Página 11 · Sofrimento fetal crônico

A artéria umbilical: o vaso da placenta

O que a umbilical estudaTrês formas de medirO normal: < p95A resistência caiResistência ↑ → feto pequenoPrimeiro sinal: diástole afunda

Ao final desta página você vai saber ler a artéria umbilical:

  • o que a umbilical estuda;
  • as três formas de medir a resistência (IR, IP, S/D);
  • o normal (< p95) e por que a resistência cai com a gestação;
  • por que resistência alta gera feto pequeno;
  • qual é o primeiro sinal no traçado.

O que a umbilical estuda

O que a umbilical estuda. O Doppler da artéria umbilical estuda a função e a circulação placentária — é o vaso para investigar insuficiência placentária. Se a placenta é a fonte do problema na restrição verdadeira, a umbilical é a janela para ela.

As três formas de medir resistência

As três formas de medir resistência. Há três formas de avaliar a resistência do vaso, e a prova pode usar qualquer uma: índice de resistência (IR), índice de pulsatilidade (IP) e relação sístole/diástole (S/D). São três nomes para a mesma ideia — quão difícil está para o sangue passar.

O normal: baixa resistência, abaixo do percentil 95

O normal: baixa resistência, < p95. Os vasos umbilicais (artéria e veia) fazem a troca materno-fetal; conforme o feto cresce, o vaso permite maior fluxo, melhorando as trocas. Por isso o normal da umbilical é ser um vaso de baixa resistência, abaixo do percentil 95 para a idade gestacional.

A resistência cai com a gestação

A resistência cai com a gestação. E há um detalhe que vira pegadinha: a resistência tende a cair cada vez mais ao longo da gestação — é tabela por idade gestacional, não número decorado. Semana após semana, o esperado é: queda de resistência → aumento de fluxo → trocas boas.

Curva de Doppler da artéria umbilical mostrando a diástole cheia normal e a diástole começando a afundar conforme a resistência sobe acima do percentil 95, antes de zerar. Artéria Umbilical: Resistência × Fluxo Avaliação hemodinâmica no sofrimento fetal crônico — Aula 1 Idade Gestacional (IG) 28 sem 32 sem 36 sem Monitor de Hemodinâmica Pico Sistólico (PSV): 60 cm/s Fim Diastólico (EDV): 40 cm/s Índice de Resistência (IR): 0.33 NORMAL (< p95) Avaliação Clínica 60 30 0 Velocidade (cm/s) Tempo (segundos) 0.5s 1.0s 1.5s SÍSTOLE DIÁSTOLE Limite p95: IR = 0.70 Controle de Resistência Placentária Normal (p50) Afundado BAIXA RESISTÊNCIA RESISTÊNCIA ELEVADA Título Descrição Linha 1 Descrição Linha 2
Resistência × fluxo — a diástole afundando

Interativo: suba a resistência e veja a diástole afundar.

O normal da umbilical é baixa resistência (< p95), que cai com a gestação. Quando a resistência sobe, o fluxo cai e o primeiro sinal é a diástole apenas afundando — antes de zerar.

Resistência alta → fluxo baixo → feto pequeno

Resistência alta → fluxo baixo → feto pequeno. Quando o esperado se inverte, o dano começa. Se a resistência aumenta (passa do percentil 95), o fluxo diminui; com menos sangue passando, o feto fica pequeno. É exatamente aqui que o Doppler encaixa no conceito de restrição: a umbilical alterada é a tradução hemodinâmica do feto que não cresce.

Doppler normal da artéria umbilical com sístole e diástole cheia, vaso de baixa resistência.
Doppler umbilical normal: diástole preservada

Ondas em “dente de serra”, com pico sistólico bem definido e fluxo que permanece acima da linha de base durante toda a diástole (velocidade diastólica final positiva) — baixa resistência placentária. Diferente da diástole zero e da reversa.

Rocha AS et al. Rev Bras Ginecol Obstet (PMC/Thieme) · fonte / licença: CC BY 4.0

O primeiro sinal: a diástole afunda

O primeiro sinal: a diástole afunda. E o primeiro sinal no traçado, quando a resistência sobe, é discreto: a diástole começa a afundar. Ainda não zerou, ainda não reverteu — só afundou. Guardar esse “primeiro sinal” é o que permite agir cedo.

Quiz — fixação

O que caracteriza o Doppler normal da artéria umbilical?

  • Gabarito A. Baixa resistência, < p95, caindo com a gestação = trocas cada vez melhores.
  • B alta resistência / > p95 é o anormal (fluxo caindo).
  • C a diástole normalmente está presente e cheia; sua ausência (zero) é grave.
  • D o esperado é a resistência cair, não subir, ao longo da gestação.

A resistência da umbilical ultrapassa o percentil 95. Qual a consequência e o primeiro sinal no traçado?

  • Gabarito A. Resistência ↑ → fluxo ↓ → feto pequeno; e o primeiro sinal é a diástole afundando.
  • B resistência alta reduz o fluxo — não o aumenta.
  • C quem afunda/desaparece primeiro é a diástole, não a sístole.
  • D há repercussão direta — é o elo hemodinâmico da restrição.
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