Página 2 · Vigilância aguda e cardiotocografia

Quando e com que frequência vigiar o batimento

Ausculta no baixo riscoAusculta no alto riscoPor que a CTG no alto riscoCTG não é rotina de baixo riscoCTG no pré-natalA exceção do pós-datismo
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De quanto em quanto tempo se escuta o coração do feto — e a partir de quando a cardiotocografia entra em cena?

Ausculta intermitente no baixo risco

No baixo risco, a ausculta intermitente segue dois tempos. Durante a dilatação, ausculta-se a cada 30 minutos. No período expulsivo, a cada 5 ou 15 minutos — e aqui mora uma divergência de autores: alguns diferenciam (5 minutos para alto risco, 15 minutos para baixo risco), outros já preconizam 5 em 5 minutos para todos no expulsivo. FEBRASGO/OMS tendem ao 5 minutos para todos no expulsivo.

Decisão Bauer pendente · PVE-2

O intervalo da ausculta na dilatação do baixo risco tem duas âncoras BR ativas. Renderizados lado a lado como a pegadinha de banca que são — sem escolher em silêncio:

30 minACOG / texto clássico BR — o número mais cobrado em prova de título
15 minMS — Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal (2017, base NICE/SUS)

Ausculta intermitente no alto risco

No alto risco, aperta-se a vigilância: durante toda a dilatação, a cada 15 minutos; no período expulsivo, a cada 5 minutos. Esses dois números são convergentes entre MS, FEBRASGO/OMS e ACOG — não disparam a divergência do baixo risco.

Periodicidade da ausculta intermitente (colunas: dilatação | expulsivo)
RiscoDilataçãoExpulsivo
Baixo risco30 min (× 15 min do MS — PVE-2)5 ou 15 min
Alto risco15 min5 min

Rodapé — quando indicar CTG: alto risco pré-natal ≥30–32 sem, semanal; baixo risco só se >40 sem (pós-datismo).

Estetoscópio de Pinard aplicado sobre o abdome materno para ausculta da frequência cardíaca fetal.
Ausculta fetal intermitente — estetoscópio de Pinard

O cenário clássico da ausculta intermitente: o estetoscópio de Pinard aplicado diretamente sobre o abdome gravídico, no foco de melhor ausculta fetal (localizado por palpação do dorso).

O achado está no contato instrumento–abdome: diferente da cardiotocografia, que registra continuamente batimento e contrações em traçado, o Pinard depende de escuta pontual e contagem em janelas definidas. Também não se confunde com o sonar Doppler portátil — este amplifica o som eletronicamente, o Pinard é acústico e exige aproximação direta.

Fonte: US Army Africa, via Wikimedia Commons — CC BY 2.0 · página de origem

Por que a cardiotoco no alto risco

No alto risco, a monitorização acaba sendo feita pela cardiotocografia, e por um bom motivo: ela registra de forma objetiva num gráfico e por tempo maior três coisas ao mesmo tempo — a frequência cardíaca fetal, a metrossístole (contração) e a movimentação fetal. É a vantagem sobre a ausculta pontual: em vez de fotografias soltas do batimento, um filme contínuo que correlaciona batimento com contração.

A cardiotoco não é rotina de baixo risco

Guarde a regra que a banca adora inverter: a cardiotocografia não é rotina no baixo risco — é exame de alto risco. Pedir CTG de rotina para toda gestante de baixo risco é conduta errada. Há uma única exceção relevante, o pós-datismo, logo abaixo.

Cardiotoco no pré-natal de alto risco

No pré-natal de alto risco, a cardiotocografia começa a partir de 30 a 32 semanas, em geral semanalmente; em alguns casos duas vezes por semana; e nos casos graves internados, até diariamente. É a mesma diabética prévia da página anterior — o alto risco que teme a morte súbita intraútero — que justifica essa vigilância seriada: link direto entre a indicação de observar movimento e a de repetir a CTG.

A exceção do pós-datismo

A exceção que libera a CTG no baixo risco é a gestante que passa de 40 semanas. Com 40 semanas faz-se uma cardiotocografia; com 41 semanas, uma nova, para decidir entre esperar ou internar. Com 41 semanas, é preferível internar e induzir, se possível — mas isso não é indicação absoluta de parto. O que é obrigatório é ter cardiotocografia na gestante com mais de 40 semanas, no mínimo semanal, até o parto. (A tendência internacional recente firma indução em 41+0; o ponto ancora que >40 sem obriga vigilância, não parto imediato.)

VIGILÂNCIA DE VITALIDADE FETAL Idade Gestacional (IG) vs. Cronograma de Cardiotocografia (CTG) e Conduta FCF (bpm) TOCO (mmHg) ALTO RISCO INICIAL VIGILÂNCIA DE MANUTENÇÃO / TERMO PÓS-DATISMO / PÓS-TERMO 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 32 SEMANAS INÍCIO DO ALTO RISCO
Frequência recomendada de CTG
Semanal, 2x/sem ou diária (se grave/internada)
Diretriz Fetal
Início recomendado para o rastreio cardiotocográfico em gestações de alto risco. Essencial para monitorar a vitalidade em cenários como Pré-eclâmpsia leve, Diabetes Mellitus vasculopata ou Restrição de Crescimento Fetal (RCF).
Use o mouse, toque ou as setas do teclado (Esquerda/Direita) para arrastar o controle e explorar.
Régua de idade gestacional da vigilância

Interativo: deslize a idade gestacional na régua para ver a conduta correspondente.

A linha do tempo organiza os cortes por cenário: a CTG seriada do alto risco começa em 30–32 semanas e a exceção do pós-datismo libera a CTG no baixo risco após 40 semanas. Deslize a idade gestacional e veja a conduta acender — em 41 semanas, preferível internar/induzir, mas não é parto obrigatório.

Quiz — fixação

Gestante de alto risco, em trabalho de parto na fase de dilatação. Qual o intervalo correto da ausculta intermitente, e a partir de quando a CTG de pré-natal costuma iniciar nesse perfil?

  • B) Correta. Alto risco: dilatação a cada 15 min e expulsivo a cada 5 min; a CTG seriada de pré-natal inicia em 30–32 sem (semanal, até diária nos graves internados).
  • A) Troca o cenário de risco. 30 min é o intervalo do baixo risco na dilatação (e ainda sob divergência com o MS); 36 sem não é o marco de início.
  • C) Mistura fase do parto com idade gestacional. 5 min é o intervalo do expulsivo, não da dilatação; e ">40 sem" é a exceção do baixo risco (pós-datismo), não a regra do alto risco.
  • D) Inverte fase e nega a indicação central. A ausculta de 15 min do alto risco é na dilatação (o expulsivo é 5 min), e a CTG é justamente o exame do alto risco no pré-natal.

Sobre a cardiotocografia na gestação, assinale a correta:

  • B) Correta. A CTG é exame de alto risco; no baixo risco só entra por exceção — a mais cobrada é o pós-datismo, que obriga vigilância (não parto) a partir de 40 sem, semanal.
  • A) Inverte a regra-mãe da página. CTG parece "quanto mais, melhor", mas rotina no baixo risco é sobrediagnóstico.
  • C) Confunde preferência de conduta com imposição. 41 sem torna preferível internar/induzir, mas não é indicação absoluta de parto; o obrigatório é a vigilância.
  • D) Subestima a periodicidade obrigatória. Aos 40 sem faz-se uma CTG e aos 41 uma nova, mantendo no mínimo semanal até o parto — não uma só e pronto.
O fio para a próxima página

Ligado o monitor, falta o essencial que separa quem faz o exame certo de quem invalida o traçado: como se posiciona a paciente — e o que, afinal, essa curva está lendo.

Sobe a escada; a medida heroica é o último degrau, e o relógio conta.