Página 11 · Prolapsos / distopia genital

Testa você: três POP-Q na mesa

GinecologiaAnterior → posterior → C/DPonto D detetiveNão tema o normalUSP Capital

A lógica de leitura: anterior → posterior → colo ou cúpula

O jeito de não errar é sempre o mesmo: percorrer a parede anterior (Aa/Ba), depois a posterior (Ap/Bp), depois o ápice — e no ápice perguntar se o C é colo ou cúpula (olhando o ponto D). Feito esse percurso, o diagnóstico e a conduta caem. Três casos treinam exatamente isso.

Simulado 1: tudo prolapsado (uterino + anterior + posterior)

Pontos: Aa 0, Ba +1 (anterior, que deveria estar em −3 → está prolapsado); Ap 0, Bp +1 (posterior, idem); C +4 (colo 4 cm para fora); D +2 (fundo de saco também para fora). Percorrendo: anterior para fora, posterior para fora, e o ápice (C +4, com D presente → é colo) também para fora. Diagnóstico: prolapso uterino + prolapso vaginal anterior + prolapso vaginal posterior — tem tudo. A banca às vezes cita só o que está mais para fora (aqui, o colo +4 → “prolapso uterino”), mas o quadro é multicompartimental.

Simulado 2: só apical, sem ponto D (cúpula)

Aqui não há prolapso anterior nem posterior; há um ponto C, mas sem ponto D (registrado como X/tracejado). Percorrendo: anterior normal, posterior normal, e no ápice o C existe mas não tem D → como não tem ponto D, esse C é a cúpula. Diagnóstico: prolapso de cúpula. É o ponto D fazendo seu trabalho de detetive — sem ele, o topo que desceu é a cúpula de quem não tem útero.

Simulado 3 e o “normal”: anterior isolado × tudo em −3 (USP Capital)

Primeiro o normal: um dos desafios tem tudo em −3 — sem prolapso anterior, posterior nem de colo. Está tudo bem. E aqui vem a pegadinha-mãe da recuperação ativa: não tenha medo de marcar que está tudo normal. É uma parte da prova em que não se pode hesitar em marcar o normal — esse exato caso já caiu na USP Capital. Depois o Simulado 3: sem prolapso posterior nem uterino; o colo está a 7 cm para dentro (C −7) e o fundo em −8 (D −8) — colo pequeno, e |D − C| = 1 → não é alongamento. O que ela tem: prolapso de parede vaginal anterior (é o ponto B mais para fora que manda a leitura) → conduta: colpoperineoplastia / colporrafia anterior + correção da fáscia pubovesicocervical. É, em treino, exatamente o formato do caso que fecha a discussão.

Simulado 1 · tudo prolapsado
desafio
  • Aa 0
  • Ba +1
  • Ap 0
  • Bp +1
  • C +4
  • D +2

Prolapso uterino + prolapso vaginal anterior + prolapso vaginal posterior (multicompartimental).

Percorrendo: anterior para fora (deveria estar em −3), posterior para fora, e o ápice (C +4, com D presente → é colo) também para fora → tem tudo. A banca às vezes cita só o mais para fora (o colo +4 → “prolapso uterino”), mas o quadro é multicompartimental.

Simulado 2 · só apical, sem ponto D
desafio
  • Aa/Ba −3
  • Ap/Bp −3
  • C descido
  • D = X (ausente)

Prolapso de cúpula.

Anterior e posterior normais; no ápice o C existe mas não tem ponto D (X/tracejado) → como não há fundo de saco, esse C é a cúpula de quem não tem útero. É o ponto D fazendo seu trabalho de detetive.

Simulado 3 · anterior isolado
desafio
  • C −7
  • D −8
  • ponto B anterior = o mais para fora
  • sem prolapso posterior/uterino

Prolapso de parede vaginal anterior (isolado).

Colo/ápice bem dentro (C −7, D −8, |D − C| = 1 → não é alongamento) e o B anterior mais distal manda a leitura → anterior isolado. Conduta: colpoperineoplastia / colporrafia anterior + correção da fáscia pubovesicocervical. É, em treino, o formato do caso que fecha a discussão.

O “normal” · tudo em −3
sem prolapso
  • Aa/Ba −3
  • Ap/Bp −3
  • sem prolapso de colo

Está tudo normal — sem prolapso (estágio 0).

−3 é o valor normal de todas as paredes → assoalho íntegro. A pegadinha-mãe: não tenha medo de marcar que está tudo normal. É uma parte da prova em que não se pode hesitar em marcar o normal — este exato caso já caiu na USP Capital.

ROTEIRO SISTEMÁTICO DE LEITURA POP-Q A sequência espacial que evita erros: 1º Anterior → 2º Posterior → 3º Ápice (Lógica D) púbis sacro bexiga reto útero fundo de saco de Douglas cúpula vaginal 0 (carúncula himenal) 1 2 3 Aa Ba Ap Bp C C D 1. ORDEM FIXA DE LEITURA O exame POP-Q mapeia 6 pontos em relação ao hímen (0). O segredo clínico para agilidade e precisão é seguir a sequência anatômica horária: ANTERIOR POSTERIOR ÁPICE Aa = -3 cm Ba = -3 cm Ap = -3 cm Bp = -3 cm C (Colo) D (Saco D.) INICIAR SEQUÊNCIA 1º COMPARTIMENTO: ANTERIOR Avalia-se a integridade da parede vaginal anterior (relação direta com a bexiga/uretra): Aa (Fixo): Ponto a 3 cm proximal do hímen. Ba (Móvel): Ponto mais distal do fórnice até Aa. ✓ tudo −3 = normal Em mulheres sem prolapso, Aa e Ba medem −3. AVANÇAR: POSTERIOR (2) 2º COMPARTIMENTO: POSTERIOR Avalia-se a parede vaginal posterior, com foco topográfico na parede do reto: Ap (Fixo): Ponto a 3 cm proximal do hímen. Bp (Móvel): Ponto mais distal do fórnice até Ap. ✓ tudo −3 = normal Em mulheres sem prolapso, Ap e Bp medem −3. AVANÇAR: ÁPICE & DETETIVE D (3) 3º ÁPICE VAGINAL: REGRA DE D Tem D (Colo) Sem D (Cúpula) C (Colo): Extremidade distal do colo uterino. D (Douglas): Fórnice posterior/Fundo de saco. Diferencia prolapso uterino verdadeiro de alongamento hipertrófico do colo (onde C é muito alterado, mas D permanece normal). C (Cúpula): Ponto apical (pós-histerectomia). D (Douglas): Indisponível (Sem útero). Pós-histerectomia, o ponto D deixa de existir. Apenas a descida da cúpula vaginal (C) é avaliada no exame. A REGRA CLÍNICA DO DETETIVE D Se há colo presente, há fundo de saco de Douglas → mede-se D. Se o útero foi retirado, a vagina torna-se cega → D desaparece da tabela. RECOMPOR EXAME Conclusão: O exame POP-Q segue o fluxo anterior (1) → posterior (2) → ápice (3). A presença ou ausência de útero (ponto D) determina a classificação apical.
O roteiro de leitura em corteOs três checkpoints numerados como sequência: 1º a parede anterior (Aa/Ba), 2º a posterior (Ap/Bp), 3º o ápice (C/D: colo ou cúpula?). É o roteiro de leitura ancorado na anatomia: anterior → posterior → ápice.Esquema · o roteiro que não erra
Diagrama de classificação POP-Q em dois painéis: corte sagital com os pontos referenciados ao plano do hímen e o esquema em linha das medidas.
O POP-Q em dois painéis: compare seu diagnóstico com o padrão

Um diagrama de referência do POP-Q para conferir a leitura de cada simulado: o corte sagital com os pontos ao plano do hímen e o esquema das medidas. Percorra anterior → posterior → ápice e confronte com o que você marcou.

Samantray SR, Mohapatra I. “…Pelvic Organ Prolapse.” Cureus. 2021;13(1):e12443. Licenciado sob CC BY 3.0. Fonte: PMC.

real de referência/reuso — diagrama POP-Q para conferência

Quiz — fixação

Um caso do simulado traz todos os pontos em −3 (Aa/Ba/Ap/Bp em −3, sem prolapso de colo). A resposta correta é:

  • B — a virada. −3 é o valor normal de todas as paredes → sem prolapso. É a pegadinha da USP Capital: hesitar em marcar o normal.
  • A. não há nada para fora nem na faixa de prolapso; inventar estágio 1 é ceder ao medo de marcar normal.
  • C. cúpula exigiria um ápice descido sem ponto D; aqui o ápice está normal.
  • D. alongamento precisa de |D − C| > 4; nada disso está posto.
  • Por que cair. o cérebro assume que “toda prova tem doença” e força um diagnóstico — o exato viés que o caso testa.

Simulado: C −7, D −8, sem prolapso posterior nem uterino, e o ponto B anterior é o mais para fora. O diagnóstico e a conduta são:

  • B — a virada. Colo/ápice bem dentro (C −7, D −8, |D − C| = 1 → não alongamento) + o B anterior mais distal = prolapso anterior isolado → colporrafia anterior + fáscia pubovesicocervical.
  • A. |D − C| = 1 < 4 exclui alongamento — e Manchester seria para colo comprido.
  • C. o ápice está suportado (negativos); não há prolapso uterino a histerectomizar.
  • D. há ponto D → há colo → não é cúpula.
  • Por que cair. ver dois números negativos altos no ápice e pensar “colo comprido” ignora que a diferença entre eles (1 cm) é que decide — e ela é pequena.
A seguir

Treinada a leitura, resta o achado que ficou pendente no períneo da Lurdinha desde o começo: a rotura perineal e seus quatro graus — a última peça antes de decodificá-la por inteiro.