Página 8 · Prolapsos / distopia genital

Retocele ou enterocele? O reto que hérnia × o intestino que desce

GinecologiaReto × delgadoOrigem separaColporrafia posteriorFechar o saco
As duas fazem uma bola na parede posterior — e muita gente troca uma pela outra.

Mas uma é o reto que hérnia, a outra é uma hérnia de intestino delgado — origens diferentes, correções diferentes.

Retocele: o reto que herniou pela parede posterior → colporrafia posterior

A retocele é o prolapso da parede vaginal posterior: o reto herniou/desceu e projeta sobre o canal vaginal. A correção é a colporrafia posterior, que refaz a fáscia retovaginal — a fáscia entre o reto e a vagina, cujo enfraquecimento deixou o reto avançar. Frente é bexiga, fundo é reto: a retocele é a assinatura do compartimento posterior.

A regra direta do compartimento: anterior/posterior, cada um sua colporrafia

A lógica do compartimento é limpa, sem mistério: parede vaginal anterior → colporrafia anterior; parede vaginal posterior → colporrafia posterior. E os nomes das fáscias são sugestivos — pubovesicocervical na frente (púbis-bexiga-colo), retovaginal atrás (reto-vagina). O endereço da falha já dita a cirurgia.

Cuidado para não confundir: retocele × enterocele andam juntas

Aqui vem o alerta que mais se repete: cuidado para não confundir retocele com enterocele. É para tomar cuidado mesmo — as duas têm associação frequente e ambas fazem uma bola na parede posterior. Mas são coisas diferentes, com origens diferentes e correções diferentes; trocá-las é o erro que a banca planta.

Enterocele: o intestino delgado que desce pelo fundo da vagina

A enterocele é o intestino delgado que desce pelo fundo da vagina: por movimento de peristalse, a alça vai forçando o fundo de saco e, às vezes, desce por ele. Como vem de cima, alguns autores a consideram um prolapso mais apical (e não posterior puro). E há um sinal ao exame: às vezes se palpa a peristalse da alça — o intestino, ao contrário do reto fixo, se mexe sob os dedos. Reto embaixo, delgado de cima: a origem separa as duas.

Correção da enterocele: fechar o saco herniário

O tratamento da enterocele é, na verdade, mais simples, porque é uma hérnia: empurra-se o intestino de volta e fecha/oblitera o fundo de saco vaginal — desfaz-se o saco herniário para que a força da peristalse não continue empurrando. Retocele se corrige refazendo a fáscia posterior; enterocele se corrige fechando o saco por onde a alça desceu.

PROLAPSOS DO COMPARTIMENTO POSTERIOR DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL PELA ORIGEM E CONDUTA CIRÚRGICA DIRECIONADA RETOCELE (Origem de Baixo) BEXIGA ÚTERO Retocele Hérnia de parede posterior Septo Retovaginal Fáscia íntegra acima Rotura Fascial Vetor de origem inferior Colporrafia Posterior Reforço verde da fáscia ENTEROCELE (Origem de Cima) BEXIGA ÚTERO RETO Enterocele Hérnia de cúpula / apical Saco Herniário Peritônio tracionado Intestino Delgado Pregas de peristalse Obliteração do Saco Fechamento do colo herniário Retocele ≠ Enterocele DIRETRIZ INTERATIVO: RETOCELE × ENTEROCELE Ambos os prolapsos se manifestam como uma "bola" ou abaulamento na parede vaginal posterior. Explore as estruturas, setas de origem e correções cirúrgicas para diferenciar suas causas. Dica: Passe o mouse ou toque nos componentes anatômicos e cirúrgicos destacados para ver os detalhes.
Retocele × enterocele, lado a ladoÀ esquerda, a retocele: o reto herniando pela parede posterior (fáscia retovaginal, colporrafia posterior). À direita, a enterocele: alça de intestino delgado descendo pelo fundo de saco (saco herniário, obliterar o saco). Uma seta de origem em cada — reto embaixo × delgado de cima.Esquema · a origem que separa as duas
Comparação de videodefecografia e defecografia por ressonância magnética: seta apontando enterocele e estrela na retocele.
Retocele × enterocele por imagem funcional

Imagem funcional do compartimento posterior: a seta marca a enterocele (alça de delgado descendo pelo fundo de saco) e a estrela, a retocele (a parede do reto projetando). A origem — delgado de cima × reto de baixo — é o que separa as duas na prova.

Pääkkö E et al. “X-ray video defaecography is superior to MR defaecography…” Colorectal Dis. 2022;24(6):747-753 (Fig. 1). Licenciado sob CC BY 4.0. Fonte: PMC.

real de imagem funcional — defecografia (posterior)

Mapa do assoalhoHidrata a coluna posterior do mapa (fáscia retovaginal = suporte do reto); e a enterocele, vindo de cima, toca também a coluna apical.

Quiz — fixação

Ao exame da parede vaginal posterior, palpa-se uma bola em que se percebe peristalse, e a impressão é de que o conteúdo vem de cima (do fundo de saco). O diagnóstico e a correção são:

  • B — a virada. Peristalse palpável + origem “de cima” = intestino delgado pelo fundo de saco = enterocele → fecha-se o saco herniário.
  • A. a retocele é o reto (sem peristalse de alça, vindo de baixo/posterior) e se corrige por colporrafia posterior — a origem descrita não bate.
  • C. cistocele é parede anterior/bexiga — compartimento errado.
  • D. prolapso uterino é apical com colo descendo, não uma bola posterior com peristalse.
  • Por que cair. ambas fazem bola posterior, mas a peristalse e a origem alta são os dois sinais que cravam enterocele — exatamente o que a banca testa.

Sobre retocele e enterocele, assinale a correta:

  • B — a virada. Vísceras e correções distintas: reto/colporrafia posterior × delgado/obliteração do saco.
  • A. tratá-las como sinônimos é o erro exato que a banca explora.
  • C. inverte as correções — retocele não fecha saco; enterocele não é colporrafia posterior.
  • D. falso: têm associação frequente (é justamente por isso que se confundem).
  • Por que cair. as duas parecem iguais ao olhar (bola posterior), e sem a origem/víscera o aluno as funde.
A seguir

Mapeados todos os tipos, resta a pergunta que decide operar ou não: quão grande é esse prolapso? A resposta exige a régua — o sistema de coordenadas que assusta na prova e que, desmontado, é pura lógica.