Página 4 · Revisão do ciclo menstrual

Duas células, duas gonadotrofinas: como o androgênio vira estradiol

GinecologiaRevisão · BaseTeca: LH → androgênioGranulosa: FSH → aromataseColesterol = baseEstradiol × estrona
Teca (externa)

Tem contato com o colesterol. Sob o LH, faz androgênio — mas para aí.

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Granulosa (interna)

Não toca o colesterol. Sob o FSH, tem a aromatase — mas precisa que o androgênio chegue.

Nenhuma sozinha faz estradiol — e o estradiol não surge do nada: vem de androgênio. Como duas células incompletas fazem juntas o hormônio mais potente da mulher?

O folículo tem duas camadas: teca (fora) e granulosa (dentro)

Antes da bioquímica, a anatomia: o folículo tem uma camada de fora, a teca, e uma camada de dentro, a granulosa. Essa separação física não é detalhe — é o que torna possível (e obrigatória) a divisão de trabalho que produz o estradiol. Duas camadas, duas funções, duas gonadotrofinas comandando cada uma.

A teca faz androgênio: LH → colesterol → androstenediona/testosterona

A camada da teca produz androgênio. Ali, sob a ação do LH, o colesterol é convertido em androstenediona e testosterona. Fixe o comando: na teca, quem manda é o LH, e o produto é androgênio. Mas o androgênio não é o fim da linha — ele é a matéria-prima do que interessa, o estrogênio. Por isso a regra de ouro: o estrogênio não surge do nada — surge a partir do androgênio. O folículo precisa produzir androgênio primeiro, para depois produzir estrogênio.

O colesterol é a base da esteroidogênese (e por que a magreza extrema cessa o ciclo)

O termo assusta, mas se abre fácil: esteroidogênese é só a formação de esteroide sexual — e a base de toda ela é o colesterol. É daí que parte a via. Consequência clínica direta: uma paciente muito magra, sem o mínimo de gordura, pode parar de ciclar — falta o substrato/gordura mínimos para a esteroidogênese sustentar o ciclo. (No rigor, a parada da menstruação na magreza extrema tem também um componente central, mas o ponto de prova aqui é o colesterol como base da via.) Guarde o encadeamento: sem base, sem esteroide; sem esteroide, sem ciclo.

O androgênio migra para a granulosa, que não toca o colesterol

O androgênio produzido na teca — androstenediona e testosterona — migra para a granulosa. E aqui está a razão de serem duas células: a granulosa é a camada mais interna e não tem contato com o colesterol, então não faz androgênio — ela recebe o androgênio pronto da teca. Uma célula tem a matéria-prima e faz o precursor; a outra recebe o precursor e faz o produto final. Nenhuma sozinha fecha a conta.

Na granulosa: FSH → aromatase → estrona/estradiol — o nome da teoria

Na granulosa, o androgênio vira estrona e estradiol pela ação do FSH, que estimula a enzima aromatase — a aromatização atua sobre os androgênios e forma o estrogênio. É assim que o folículo estimulado pelo FSH produz o estrogênio essencial para a ovulação. O nome que a banca cobra: teoria das duas células, duas gonadotrofinas. Duas células = teca e granulosa; duas gonadotrofinas = LH e FSH. Recap para não errar o pareamento: na teca, o LH faz colesterol → androstenediona/testosterona; na granulosa, o FSH faz a aromatização → estrona/estradiol.

Estradiol × estrona: o potente do menacme × o da menopausa

Fecha com a pegadinha de banca. O estradiol é o estrogênio mais potente da mulher no menacme — o estrogênio ovariano da vida reprodutiva. Após a menopausa, quando não há mais folículo para fabricá-lo, predomina a estrona, produzida perifericamente (aromatização periférica de androgênios). É uma das grandes diferenças hormonais da paciente pós-menopausa: sem folículo, o ovário não faz estradiol, e o estrogênio que sobra é a estrona periférica. Estradiol = menacme; estrona = menopausa.

Teoria das duas células, duas gonadotrofinas na síntese do estradiol Corte do folículo ovariano com a via bioquímica de cada camada da parede. Na teca externa, vascularizada, o LH converte o colesterol trazido pelo sangue em androstenediona e testosterona. O androgênio atravessa a membrana basal e migra para a granulosa interna, que não tem contato com o colesterol, onde o FSH induz a aromatase, enzima que aromatiza os androgênios em estrona e estradiol. O estradiol é o estrogênio potente do menacme; a estrona, mais fraca, predomina na menopausa por conversão periférica. TEORIA DAS 2 CÉLULAS · 2 GONADOTROFINAS Duas células cooperam para fabricar o estradiol A teca faz o androgênio sob o LH; a granulosa o aromatiza em estrogênio sob o FSH. CORTE DO FOLÍCULO as duas camadas da parede teca externa · LH granulosa interna · FSH membrana basal a granulosa não toca o colesterol antro líquido folicular oócito androgênio migra colesterol A VIA, ELO A ELO substrato → enzima → produto teca · recebe o LH LH colesterol desmolase · CYP17 androstenediona testosterona androgênios membrana basal o androgênio migra granulosa · recebe o FSH · sem colesterol androgênio da teca FSH induz aromatase CYP19 estradiol estrona estradiol: menacme (potente) estrona: menopausa (periférica) a base de tudo teca granulosa androgênio estradiol / estrona pegadinha de prova toque em cada camada para ver a etapa
Teoria das 2 células, 2 gonadotrofinasEm corte do folículo: na teca, o LH converte o colesterol em androstenediona/testosterona; o androgênio migra para a granulosa, que não toca o colesterol, onde o FSH ativa a aromatase e forma estrona/estradiol. O diagrama-estrela do módulo. Toque em cada camada para ver a etapa.Herói · substrato → enzima → produto, camada a camada
Corte histológico de folículo de Graaf humano corado por hematoxilina-eosina, mostrando a cavidade antral, a camada de granulosa, o ovócito no cúmulo oóforo e, por fora, a teca — as duas camadas cooperantes.
Folículo de Graaf humano: teca × granulosa na parede

Corte histológico de folículo de Graaf humano corado por hematoxilina-eosina: a cavidade antral, a camada de granulosa (revestimento celular basofílico denso do antro), o ovócito com sua zona pelúcida no cúmulo oóforo e, por fora da granulosa, a teca. As duas camadas cooperantes da teoria das duas células, na parede real do folículo.

Folículo de Graaf, ovário humano, por Ed Uthman, via Wikimedia Commons, licenciada sob CC BY 2.0. Fonte: Wikimedia.

tecido humano — foco na parede/camadas do folículo maduro (distinto da progressão folicular)

Quiz — fixação

Na teoria das duas células, duas gonadotrofinas, o pareamento correto é:

  • B — a virada. Teca (externa) = LH → colesterol → androgênio; granulosa (interna) = FSH → aromatase → estradiol.
  • A. inverte as gonadotrofinas e as funções das camadas.
  • C. só a teca faz androgênio; a aromatase é da granulosa sob FSH, não do LH.
  • D. a granulosa não tem contato com o colesterol — ela recebe o androgênio da teca e o aromatiza; não parte do colesterol.
  • Por que cair na (D). o aluno "pula" a etapa da migração do androgênio e imagina a granulosa fazendo tudo sozinha — o que anula a razão de serem duas células.

Após a menopausa, o estrogênio predominante e sua origem são:

  • B — a virada. Sem folículo, o ovário não faz estradiol; predomina a estrona, por aromatização periférica de androgênios.
  • A. mantém o estradiol, que é justamente o que cai na menopausa (é o potente do menacme).
  • C. acerta a origem periférica mas erra o hormônio: é a estrona que predomina, não o estradiol.
  • D. não há folículo dominante na menopausa para produzir hormônio.
  • Por que cair na (A). associa-se "estrogênio" a "estradiol/ovário" no automático, esquecendo que a fonte ovariana some com os folículos e o palco passa à estrona periférica.
A seguir

Esse estradiol vinha freando a hipófise — mas, quando atinge um patamar alto e sustentado, ele faz o contrário do que fazia: em vez de frear, dispara.