétrica ★ | Promontório | Face interna | ≈ 10,5 cm | Superior | Não (calculada) |
| Diagonalis 🩻 | Promontório | Borda inferior | ≈ 12,0 cm | Superior | Sim (toque) |
| Exitus | Cóccix | Borda inferior | ≈ 9,5 cm | Inferior | Sim (toque) |
★ = a que decide a passagem fetal · 🩻 = a única do estreito superior diretamente mensurável · Obstétrica = Diagonalis − 1,5 cm (regra de Smellie).
Quiz — Página 11
Q1. Ao toque vaginal, o examinador mediu a conjugata diagonalis de 11,5 cm. Qual é o valor estimado da conjugata obstétrica pela regra de Smellie?
Gabarito B. A regra de Smellie é Obstétrica = Diagonalis − 1,5 cm. Portanto, 11,5 − 1,5 = 10,0 cm. Mede-se o que se alcança, desconta-se o osso, sobra o que o feto tem.
Q2. Durante o toque vaginal, o examinador não alcançou o promontório sacral. Como interpretar esse achado?
Gabarito B. Não alcançar o promontório significa que há espaço sobrando à frente dele — a conjugata é ampla e a entrada da bacia é adequada. É um sinal favorável para via de parto.
Q3. Qual das conjugatas abaixo é a única diretamente aferível ao exame clínico (toque vaginal) no estreito superior?
Gabarito C. A diagonalis é a única conjugata do estreito superior mensurável ao toque, porque o dedo alcança o promontório e encosta na borda inferior da sínfise. A obstétrica é calculada (diagonalis − 1,5 cm); a anatômica não é acessível.