Página 1 · E1

Pergunta central

A cefaleia que não se pode errar

“Essa dor de cabeça manda pra casa com analgésico — ou é a que não se pode errar?”

P01E1cf1grave × simples

Prevalência e prova

Cefaleia é tema de alta prevalência e incidência no consultório e no pronto-socorro: o atendimento a paciente com dor de cabeça é constante. Também é tema recorrente e importante em prova de residência. Em relação a enxaqueca, cefaleia tensional e meningite, o conteúdo de base costuma ser familiar — a maioria das questões não é difícil; de vez em quando surge a capciosa. Enxaqueca é uma das que mais caem, mas o primeiro dever clínico é reconhecer alarmes e separar cefaleia primária de secundária antes de aprofundar o diagnóstico específico.

Dilema grave × simples

O primeiro passo não precisa partir de um caso fechado: é preciso organizar o raciocínio sindrômico. O dilema central: a dor acontece porque há doença grave (ex.: tumor, hemorragia subaracnoide) — ou o problema é simples o bastante para analgésico, alta e seguimento sem exame complementar?

Por que sindrômico antes do “nome”

Na avaliação inicial da cefaleia, a pergunta-mãe é: problema grave que não se pode errar o diagnóstico × problema simples que nem exame complementar exige. A triagem (grave vs simples; primária vs secundária; presença de alarme) antecede o nome da cefaleia primária e a catalogação completa das secundárias.

Funil-semente

Funil clínico: alarme? → pensar em secundária e investigar · sem alarme + padrão de primária → conduzir pelo eixo clínico. Essa bifurcação organiza todo o raciocínio inicial.

Tabela de consenso com red flags de cefaleia secundária divididas entre história e exame físico, relacionando cefaleia em trovoada, aura atípica, trauma, progressão, febre, rigidez de nuca e déficit focal às principais causas graves que exigem investigação.
Imagem real Red flags de cefaleia secundária na história e no exame: cada alerta muda o limiar para investigar hemorragia, meningite, lesão expansiva ou outra causa grave. Eigenbrodt AK, Ashina H, Khan S, et al. “Diagnosis and management of migraine in ten steps”, Table 2. Nature Reviews Neurology 17, 501–514 (2021). https://doi.org/10.1038/s41582-021-00509-5. CC BY 4.0. Recorte da página 507; sem alteração de conteúdo.
Funil interativo de triagem sindrômica da cefaleia O funil separa cefaleias com sinais de alarme, que exigem investigação de causa secundária, daquelas sem alarme e com padrão recorrente de cefaleia primária. EMERGÊNCIA · POSTURA DE PORTA CEFALEIA NO PS: FUNIL DE TRIAGEM SIND RÔMICA Regra de Ouro: Caça-se o SINAL DE ALARME antes de nomear a dor. Alarme? → Secundária : Primária. SIMULADOR DE TRIAGEM (SELECIONE O CENÁRIO OU INTERAJA NOS RAMOS): CENÁRIO 1: SINAL DE ALARME (+) CENÁRIO 2: SEM ALARME (−) RECALIBRAR PACIENTE COM CEFALEIA ADMISSÃO NO PRONTO-SOCORRO PERGUNTA-MÃE OBRIGATÓRIA ¿ HÁ SINAL DE ALARME / RED FLAGS ? SIM (+) NÃO (−) POLO GRAVE · INVESTIGA CEFALEIA SECUNDÁRIA Suspeita de Lesão / Emergência • Postura: INVESTIGAÇÃO IMEDIATA • Exames: Neuroimagem / Lab conforme suspeita • Risco: Erro grave se der alta sem checar NÃO DAR ALTA SEM ESCLARECER POLO SIMPLES · EIXO CLÍNICO CEFALEIA PRIMÁRIA Padrão Habitual sem Red Flags • Postura: MANEJO SINTOMÁTICO • Exames: Dispensáveis na ausência de alarme • Risco: EVITAR tomografia desnecessária ALÍVIO DA DOR + ALTA SEGURA Toque nos ramos acima ou selecione os cenários no topo para simular a postura médica. PAINEL DE INTERPRETAÇÃO DA PORTA ESTADO DE TRIAGEM ATIVO: FUNIL EM AGUARDO (VISÃO GERAL) Selecione um cenário para avaliar o fluxo de conduta. REGRA DE OURO DA PORTA Primeiro: Excluir Cefaleia Secundária. Nunca rotule enxaqueca antes de atestar a ausência de sinais de alarme na anamnese. MATRIZ DE DESTITUIÇÃO DE ERRO: ERRO CATASTRÓFICO (FAIXA VERMELHA) Dar alta sintomática para Cefaleia com Alarme sem investigar. ERRO DE CONDUTA (FAIXA VERDE/TEAL) Solicitar TC de crânio em cefaleia primária típica sem alarme. SÍNTESE CLÍNICA: Funil de decisão: Triagem Sindrômica Primeiro Com Alarme: Investiga Secundária Sem Alarme: Trata Primária + Alta Triagem sindrômica da cefaleia na emergência
Ilustração Funil de triagem da cefaleia no PS: alarme? → secundária e investiga : primária e eixo clínico. Toque nos cenários ou nos ramos.

Quiz — fixação

  1. Qual é a pergunta-mãe na porta da cefaleia?

  2. Por que a abordagem sindrômica antecede o “nome” da cefaleia?