Página 6 · Sofrimento fetal crônico

Classificação: simétrico, assimétrico e o tipo 3

O mito de que morreuSimétrico (tipo 1)Assimétrico (tipo 2)Precoce < 32 × tardio > 32Tipo 3 mistoCada tipo, sua conduta
“Os livros largaram a classificação simétrico × assimétrico — não preciso saber.”Ela ainda aparece em prova — por isso continua valendo. Ignorá-la porque “saiu do livro” é o caminho para errar a questão que lista “tipo 1, 2 e 3”.

O mito de que a classificação morreu

O mito de que a classificação morreu. Muitos livros já não trazem mais a divisão simétrico × assimétrico, e é comum ouvir que ela caiu em desuso. Só que ela ainda aparece em prova — por isso continua valendo saber. Ignorá-la porque “saiu do livro” é o caminho para errar a questão que lista “tipo 1, 2 e 3”.

Simétrico (tipo 1) — cedo, e não é a placenta

Simétrico (tipo 1) — cedo, e não é a placenta. A restrição simétrica (tipo 1) é o feto todo proporcionalmente pequeno; a alteração ocorreu no início da gravidez (primeira metade — primeiro/segundo trimestre). E aqui está a pegadinha: a simétrica não é insuficiência placentária — o feto é pequeno demais, cedo demais, para culpar a placenta. As causas são fetais: malformação, infecção (toxoplasmose, sífilis, rubéola, citomegalovírus, parvovírus), cromossomopatia ou uso de medicação materna. Por isso, diante do simétrico, a investigação se dirige a infecção, malformação e medicação — rastreamento do que se manifesta cedo.

Linha do Tempo da Restrição de Crescimento Fetal (RCIU) Linha do tempo da gravidez com os tipos de restrição: simétrico (tipo 1) na primeira metade por causas fetais, assimétrico (tipo 2) na segunda metade por insuficiência placentária com corte de 32 semanas, e o tipo 3 misto. Restrição de Crescimento Fetal (RCIU) e Linha do Tempo Linha temporal etiológica. Clique nas semanas ou blocos para guiar investigação, causas e conduta clínica. 1ª METADE: ETIOLOGIAS FETAIS 2ª METADE: ETIOLOGIAS PLACENTÁRIAS (~80%) TIPO 1: SIMÉTRICO (FETAL) Tipo 3: Misto (Intermediário) TIPO 2: ASSIMÉTRICO PRECOCE < 32 SEMANAS TIPO 2: TARDIO ≥ 32 SEMANAS 0s 4s 8s 12s 16s 20s (Metade) 24s 28s 32s (Corte) 36s 40s TIPO 1 SIMÉTRICO PROPORÇÃO CORPORAL - - Normal Ref. - - Simétrico (1:1)

Tipo 1: Restrição Simétrica (Fetal)

Acomete proporcionalmente o feto inteiro desde o início da gestação.

Cronologia / Época:
1ª metade da gravidez (< 20 semanas)
Proporção / Incidência:
~10% a 15% dos casos
Etiologia Principal:
Malformações fetais primárias, infecções congênitas (TORCH) ou trissomias.
Perfil de Fluxo Doppler:
Normal no início. Não reflete insuficiência placentária crônica primária.
Investigação / Conduta:
Sorologias infecciosas, aconselhamento genético, cariotipagem e USG morfológica.
Fisiopatologia: Decorre de um insulto precoce na fase de hiperplasia celular (divisão celular mitótica rápida). Reduz uniformemente todos os órgãos do feto.
Semana 20 Clique para ver conduta
Linha do tempo dos tipos de restrição

Interativo: clique numa semana para ver o tipo esperado.

O tempo em que a restrição aparece conta a causa: tipo 1 (simétrico) na 1ª metade (fetal); tipo 2 (assimétrico) na 2ª metade (placentário, 80%; precoce < 32 / tardio > 32); tipo 3 misto no início. O corte 32 aqui é de classificação.

Assimétrico (tipo 2) — tardio, placentário, o clássico

Assimétrico (tipo 2) — tardio, placentário, o clássico. A restrição assimétrica (tipo 2) é a alteração mais tardia (segunda metade, final do segundo e terceiro trimestre), ligada à insuficiência placentária; é a clássica e responde por 80% dos casos. É a cabeça poupada com o abdome pequeno da página anterior. Diante do assimétrico (placentário), a conduta é o Doppler.

Precoce abaixo de 32 × tardio acima de 32

Precoce < 32 × tardio > 32. O assimétrico se subdivide por 32 semanas: precoce (< 32 semanas), mais grave, de pior prognóstico; e tardio (> 32 semanas), de prognóstico melhor.

O tipo 3 misto

O tipo 3 misto. Existe ainda um tipo 3 (misto / assimétrico precoce), o mais raro — basta saber que existe, para não cair numa questão que lista “tipo 1, 2 e 3”. Ele tem assimetria, mas se manifesta no início, e algumas cromossomopatias podem fazê-lo. Há quem considere a classificação datada — mas o critério, embora antigo, ainda é cobrado, e por isso não se corta.

Comparação entre restrição simétrica, proporcionalmente pequena, e assimétrica, com a cabeça poupada e o abdome pequeno.
RCIU simétrica × assimétrica

No painel simétrico/proporcional, o feto inteiro é pequeno (agressão precoce: aneuploidia, infecção). No assimétrico/cabeça poupada, a cabeça preserva-se e o abdome encolhe — insuficiência placentária, hipóxia crônica.

Fleiss B et al. Frontiers in Endocrinology 2019 · DOI 10.3389/fendo.2019.00188 · fonte / licença: CC BY

Cada tipo, sua conduta

Cada tipo, sua conduta. Fixe a lógica: simétrico → rastreia infecção e avalia malformação; assimétrico → Doppler. O tempo em que a restrição apareceu conta a causa, e a causa conta a conduta.

Os três tipos de restrição de crescimento
TipoQuandoCausaConduta
1 · simétrico1ª metadefetal (infecção / malformação / cromossomo / medicação)rastreia infecção e malformação
2 · assimétrico2ª metade (precoce < 32 / tardio > 32)placentária (80%)Doppler
3 · mistoiníciocromossomo (raro)saber que existe

Quiz — fixação

Feto proporcionalmente pequeno, com alteração já detectada no primeiro trimestre. Qual a classificação e a investigação dirigida?

  • Gabarito A. Pequeno proporcional + início precoce = simétrico/tipo 1, de causa fetal.
  • B o assimétrico é tardio e placentário — o erro é mandar ao Doppler quando a causa é fetal (infecção/cromossomo).
  • C há alteração precoce e proporcional; não é a variação sadia do PIG.
  • D o tipo 3 é raro e não é “expectante sempre” — a descrição bate com o tipo 1 clássico.

Sobre o assimétrico (tipo 2), assinale a correta.

  • Gabarito B. É o clássico (~80%), placentário, com corte de 32 semanas.
  • A inverte a frequência (é 80%, não 20%) e a causa (placentária, não fetal).
  • C o assimétrico é da segunda metade — a 1ª metade é o simétrico.
  • D justamente o assimétrico placentário é o que anda com pré-eclâmpsia (raiz compartilhada).
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