Página 6 · Profilaxia — a escada

Profilaxia: quem, e em que degrau

Bônus≥2 eventos ou SAF → plenaAlto risco → pré-natal + 6 semBaixo risco → só puerpérioMuda a duração, não a dose

Ela ainda não trombosou nesta gestação — quem merece anticoagular, e em que dose?

A página é uma árvore de decisão pura. A pergunta abre exatamente o galho que a estratificação vai percorrer, e é onde a voz-escada da plataforma se materializa: três degraus, um eixo de decisão claro.

Quem entra na profilaxia e o primeiro corte: ≥2 eventos ou SAF → dose PLENA

Até aqui, a conversa era sobre a paciente com evento agudo — a que trombosou e precisa tratar. Agora muda o sujeito: a paciente que ainda não teve o evento nesta gestação, mas tem risco maior de fazer. As principais candidatas à profilaxia são quem já teve algum evento trombótico antes e quem tem síndrome do anticorpo antifosfolípide (SAF). O primeiro passo é estratificar: essa paciente já teve trombose? Foi uma vez só, ou duas ou mais? E o primeiro corte é firme: se ela teve ≥2 eventos prévios OU tem diagnóstico de SAF, a conduta é anticoagulação plena — o mesmo 1 mg/kg de 12/12h do evento agudo. Não é profilaxia leve; é dose cheia.

Um evento só: alto risco de recorrência → pré-natal + 6 semanas pós-parto

Se ela não tem SAF e teve um episódio só, é preciso avaliar o risco de recorrência — e é aqui que a escada se ramifica. O que caracteriza ALTO risco de recorrência é um evento prévio que foi associado à gestação ou ao uso de estrogênio (contraceptivo). Por quê? Porque o gatilho daquele trombo — o estado gestacional/hormonal — vai se repetir nesta gestação. Essa paciente merece profilaxia mais longa: HBPM profilática durante o pré-natal + 6 semanas depois do parto. Atenção à sutileza: mesmo sendo "alto risco", ela não vai para dose plena — faz dose profilática, mas com duração estendida. O que muda entre alto e baixo risco aqui é a duração, não a dose.

Um evento só: baixo risco (fator transitório) → só no puerpério

O BAIXO risco de recorrência é o evento provocado por um fator transitório que já não existe. Dois exemplos ajudam a fixar: a paciente que sofreu um politrauma em algum momento da vida e trombosou na sequência — um evento aleatório, ligado àquele trauma, que não tende a se repetir; e a paciente que fez uma cirurgia com imobilização prolongada e trombosou logo depois — o fator de risco era daquele momento e agora acabou. Como o gatilho não vai voltar, ela recebe apenas dose profilática no puerpério — cobre-se a janela de maior risco (o pós-parto) sem estender pela gestação inteira.

A Escada da Profilaxia de TEV Escada de decisão da profilaxia de TEV com três ramos: plena (SAF / >= 2 eventos), profilática estendida (1 evento + fator gestacional/estrogênio) e profilática só no puerpério (1 evento + fator transitório). A ESCADA DA PROFILAXIA Estratificação e conduta no tromboembolismo venoso na gestação Clique nos degraus para explorar Quantos eventos? Tem SAF? BAIXO RISCO 1 Evento + Fator Transitório (Profilaxia só no Puerpério) ALTO RISCO 1 Evento + Gestac./Estrog. (Profilaxia Pré + Pós-natal) PLENA / SAF >= 2 Eventos ou SAF (Dose Plena / Terapêutica) DIRETRIZ DE CONDUTA SAF ou >= 2 Eventos DOSE PLENA / AJUSTADA • Esquema: HBPM terapêutica (ex: Enoxa- parina 1mg/kg 12/12h) ou HNF ajustada. • Início: 1º trimestre (logo após viabilidade). • Duração: Toda a gestação + 6 semanas no pós-parto (puerpério). • Ajuste: Baseado no peso materno e/ou monitoramento do nível de Anti-Xa. 1 Evento + Gestac./Estrog. PROFILÁTICA ESTENDIDA • Esquema: HBPM ou HNF em dose profilática padrão. • Início: Assim que confirmada a gestação (início do pré-natal). • Duração: Toda a gestação + 6 semanas no pós-parto (puerpério). • Atenção: Pré-natal completo é mandatório. 1 Evento + Fator Transitório PROFILAXIA SÓ PUERPÉRIO • Esquema: HBPM ou HNF em dose profilática padrão. • Início: Pós-parto imediato (puerpério). • Duração: Apenas por 6 semanas. • Gestação: Apenas vigilância clínica pré- natal (sem medicação rotineira). ACHADO DE PROVA / DIFERENÇA CHAVE Entre alto e baixo risco muda a DURAÇÃO, não a dose (ambas usam dose profilática standard). Dose PLENA é exclusiva para SAF ou >= 2 eventos.
A escada da profilaxiaNó raiz: quantos eventos? tem SAF? Três ramos: PLENA (≥2 eventos / SAF) · ALTO risco (1 evento + gestação/estrogênio → pré-natal + 6 sem) · BAIXO risco (1 evento + fator transitório → só no puerpério). Entre alto e baixo, muda a duração, não a dose.Interativo · toque cada ramo para ver o regime
A escada, degrau a degrau
3
Dose PLENA — ≥2 eventos ou SAF

Anticoagulação plena (1 mg/kg 12/12h). O corte mais alto: dois ou mais eventos prévios, ou diagnóstico de SAF, mesmo sem evento agudo nesta gestação.

2
Profilática estendida — 1 evento, alto risco

Evento associado à gestação/estrogênio (gatilho que volta): HBPM profilática no pré-natal + 6 semanas pós-parto. Dose profilática, duração longa.

1
Profilática só no puerpério — 1 evento, baixo risco

Evento por fator transitório que acabou (politrauma, cirurgia com imobilização): cobre-se só a janela de maior risco, o puerpério.

Regra preservada

≥2 eventos OU SAF → plena (1 mg/kg 12/12h). · 1 evento + alto risco (gestação/estrogênio) → profilática, pré-natal + 6 sem pós-parto. · 1 evento + baixo risco (transitório: politrauma, cirurgia com imobilização) → profilática, só no puerpério.

Autoaplicação subcutânea de enoxaparina no abdome inferior — o gesto da profilaxia domiciliar prolongada.
Autoaplicação domiciliar — a rotina da profilaxia prolongada

O ensino da peça é o gesto: a seringa pré-preenchida de enoxaparina aplicada no plano subcutâneo do abdome inferior, longe do umbigo — a técnica que a paciente repete em casa durante as semanas de tromboprofilaxia estendida.

© Frank C. Müller, Wikimedia Commons — Thrombosespritze 07 (seringa de tromboprofilaxia, 20 mg de Clexane/enoxaparina). Licença CC BY-SA 4.0 · fonte

Licença share-alike (SA): reuso mantém a atribuição e a mesma licença.

Quiz — fixação

Gestante com um único episódio prévio de TVP, ocorrido durante o uso de anticoncepcional. Sem SAF. Qual a profilaxia?

  • C — alto risco de recorrência. Evento associado ao estrogênio = gatilho hormonal que se repete na gestação → profilática estendida: pré-natal + 6 semanas.
  • A. Subtrata: "evento único" não zera o risco quando o gatilho é recorrente.
  • B. Confunde alto risco com dose plena — alto risco muda a duração, não a dose; plena é para ≥2 eventos ou SAF.
  • D. É o regime do baixo risco (transitório); trocaria 40+ semanas de proteção por só o puerpério — insuficiente para um gatilho que volta.

Qual paciente recebe anticoagulação PLENA na profilaxia?

  • B — o corte da dose plena. SAF (ou ≥2 eventos) dispara dose plena, mesmo sem evento agudo nesta gestação.
  • A. Exemplo-âncora de baixo risco (fator transitório que não volta): profilática só no puerpério.
  • C. Igualmente baixo risco (transitório): nunca dose plena.
  • D. Inventa uma regra sobre primigesta inexistente — a decisão é por eventos/SAF/recorrência, não por paridade.
A seguir

Definido o degrau e a duração, falta o número que a banca mais persegue: a dose profilática exata, ajustada pelo peso.