Página 9 · Vigilância aguda e cardiotocografia

Do traçado ao laudo: DIP ≠ Categoria, e as três categorias

DIP ≠ CategoriaCat I: tudo normalO que a Cat I admiteCat III: a asfixiaOs limiares da Cat IIIA variabilidade decideCat II: o meio-termoOs dois traçados-âncora
Traçado "lindo"

Várias acelerações em sequência, variabilidade presente, nada afundando. → Categoria I.

vs
Traçado de asfixia

Perda de variabilidade e desacelerações tardias em série. → Categoria III.

Entre eles mora tudo o mais. Mas antes de classificar, desfaça a confusão que a banca planta: Categoria não é a mesma coisa que DIP.

A confusão-mãe: DIP ≠ Categoria

A confusão-mãe da aula, e uma das pegadinhas mais cobradas: DIP (I/II/III) é uma característica do traçado; Categoria (I/II/III) é a classificação — o laudo. São coisas diferentes e não devem ser confundidas. Um traçado pode ter DIP I e ser Categoria I; pode ter DIP III e ser Categoria II. O número do DIP não determina o número da Categoria. DIP descreve um evento; Categoria julga o traçado inteiro.

Dois eixos que a banca cruza: característica × laudo
DIP — característica do traçadoCategoria — laudo / classificação
DIP I / II / III (um evento no traçado)Categoria I / II / III (julga o traçado inteiro)
Não se traduzem 1-para-1: um traçado pode ter DIP III e ser Categoria II.
Critérios por categoria
CategoriaCritério
Cat I110–160 · variabilidade normal · sem DIP II/III · admite DIP I · aceleração opcional
Cat IIIvariabilidade ≤5 + [DIP II ≥50% OU DIP III repetição OU bradi <110] OU sinusoidal isolado
Cat IItudo que não é I nem III (a maior)
Escada das categorias I, II e III — critérios Escada de três degraus ascendentes com os critérios de cada categoria de cardiotocografia: Categoria I (tudo normal), Categoria II (tudo que não é I nem III, o meio-termo) e Categoria III (asfixia: perda de variabilidade obrigatória associada a um de três qualificadores, ou padrão sinusoidal isolado). A gravidade escala da base ao topo. A escada das categorias — critérios Sobe a escada: a gravidade escala de I a III. Cursor ou Tab em cada degrau. DIP ≠ Categoria DIP descreve o evento do traçado; Categoria julga o traçado inteiro. Não se traduzem 1‑para‑1. gravidade Categoria Itudo normal — tranquilizalinha de base 110-160variabilidade normalsem DIP II / sem DIP IIIadmite DIP Iaceleração opcionalCategoria IIo grande meio-termotudo que NÃO é I nem IIIa MAIOR categorianem normal p/ I,nem grave p/ IIIex.: variab. normal + DIP III → IICategoria IIIasfixia — e a lógica importavariabilidade ≤5obrigatóriaE (um de três)DIP II ≥50%DIP III de repetiçãobradicardia <110— OU —padrão sinusoidal (isolado)carimbo independente a conduta continua na P10 → Perda de variabilidade isolada não fecha Cat III — é necessária, não suficiente.
Herói — a escada Categoria I → II → III (critérios)

Interativo: acione cada degrau para ver o critério da categoria.

A gramática visual da plataforma: cada degrau é uma categoria com seus critérios — Cat I (110–160, variabilidade normal, sem DIP II/III, admite DIP I, aceleração opcional) · Cat II (o grande meio-termo) · Cat III (variabilidade ≤5 obrigatória + um de três, ou sinusoidal isolado). A conduta continua na próxima página.

Categoria I: tudo normal

A Categoria I é tudo normal: linha de base 110–160 bpm, variabilidade normal, sem DIP II e sem DIP III. É o traçado que tranquiliza por completo. (A conduta da Categoria I — o que fazer diante dela — fica para a próxima página; aqui só o critério.)

O que a Cat I admite e não admite

Duas finuras da Categoria I que caem: ela admite DIP I (que nunca tem significado patológico), mas não admite DIP III — nem na dúvida. Não se quer na Categoria I nada que possa significar algo pior; o DIP III, por poder ser patológico, exclui a Cat I mesmo quando parece benigno. E a aceleração pode estar presente ou ausente sem tirar a Categoria I, desde que linha de base e variabilidade estejam normais e não haja DIP II nem DIP III. Ou seja: aceleração não é obrigatória para ser Cat I; o que não pode é DIP II, DIP III ou variabilidade alterada.

Categoria III: a asfixia

A Categoria III é asfixia / sofrimento fetal agudo. E começa obrigatoriamente por perda de variabilidade — e mais. Guarde esse "e mais": perda de variabilidade isolada não basta para carimbar Cat III. É condição necessária, não suficiente.

Os limiares da Cat III

Os limiares, verbatim de prova: perda de variabilidade ≤ 5 bpm (obrigatória) associada a DIP II de repetição em pelo menos 50% do traçado, OU DIP III de repetição, OU bradicardia sustentada abaixo de 110 bpm. A estrutura é: variabilidade ≤5 E (um de três). Só a perda de variabilidade, sozinha, não fecha Cat III.

Enriquecimento · FEBRASGO/NICHD

Há um quarto carimbo independente de Categoria III que a enumeração não lista: o padrão sinusoidal (o da anemia fetal grave da página da variabilidade). Na FEBRASGO/NICHD, o sinusoidal sozinho já classifica Cat III, independentemente da variabilidade. A Cat III fecha por [variabilidade ≤5 + um de três] OU por padrão sinusoidal. Nota de precisão: "de repetição/recorrente" = ocorrer em ≥50% das contrações numa janela de 20 min.

Critérios de Categoria III - Cardiotocografia Criterios da Categoria III sobre o traçado: perda de variabilidade obrigatoria associada a DIP II em ao menos 50%, DIP III de repeticao ou bradicardia abaixo de 110, mais o padrao sinusoidal como carimbo independente. CRITÉRIOS DE CATEGORIA III (CTG) Esquema lógico de decisão clínica sobreposto ao traçado cardiotocográfico BRADICARDIA DESACEL. TARDIA (DIP II) DESACEL. VARIÁVEL (DIP III) PADRÃO SINUSOIDAL 240 210 180 150 120 90 60 30 FCF (bpm) LIMIAR DE BRADICARDIA (110 bpm) 0 min 1 min 2 min 3 min 4 min 5 min 6 min 100 75 50 25 0 UC (mmHg) Bradicardia Fetal + Variabilidade Ausente A bradicardia isolada (< 110 bpm) com variabilidade normal seria Categoria de risco menor. Contudo, a ausência de variabilidade (≤ 5 bpm) associada à bradicardia indica comprometimento neurológico e hipóxia severa, classificando o traçado como Categoria III. ESQUEMA DE DECISÃO VARIABILIDADE AUSENTE (Amplitude de flutuação ≤ 5 bpm) OBRIGATÓRIO + 1 DOS 3 QUALIFICADORES: DIP II (Tardias) ≥ 50% DIP III (Variáveis) Recorrentes Bradicardia (< 110 bpm) = CATEGORIA III Alto Risco de Acidemia Fetal PADRÃO SINUSOIDAL (Oscilação suave regular 3-5 cpm) CARIMBO ISOLADO
Critérios da Categoria III acesos sobre o traçado

Interativo: acenda cada critério e veja por que a perda de variabilidade é necessária, não suficiente.

A estrutura lógica "variabilidade ≤5 E (um de três)": a perda de variabilidade (obrigatória) destacada + os três ramos qualificadores (DIP II ≥50% · DIP III de repetição · bradicardia <110), mais o ramo sinusoidal como carimbo independente. Cada hotspot mostra por que um critério sozinho não basta (exceto o sinusoidal).

A variabilidade decide o DIP III duvidoso

A própria variabilidade ajuda a decidir se um DIP III é patológico: perda de variabilidade somada a DIP III de repetição carimba a gravidade. Um DIP III com variabilidade preservada tende ao benigno; o mesmo DIP III com perda de variabilidade migra para a Cat III. A variabilidade é o árbitro do DIP III duvidoso.

Categoria II: tudo que não é I nem III

A Categoria II é tudo que não é I nem III — o "em cima do muro". É a maior categoria, o grande meio-termo. Exemplo típico: paciente com variabilidade preservada (o que exclui a III) mas com DIP III (o que exclui a I) fica na II. Não é normal o bastante para ser I, nem grave o bastante para ser III. (A conduta da Cat II — complementar ou repetir — é da próxima página.)

Os dois traçados-âncora

Fixe pelos extremos. A Categoria I clássica ("linda"): várias acelerações seguidas, variabilidade presente, nenhuma desaceleração — nada afundando. A Categoria III mostrada: perda de variabilidade com todas as desacelerações vindo tardiamente (DIP II de repetição, todas depois da contração, sem nenhuma que venha junto ou antes que a confundisse com DIP III) — traçado de asfixia. Ver os dois lado a lado grava a classificação.

Tracado Categoria I: aceleracoes e variabilidade presente, sem desaceleracoes.
Categoria I "linda" — acelerações + variabilidade, nada afundando
Tracado Categoria III: perda de variabilidade com DIP II de repeticao, padrao de asfixia.
Categoria III / asfixia — variabilidade perdida + DIP II de repetição (painel C)
Par-âncora — Cat I × Cat III (o contraste de maior rendimento)

Ver os dois lado a lado grava a classificação por oposição: um polo tranquiliza por completo; o outro, no painel C, tem a linha basal quase plana e desacelerações tardias recorrentes.

Cat I: OpenStax/Rice via Medicine LibreTexts, Fig. 16.26 — CC BY 4.0. Cat III: Schifrin BS et al., Front Pediatr 2022, Fig. 7 (painel C) — CC BY 4.0.

página de origem (Cat III) · página de origem (Cat I)

Quiz — fixação

Traçado com variabilidade preservada (moderada) e presença de DIP III de repetição, sem bradicardia. Categoria?

  • B) Correta. A variabilidade normal tira a III (que exige ≤5); o DIP III tira a I (que não admite DIP III nem na dúvida). Resta a II, a maior categoria.
  • A) Fixa só na variabilidade e ignora o critério de exclusão do DIP III. A Cat I não admite DIP III, nem na dúvida; variabilidade normal sozinha não garante Cat I.
  • C) A confusão-mãe: traduz DIP III direto para Categoria III. Cat III exige perda de variabilidade ≤5 (obrigatória); com variabilidade preservada, não fecha III.
  • D) Confunde meio-termo com indefinição. É perfeitamente classificável pela regra de exclusão.

Sobre os critérios da Categoria III, assinale a correta:

  • B) Correta. Variabilidade ≤5 e um de três — ou, à parte, o sinusoidal isolado (ENR-3). A perda de variabilidade é necessária, não suficiente (fora o ramo sinusoidal).
  • A) Superestima o parâmetro mais dramático. Perda de variabilidade isolada não basta; é o "e mais" da página.
  • C) De novo a tradução DIP→Categoria. DIP III pode ser benigno e cair na Cat II; não classifica III sozinho.
  • D) Pega um fragmento verdadeiro e o apresenta como o todo. Linha de base fora da faixa (bradi <110) é um dos qualificadores associados à variabilidade ≤5, não a definição isolada.
O fio para a próxima página

Emitido o laudo de asfixia, resta a pergunta que salva o feto: diante de uma Categoria III na sua frente, o que se faz antes de correr para a cesárea?

Sobe a escada; a medida heroica é o último degrau, e o relógio conta.