Página 12 · Sofrimento fetal crônico

Diástole zero e reversa: traçados e condutas por corte de IG

As duas ondasDiástole zeroZero ≠ parto imediatoConduta por corte de IGDiástole reversa — piorReversa → parto (corticoide não cabe)

As duas ondas e a diástole que afunda

As duas ondas e a diástole que afunda. No traçado normal da umbilical veem-se duas ondas: a sístole (pico) e a diástole (vale). À medida que a resistência sobe, a diástole afunda cada vez mais. É a progressão que começou na página anterior, agora levada ao extremo.

Diástole zero — o que é

Diástole zero — o que é. Quando a resistência fica tão alta que a onda diastólica desaparece — não se visualiza mais a diástole —, temos a diástole zero. O sangue, na diástole, praticamente não avança.

Diástole positiva afundando: resistência placentária aumentada. DOPPLER DA ARTÉRIA UMBILICAL Aula 1: Sofrimento Fetal Crônico — Três Estados Clínicos Progressivos LINHA ZERO (FRONTEIRA) Sístole 0 Refluxo 0.0 s 0.8 s 1.6 s 2.4 s FLUXO REDUZIDO AUSÊNCIA DE FLUXO REFLUXO (REVERSA) PAINEL CLÍNICO DIÁSTOLE AFUNDANDO Resistência Placentária ↑ O fluxo de sangue na diástole cai devido à vasoconstrição local. Ainda positivo, mas acende o alerta. CONDUTA CLÍNICA Vigilância hemodinâmica e reavaliação seriada. DIÁSTOLE ZERO Fluxo Ausente na Diástole No fim da diástole, o fluxo zera. Indica sofrimento instalado e alto risco de óbito perinatal. CONDUTA CLÍNICA Internação + Profilaxia Avaliar IG para parto. DIÁSTOLE REVERSA Refluxo Sanguíneo O sangue retorna ao feto durante a diástole. Quadro gravíssimo de acidose, hipóxia grave e risco de óbito. CONDUTA CLÍNICA Parto de Emergência Salvar a vida fetal. 1. AFUNDANDO 2. DIÁSTOLE ZERO 3. REVERSA
Diástole: positiva-afundando → zero → reversa

Interativo: avance os três estados sobre o mesmo eixo.

Zero = a onda diastólica desaparece; reversa = o fluxo cruza abaixo da linha zero (reflui) — pior que zero. A linha zero é a fronteira; a conduta depende do corte de idade gestacional.

Zero não é parto imediato obrigatório

Zero não é parto imediato obrigatório. Aqui a pegadinha: diástole zero não significa necessariamente parto imediato. Se o feto é muito prematuro (menos de 32–34 semanas), avaliam-se outros vasos (o ducto venoso) antes de decidir. O reflexo “achou zero, tira o bebê” é justamente o erro.

A conduta por corte de idade gestacional

A conduta por corte de IG. Fixe o corte: diástole zero com mais de 32–34 semanas → parto (é grave demais para esperar); com menos de 32–34 semanas → estudar o ducto venoso. Na prova costuma vir “acima de 34”, que não deixa dúvida.

Doppler da artéria umbilical com diástole zero, onda ausente, e diástole reversa, abaixo da linha zero.Diástole zero (onda termina na linha de base)
Doppler da artéria umbilical com diástole zero, onda ausente, e diástole reversa, abaixo da linha zero.Diástole reversa (cruza abaixo da linha zero)
Uso educacional não comercial · CC BY-NC-SA 3.0Doppler umbilical: diástole zero e diástole reversa

À esquerda, a velocidade diastólica final chega à linha de base (zero, sem fluxo anterógrado mensurável); à direita, o componente diastólico cruza abaixo da linha zero (reversa, fluxo retrógrado) — insuficiência placentária grave.

Vijay Anand (rID 13867) e Ankur Goel (rID 174900), Radiopaedia.org · fonte / licença: CC BY-NC-SA 3.0

Diástole reversa — pior que zero

Diástole reversa — pior que zero. Há um degrau abaixo do zero: a diástole reversa — a diástole fica negativa, abaixo da linha zero. É pior ainda que a diástole zero: o sangue chega a refluir na diástole.

Reversa → parto, e por que o corticoide não cabe

Reversa → parto, e por que o corticoide não cabe. Diante da reversa 🚨, a conduta é parto (estabiliza e parto) — a maioria dos autores concorda: encontrou reversa, resolve. E há uma razão para o corticoide não caber aqui: ele exige cerca de 48 horas de sobrevida para agir, e isso é impossível de garantir na diástole reversa — por isso discutir corticoide nesse cenário é conduta de exceção da exceção. Fecha com o mantra: não se espera a diástole zerar ou reverter para agir — o objetivo é intervir quando a resistência começa a subir e a diástole a afundar, antes de tocar a linha zero. O que mata é o retardo.

Estado da diástole na umbilical?
↓
Positiva, mas afundando→ estudar a cerebral média
Zero (desaparece)decisão por idade gestacional
a diástole zero abre por idade gestacional ↓
> 32–34 sem → partograve demais para esperar
< 32–34 sem → estudar o ducto venosomuito prematuro
↓
Reversa (negativa) → parto (estabiliza e parto)corticoide não cabe: exige ~48 h

Quiz — fixação

Feto de 28 semanas com diástole zero na umbilical. Conduta?

  • Gabarito B. Zero com < 32–34 semanas → estudar o ducto venoso antes; a prematuridade extrema muda a decisão.
  • A “sempre parto” é a pegadinha — zero não é parto automático abaixo do corte.
  • C diástole zero é grave e exige vigilância intensiva/decisão, não alta com retorno tardio.
  • D o parto imediato não está indicado nessa idade só pela zero; primeiro o ducto guia — e o corticoide, aqui, tem tempo de ser considerado.

Doppler com diástole reversa. Qual a conduta e por que o corticoide costuma não caber?

  • Gabarito A. Reversa é o degrau mais grave (fora do óbito) — resolve; o corticoide precisa de ~48 h, inviáveis aqui.
  • B esperar duas semanas numa reversa é aceitar o retardo que mata.
  • C com zero/reversa não se pede a cerebral (presume-se alterada) — isso é do cenário de diástole ainda positiva.
  • D aguardar 48 h repetindo o exame é exatamente o tempo que não se tem.

Diástole zero com 36 semanas. Conduta?

  • Gabarito A. Zero com > 32–34 semanas → parto.
  • B 36 semanas não é o prematuro extremo que manda ao ducto — acima do corte, resolve.
  • C diástole zero jamais é cenário de alta.
  • D esperar reverter é o erro-mãe: não se espera piorar para agir.
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