COMPARAÇÃO

O nome: polirradiculoneuropatia desmielinizante aguda

Monoum nervo só
×
Polisimétrico, bilateral
Mielina centralEM (SNC)
×
Mielina periféricaGBS (SNP)
≤ 8 semanasAguda / GBS
×
> 8 semanasCrônica / PIDC

Desmontar cada pedaço do nome expandido e entender por que ele define o mecanismo, o alvo e o curso da doença.

Nome expandido

Nome expandido da síndrome de Guillain-Barré: polirradiculoneuropatia desmielinizante aguda autolimitada.

Poli × mono × monomúltipla

Poli entra na classificação das neuropatias: mononeuropatia, mononeuropatia múltipla ou polineuropatia.

Radículo + desmielinizante

Radículo = a doença começa na raiz nervosa — ponto de emergência do nervo quando sai da medula espinhal.

Desmielinizante = o alvo é a bainha de mielina. O nervo periférico, em sua maioria, também é envolvido por mielina. O alvo primordial de Guillain-Barré é a bainha de mielina do nervo periférico.

Pegadinha: mielina central e mielina periférica são diferentes (antígenos diferentes). Por isso existe esclerose múltipla (só SNC) e Guillain-Barré (só mielina do nervo periférico). Não há doença que pegue as duas mielinas ao mesmo tempo: ou central, ou periférica. Guillain-Barré pega a periférica.

Aguda ≤ 8 semanas

Aguda = evolução de até 8 semanas. Se a evolução passar de 8 semanas, passa a ser chamada de polineuropatia crônica. Evolução clínica até 8 semanas; a partir de 8 semanas o quadro tem que começar a melhorar. A melhora não é rápida: precisa de tempo para a remielinização. Se não melhorar após esse prazo → forma crônica.

Limite temporal: O teto de 8 semanas separa GBS de PIDC nos critérios brasileiros. A maioria atinge nadir em ≤2–4 semanas; progressão >4 semanas já lança dúvida e pede diagnóstico alternativo, sem substituir o limite de 8 semanas.

Autolimitada

Autolimitada é, em parte, redundante com "aguda": se dura até cerca de 8 semanas e deve melhorar, a duração é limitada.

Por que importa na prática: confundir com EM (mielina errada) ou com mononeuropatia (padrão errado) muda exame, prognóstico e conduta.

Resumo operacional: poli simétrico + raiz + mielina periférica + ≤8 semanas + deve melhorar = GBS no nome.

Imunofluorescência confocal de nervo ciático (SNP): bainhas de mielina em verde (MBP), células de Schwann em vermelho (S100) e núcleos em ciano (Hoechst). Escala 25 µm.
Imunofluorescência de MBP e S100 em nervo ciático de rato — bainhas de mielina (verde), células de Schwann (vermelho), núcleos (ciano).

Valeriia Ustymenko, via Wikimedia Commons · CC BY 4.0 · fonte

A mielina que o anticorpo ataca

Esta é a bainha de mielina do nervo periférico — o alvo. A proteína básica de mielina (MBP, em verde) envolve os axônios como um isolante elétrico. No GBS, anticorpos produzidos após uma infecção atravessam essa estrutura. Não é a mielina do cérebro: o alvo mostrado é a bainha do nervo periférico.

Raiz, nervo e mielina periférica Anatomia do comprometimento de raízes e nervos periféricos na polirradiculoneuropatia desmielinizante aguda. POLIRRADICULONEUROPATIA AGUDA (SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ): ANATOMIA DO ALVO Fronteira Antigênica Exclusiva: Radículo + Nervo Periférico (Célula de Schwann) vs SNC Poupado (Oligodendrócito) SNC (Poupado) Alvo (GBS) Regra / Selo 1. MEDULA (SNC) Oligodendrócitos · Preservado POUPADO NA GBS Oligodendrócito CARACTERÍSTICAS: • Mielina Central (SNC) • Sem antígenos GBS • Vias motoras normais SNC ÍNTACTO / HÍGIDO ZTrans 2. RADÍCULO (RAIZ NERVOSA) Polirradiculoneuropatia · Alvo Inicial ALVO INFLAMATÓRIO CRÍTICO Barreira Hemato-Nervosa Permeável GDR Tronco Macrófago PROTEÍNA NO LCR (ELEVADA) Inflamação radicular descarrega proteína s/ pleocitose (Células ≤50) ACHADOS DA RAIZ: • Barreira hematonervosa frágil • Influxo precoce de IgG/anti-GM1 • Dor radicular / parestesia LCR: DISSOCIAÇÃO PROTEICO-CITOLÓGICA 3. NERVO PERIFÉRICO (SNP) Células de Schwann · Mielina Periférica DESMIELINIZAÇÃO SEGMENTAR Axônio Periférico (SNP) Schwann Intacta Nó Ranvier Macróf ATAQUE GBS! BLOQUEIO DE CONDUÇÃO Perda da condução saltatória → Tetraparesia flácida/arefléxica ACHADOS DO SNP: • Mielina periférica = Schwann • Desmielinização multifocal • Paresia ascendente simétrica EXCLUSIVO DO SISTEMA PERIFÉRICO SELO DE FRONTEIRA DIAGNÓSTICA: MIELINA PERIFÉRICA ≠ CENTRAL 1. GBS NUNCA acomete mielina central! (EM = Central / Oligodendrócito | GBS = SNP / Schwann) 2. Padrão Clínico OBRIGATÓRIO: Polirradiculoneuropatia Simétrica, Ascendente, Flácida, Arrefléxica. 3. Teto Temporal: Instalação Aguda ≤ 4 semanas (Teto ≤ 8 sem. Evolução > 8 semanas = PIDC). SNC RADÍCULO SCHWANN FRONTEIRA 1. PRESERVAÇÃO DO SNC (MEDULA) SNC POUPADO · OLIGODENDRÓCITOS ÍNTEGROS Na Síndrome de Guillain-Barré (GBS), o Sistema Nervoso Central é COMPLETAMENTE PRESERVADO. A mielina do SNC é formada por OLIGODENDRÓCITOS, que não expressam os alvos antigênicos periféricos da GBS. O acometimento central é a marca registrada da Esclerose Múltipla (EM). ÂNCORA DE PROVA (RESIDÊNCIA): • Se a questão citar nível sensitivo, espasti- cidade, sinal de Babinski ou hiperreflexia ➔ NÃO É GBS! Trata-se de lesão central (EM/NMO). • GBS afeta unicamente SNP (Arreflexia flácida). REGRA DE OURO DIAGNÓSTICA: SNC Poupado + Tetraplegia Flácida + Arreflexia + Proteína Alta s/ Células = SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ Toque nas estruturas à esquerda para alternar o estudo Dica interativa

De onde vêm os anticorpos que atacam essa mielina — o gatilho infeccioso.

Quiz

Q1. Em Guillain-Barré, o alvo primordial da mielina é:

Q2. "Aguda", no nome da síndrome, significa evolução de até:

Q3. Polineuropatia implica acometimento: