Página 7 · Revisão do ciclo menstrual

As quatro curvas que contam a mesma história

GinecologiaRevisão · BaseFSH sobe, cai, pequeno picoPico de LH = divisor≥200 pg/mL na curva do estradiolProgesterona marca a lútea

Ao final, você lê as quatro curvas de um golpe:

  • onde o FSH sobe (fim do ciclo anterior) e cai (feedback do estradiol);
  • quando o estradiol dispara o LH — e onde mora o ≥200 pg/mL;
  • como o pico de LH divide folicular e lútea;
  • como a progesterona marca a segunda fase.

A curva do FSH: sobe no fim do ciclo anterior, cai com o estradiol, pequeno pico com o LH

A curva do FSH sobe já no final do ciclo anterior (para adiantar o recrutamento) → começa a cair quando o estrogênio sobe (o feedback negativo da fase folicular) → e faz um pequeno pico junto com o pico de LH no meio do ciclo. Esse pequeno pico do FSH não é significativo para prova, mas é o correto: quando se abrem as comportas do LH, sai também um pouco de FSH. Lida de ponta a ponta, a curva do FSH conta a fase folicular inteira num traço só.

A curva do LH: o pico no meio do ciclo é o divisor

A curva do LH é discreta na maior parte e faz o seu grande pico no meio do ciclo — e esse pico é o divisor de todo o gráfico: antes dele = fase folicular; depois dele = fase lútea. Se você precisa de um único ponto de referência para se orientar nas curvas, é o pico de LH. Ele separa as duas metades e organiza a leitura de tudo o mais.

A curva do estradiol: pico pré-ovulatório dispara o LH (o ≥200 pg/mL é daqui)

A curva do estradiol sobe ao longo da fase folicular até o pico pré-ovulatório — e é esse pico que dispara o LH. É na curva do estradiol que mora o número: ≥200 pg/mL sustentado por ~48-50h. O marcador do limiar ancora aqui, no estradiol, e não na curva do LH — o LH é o pico que responde ao estradiol. Guarde a leitura visual: o estradiol sobe primeiro e alto; logo depois vem o pico do LH. Quem inverte a ordem (LH atingindo o limiar) cai na pegadinha.

A curva da progesterona (e a inibina B→A): a segunda fase marcada

A curva da progesterona fica baixa na fase folicular, faz uma pequena elevação e depois dispara na fase lútea — é a marca de que ovulou (o corpo lúteo mudou de padrão e prepara o endométrio) → e cai se não há gravidez, reiniciando o ciclo. Acompanhando tudo, a inibina B (folicular) dá lugar à inibina A (lútea). E, empilhadas sob as curvas, as fases (menstrual | folicular/proliferativa | ovulação | lútea/secretora) ficam no mesmo eixo do tempo — a mecânica do ciclo vista de um golpe.

A Linha do Ciclo

arraste ao longo do ciclo (dias 1–28)
FSHLHestradiol (E2)progesterona (P4)inibina B→A
dia 13O disparo
Fase ovariana
O feedback inverte (− → +): o estradiol sustentado dispara o pico de LH
Fase uterina
Proliferativa tardia — trilaminar, prestes a ovular
FSH pequeno pico junto com o LH
LH subindo ao pico
estradiol (E2) pico ≥200 pg/mL sustentado — o gatilho
progesterona (P4) basal

Sem pico de estradiol → sem pico de LH → sem ovulação. O número (≥200 pg/mL) é do estradiol; a banca inverte e atribui ao LH.

A SEQUÊNCIA OVARIANA EM DEGRAUS Evolução morfológica das estruturas foliculares e lúteas ao longo do ciclo menstrual folicular estradiol ovulação lútea progesterona folículo em desenvolvimento folículo dominante granulosa teca ovulação corpo lúteo corpo albicans toque em cada etapa ovariana etapa 1: folículo em desenvolvimento (fase folicular) Recrutamento de uma coorte de folículos antrais sob estímulo progressivo do hormônio FSH. O antro folicular inicia sua expansão com acúmulo de fluido rico em esteroides. A teca e a granulosa cooperam ativamente na esteroidogênese para a produção local e sistêmica de estradiol. etapa 2: folículo dominante (fase folicular tardia) Seleção do folículo de Graaf que apresenta maior densidade e sensibilidade aos receptores de FSH. A secreção exponencial de estradiol (E2) pelas células da granulosa atinge o limiar crítico hipotalâmico, desencadeando o feedback positivo e o pico subsequente de LH indispensável para a ovulação. etapa 3: ovulação (janela ovulatória) O pico do hormônio LH induz a digestão enzimática da parede folicular externa, gerando o estigma. Ocorre a ruptura do folículo e expulsão do oócito secundário, circundado pela corona radiata e o cumulus oophorus, que é imediatamente captado pelas fímbrias da tuba uterina. etapa 4: corpo lúteo (fase lútea) Colapso do folículo roto e diferenciação das células granulosa-teca em células lúteas sob estímulo do LH. A parede pregueada e vascularizada passa a secretar progesterona (P4) e estradiol em alta escala, promovendo a decidualização e o preparo secretor do endométrio para o período de implantação. etapa 5: corpo albicans (regressão lútea) Na ausência de implantação embrionária e de gonadotrofina coriônica (hCG), ocorre a luteólise. O corpo lúteo regride estrutural e funcionalmente, interrompendo a produção de progesterona. A estrutura sofre degeneração conjuntiva, restando apenas uma cicatriz fibrosa e esbranquiçada. Legenda: A morfologia ovariana segue degraus cronológicos rígidos que determinam o perfil hormonal do ciclo menstrual. plataformas Bauer
A sequência ovariana em degrausA faixa morfológica que acompanha as curvas: folículo em desenvolvimento → folículo dominante → ovulação → corpo lúteo → corpo albicans (regressão), alinhada às fases do gráfico. Toque em cada etapa ovariana.Esquema · a morfologia do ovário sob as curvas
Diagrama do ciclo menstrual de 28 dias com as curvas de FSH, LH, estrogênio e progesterona alinhadas às fases folicular e lútea, à sequência ovariana e ao ciclo uterino, com a ovulação no dia 14.
Figura de referência das curvas do ciclo

Diagrama fisiológico consagrado do ciclo de 28 dias: as quatro curvas (FSH, LH, estrogênio, progesterona) sobre o eixo do tempo, as fases folicular e lútea divididas pela ovulação, e a correlação com o ciclo ovariano e uterino. É a referência de forma que valida a Linha do Ciclo autoral — nela, o marcador do ≥200 pg/mL fica na curva do estradiol.

Diagram of the menstrual cycle, por Isometrik, via Wikimedia Commons, licenciada sob CC BY-SA 3.0. Fonte: Wikimedia.

figura de referência — o diagrama não traz o número; o ≥200 pg/mL fica na Linha do Ciclo, ancorado ao estradiol

Quiz — fixação

No gráfico das curvas do ciclo, qual evento funciona como divisor entre a fase folicular e a lútea?

  • B — a virada. O pico de LH no meio do ciclo separa folicular (antes) de lútea (depois) — é o ponto de referência do gráfico.
  • A. o FSH sobe no fim do ciclo anterior para recrutar, mas não divide as fases do ciclo em curso.
  • C. o pico de progesterona marca que a lútea está em andamento, mas o divisor entre as fases é o LH que a antecede.
  • D. a menstruação abre um novo ciclo.
  • Por que cair na (C). a progesterona alta é tão característica da segunda fase que parece o divisor — mas ela vem depois do evento que divide, o pico de LH.

Na Linha do Ciclo, o marcador "≥200 pg/mL por ~48-50h" deve ancorar em qual curva?

  • B — a virada. O limiar é do estradiol — é o pico pré-ovulatório de estradiol que sustenta ≥200 pg/mL por ~48-50h e dispara o LH.
  • A. ancorar no LH é a inversão que a banca cobra: o LH é o disparado, não quem atinge o patamar.
  • C. o FSH está caindo nesse ponto, por feedback negativo.
  • D. a progesterona só dispara depois da ovulação.
  • Por que cair na (A). a proximidade visual entre o pico de estradiol e o pico de LH tenta o aluno a colar o número no LH — mas o gatilho é o estradiol.
Ponto de reentrada

A Linha do Ciclo é a base sobre a qual se explicam amenorreia, SOP e contracepção (Gineco 4) e o sangramento estrutural (Gineco 5) — é sobre ela que esses temas se apoiam quando chegarem.

A seguir

O mesmo ciclo tem um segundo narrador: o útero. O que os hormônios fazem no ovário, o endométrio reflete no ultrassom — e a banca cobra reconhecer a fase pela imagem.