Página 17 · Sofrimento fetal crônico

O desfecho intraparto e a ponte para a cardiotocografia

Doppler alterado ≠ cesáreaDMG não faz restriçãoExames de vigilânciaReavaliação da TerezinhaAguenta o parto?A CTG e a ponte
Caso · reavaliação
A Terezinha volta em trabalho de parto: PA 140/90, FC 86, BCF 140, abdômen normotônico (afasta descolamento), fundo 29 cm, 4 contrações de 40 s em 10 min, 8 cm / 70%, occípito-púbica. Centralizada — mas aguenta o parto?

Doppler alterado não é cesárea automática

Doppler alterado não é cesárea automática. Uma pegadinha de fecho que a banca adora: Doppler alterado / restrição não significa cesárea automática — depende do tipo de alteração. Uma feta centralizada, a termo e em trabalho de parto, pode nascer por via vaginal se aguentar. “Alterou o Doppler, então é cesárea” é conclusão apressada.

DMG não faz restrição — e os fatores que fazem

DMG não faz restrição — e os fatores que fazem. Outra armadilha etiológica: o diabetes gestacional NÃO causa restrição de crescimento — o diabetes prévio, sim. Entre os fatores de insuficiência placentária estão colagenose, diabetes prévio e desnutrição. Não confunda o diabetes que engorda o feto (gestacional, macrossomia) com o que o restringe (prévio, vascular).

Os exames de vigilância do alto risco

Os exames de vigilância do alto risco. No alto risco, o bem-estar fetal é vigiado por um conjunto: ultrassonografia seriada, Doppler (fluxometria/velocimetria), cardiotocografia e perfil biofísico fetal. O Doppler foi o instrumento deste arco; os dois últimos entram agora em cena.

Esquema de passagem do Doppler para a cardiotocografia e o perfil biofísico: o Doppler diz quão perto do limite o feto está, e os próximos exames dizem se ele suporta o trabalho de parto. DOPPLER ➔ CARDIOTOCOGRAFIA / PBF AULA 1 — SOFRIMENTO FETAL CRÔNICO • PÁGINA 17 SELECIONE OS EXAMES ABAIXO DOPPLER FETAL VIGILÂNCIA CRÔNICA S D Artéria Umbilical Diástole Reduzida Adaptação placentária crônica Redistribuição hemodinâmica Informa a proximidade do limite A TRANSIÇÃO HANDOFF DE EXAMES SOBREPOSIÇÃO DE PAPÉIS PERGUNTA CRÍTICA AGUENTA O PARTO? RESERVA DE OXIGENAÇÃO CTG / PBF RESPOSTA AGUDA ATRASO (DIP II) Tônus Fetal PRESERVADO Mov. Respiratório AUSENTE (0/2) Reatividade FCF (CTG) ALTERADA (DIP II)

Handoff da Vigilância Fetal

O Doppler avalia a insuficiência placentária crônica e a adaptação do feto (centralização). A CTG e o PBF testam o estresse agudo. Selecione ou passe o mouse em cada exame acima para detalhar o papel complementar na decisão de parto.

Tooltip
Handoff — do Doppler à cardiotocografia e ao perfil biofísico

Interativo: toque em cada instrumento para ver o que ele responde.

O Doppler antevê (quão perto do limite o feto está); a cardiotocografia e o perfil biofísico avaliam o feto durante as contrações (aguenta o parto?). Um BCF normal isolado não basta no alto risco.

A reavaliação da Terezinha

A reavaliação da Terezinha. Na reavaliação: PA 140/90, FC 86, FR 20, batimento cardíaco fetal 140 bpm; abdômen normotônico — o que afasta descolamento de placenta (fecha o fio aberto na admissão) —; fundo uterino de 29 cm confirmado; atividade uterina de 4 contrações de 40 segundos em 10 minutos. Ao toque: colo com 70% de apagamento, 8 cm de dilatação, apresentação cefálica, plano +1, variedade occípito-púbica (OP) — “o menino já girou”; trabalho de parto evoluindo bem.

A dúvida que resta — aguenta o parto?

A dúvida que resta — aguenta o parto? Aqui está o ponto fino de vigilância: num pré-natal de alto risco, um batimento cardíaco fetal isoladamente normal não basta para tranquilizar. A dúvida que resta é direta: mesmo centralizada, essa criança aguenta o trabalho de parto? A resposta não está no Doppler — está nos exames que avaliam o feto durante as contrações.

Cardiotocografia com desacelerações da frequência cardíaca fetal a cada contração e retorno à linha de base.
Cardiotocografia com desacelerações a cada contração

No canal superior, a frequência cardíaca fetal cai gradualmente durante cada contração e retorna à linha de base ao fim dela; no inferior, as contrações uterinas. É o padrão da reavaliação da paciente — a imagem-ponte para a leitura completa do traçado.

Open Resources for Nursing (Open RN), Nursing Health Promotion, Fig. 10.34 (NCBI Bookshelf) · fonte / licença: CC BY 4.0

A cardiotocografia com desacelerações e a ponte

A cardiotocografia com desacelerações e a ponte. A cardiotocografia veio com desacelerações da frequência cardíaca fetal a cada contração, com retorno à linha de base logo após o término. A leitura completa desse traçado — variabilidade, tipo de desaceleração, presença de aceleração —, junto do perfil biofísico fetal e do sofrimento fetal agudo, é a continuação direta desta avaliação. O Doppler disse quão perto do limite o feto está; o próximo instrumento dirá se ele suporta nascer. ⏱️

Tabelão da Vitalidade Fetal · entregue à continuação

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  • Volume de líquido (ILA)Soma dos 4 quadrantes · normal 8–18 · < 5 oligodrâmnio · 5–8 diminuído.aguardando
  • Artéria uterina (mãe)Circulação materna · incisura persistente > 24–26 sem = predição.aguardando
  • Artéria umbilical (placenta)Baixa resistência < p95 · > p95 → afunda → zero → reversa; conduta por corte de IG.aguardando
  • Artéria cerebral média (feto)Alta resistência > p5 · < p5 = centralização (coração, cérebro, suprarrenal).aguardando
  • Ducto venoso (coração fetal)Onda A positiva · negativa → parto (antes, sulfato de Mg < 32 sem).aguardando
  • CardiotocografiaAvalia o feto durante as contrações — a continuação preenche esta linha.→ aula 2
  • Perfil biofísicoCombina a cardiotocografia com parâmetros ultrassonográficos.→ aula 2

Quiz — fixação

Gestante com feto centralizado, a termo, em trabalho de parto bem evoluído (8 cm, OP). Sobre a via de parto, é correto:

  • Gabarito A. Depende do tipo de alteração e do estágio; a termo, em bom trabalho de parto, a via vaginal é possível.
  • B “sempre cesárea” é a generalização que a página desmonta — a conduta é individualizada.
  • C “vaginal proibida” também generaliza indevidamente — centralizada a termo pode nascer por via vaginal.
  • D centralização não é, por si, indicação de parto imediato como a onda A negativa ou a reversa; aqui se avalia a tolerância ao trabalho de parto.

Qual afirmação sobre etiologia da restrição está correta?

  • Gabarito A. DMG não restringe (tende à macrossomia); o prévio, vascular, sim.
  • B inverte — o gestacional não é causa de restrição.
  • C o diabetes prévio claramente se associa.
  • D a desnutrição é fator de insuficiência placentária, não proteção.

Feto de alto risco com batimento cardíaco fetal isoladamente normal. Isso é suficiente para tranquilizar?

  • Gabarito A. BCF normal isolado não tranquiliza no alto risco; entram CTG e PBF.
  • B um dado pontual não avalia a resposta às contrações.
  • C Doppler alterado só reforça a preocupação — não valida o BCF.
  • D o Doppler não substitui a CTG; são complementares (o Doppler antevê, a CTG avalia durante o parto).
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