Ao final: (1) o que fazer se ainda está em crise; (2) quando entra o benzo; (3) o que examinar depois; (4) quanto observar; (5) o que não profilaxiar.
Se chega em crise — e se já parou
Conduta se chega em crise: suporte. Se a crise tônico-clônica generalizada cruza o tempo 1 — mais de 5 minutos —, atuar com benzodiazepínico venoso ou retal. Essa conduta de parada não muda o protocolo de crise prolongada: suporte → benzodiazepínico se >5 min (detalhe de dose e escada = estação de status).
Se já sem crise: examinar para achar o motivo da febre, fazer exame neurológico, dar diagnóstico e tratar a doença de base. Acabou a crise: examinar · avaliar necessidade de punção · acalmar os pais · descobrir a causa de base da febre.
Observação e alta
Em regra, a criança fica pelo menos 6 horas em observação após crise febril (pedido típico de pediatria). Se está tudo bem após a observação → alta para casa.
Na alta: explicar o caráter benigno; provavelmente não deve voltar; se voltar, em geral uma vez só; pedir para os pais relaxarem com informação, não com minimização vazia.
⚠ Caixa-nuança · observação 6 h
Dígito da fonte mantido (≥6 h); protocolos podem usar 2–4 h / até estável; núcleo de alta compartilhado (ver P5): estável + exame N + causa endereçada + orientação.
laudo [061] / [092] · DIVERGÊNCIA
O que NÃO fazer no padrão
Não há necessidade de antiepiléptico de uso contínuo — não é epilepsia.
Dipirona precoce quando a criança "começar a ficar doente" não evita a crise febril. A verdadeira "profilaxia" é a criança não ficar doente (prevenir o gatilho infeccioso/febril), não o medicamento profilático.
Profilaxia com dipirona, com benzodiazepínico na febre, ou com antiepiléptico — sem benefício no cenário padrão.
Na vida real, às vezes se faz profilaxia medicamentosa em casos graves ou quando, na verdade, a criança é epiléptica e a febre é só gatilho. Essas situações são de custo-benefício e exceção à regra — não o default.
Default de prova e do dia a dia:não fazer profilaxia medicamentosa; explicar benignidade; avisar que pode recorrer; vida que segue — a partir de 5 anos não haverá mais crise febril por definição de faixa.
Chance de se tornar epiléptica: muito, muito pequena — só um pouquinho maior que a população geral (<1% a mais na ordem da fonte). (Caixa-nuança de % absolutos: ver P2.)
AED contínuo
Não é epilepsia — sem indicação no padrão.
Dipirona "precoce" para evitar crise
Não evita a crise febril.
BDZ na febre de rotina
Sem benefício no cenário padrão.
Profilaxia medicamentosa universal
Exceção só em casos graves / epilepsia de base.
Fluxo de porta
Chega em crise? → SIM → Suporte → >5 min? → SIM → BDZ EV/retal [↗ A9 · status]
Sem crise → Exame (febre + neurológico) → PL? (checklist) → Obs ≥6 h → Alta + orientação
≥ 6 h
Observação após crise febril (padrão da fonte). Estável + exame N + causa endereçada + orientação → alta.
Ampola real de diazepam (10 mg/2 mL) — benzodiazepínico de porta quando a crise febril se prolonga (>5 min). Diazepam ampoule (ratiopharm) 10 mg/2 ml · foto de Stefan Bellini, 2017, via Wikimedia Commons · CC0 1.0 (Public Domain Dedication) · Fonte: commons.wikimedia.org/wiki/File:Diazepam_Ampulle_ratiopharm_10_mg._2_ml.JPG · A foto é ampola EV/IM; a via retal fica no texto/chip — sem dose inventada na figura.
📌 Resumo operacional
Suporte · >5 min = BDZ · exame + PL? + pais + base · ≥6 h · zero profilaxia de rotina.
Conexão
Fecha com o gabarito de prova — o que realmente eleva o risco de epilepsia futura.
🧠 Quiz
Q1. Criança ainda em crise tônico-clônica febril há 7 minutos. Conduta farmacológica inicial correta conceitualmente?
Q2. Após primeira crise febril simples, profilaxia correta de rotina?