Comparação chocante

Simples × complexa: um critério basta

Simples e complexa não pedem "pacote completo" de desvios: um critério fora do padrão já reclassifica. A regra "1 basta" é a pegadinha de prova e o organizador da tabela.

Dois tipos

Existem dois tipos de crise febril: simples (típica) e complexa (atípica). A simples é a tradicional, a mais comum, e a que permite relaxar o raciocínio de investigação. A divisão cai bem em prova e precisa estar operacional.

O padrão da simples

A simples é crise generalizada tônico-clônica de curta duração.

Por definição: duração abaixo de 15 minutos. Na prática: duração bem abaixo de 5 minutos. O número de definição (15) e o da vida real (<5) coexistem e não se fundem.

A simples não se repete em 24 horas. O período pós-ictal é breve: em média, em cerca de 30 minutos a criança já está recuperada. Exame neurológico normal depois da crise — critério operacional central.

Padrão a gravar: GTC curta + sem recorrência em 24 h + pós-ictal breve + exame neurológico normal.

Caso-padrão (quadro rico)

Criança pequenininha com IVAS; a febre sobe (ex.: 40 °C); perde a consciência; entra em fase tônica; em seguida abalos clônicos; a crise acaba; fica sonolenta. Meia hora depois, em regra, recuperou — e o bem-estar residual depende da doença de base da febre.

A complexa: o que preocupa

A crise complexa (atípica) muda a figura. Critérios:

1. Início focal (ou possibilidade de início focal) · 2. Duração maior que 15 minutos · 3. Repetição em 24 horas · 4. Período pós-ictal longo ou sinal neurológico ao exame físico após a crise.

Regra de ouro / pegadinha: basta um desses critérios presentes para classificar como complexa/atípica. O nome atípica ajuda: é a crise que sai do padrão.

40 °C
no caso-padrão: febre alta, perde consciência, tônica → clônica, sonolência, recupera em ~30 min. Quanto maior T, maior o risco — mas a temperatura não classifica sozinha.
Simples (típica)Complexa (atípica)
InícioGeneralizado (GTC)Focal ou possível focal
DuraçãoDef. <15 min · prática ≪5 min>15 min
Recorrência 24 hNãoPode repetir
Pós-ictalBreve (~30 min recuperada)Longo e/ou sinal residual
Exame neurológico pósNormalPode haver déficit
RegraPadrão que relaxa1 critério basta
⚡ Marque qualquer critério de atipia
Nenhum critério marcado → classificação: simples (típica).
Stepper da simples: consciência → tônica → clônica → sonolência → exame N Sequência da crise febril simples: perda de consciência, fase tônica, abalos clônicos, sonolência pós-ictal e retorno ao exame neurológico normal em cerca de 30 minutos. NEUROLOGIA PEDIÁTRICA · CRISE FEBRIL Padrão da simples no corpo ↓consciência → tônica → clônica → sonolência → exame N ~30 min pós-ictal breve CORPO · FASE ATIVA ↓ Consciência Perde o contato · início da crise generalizada IVAS · T↑ contato some rigidez em extensão abalos rítmicos z z pós-ictal · sonolento exame neurológico N ← ant. próx. → 1 / 5 STEPPER · ORDEM DAS FASES ↓ Consciência perde Tônica rigidez Clônica abalos Sonolência pós-ictal Exame N ~30 min 1 · ↓ consciência contato se perde início da GTC 2 · Tônica corpo rígido extensão global 3 · Clônica abalos rítmicos crise ainda ativa 4 · Sonolência pós-ictal breve ≠ déficit residual 5 · Exame N volta ao normal ~30 min · alívio Stepper da simples. Percorra as cinco fases até o exame neurológico normal.
Gravura de atlas clínico histórico: paciente em período epileptoide da grande crise convulsiva, com legenda original Attaque — Période Épileptoïde.
Período epileptoide da grande crise convulsiva — atlas de semiologia (Bourneville & Regnard, Planche XVII; Wellcome Collection L0074938). Contexto histórico da Salpêtrière: a prancha documenta a semiologia das fases da grande attaque sobre a qual a classificação simples×complexa se organiza. CC BY 4.0 · via Wikimedia Commons · Fonte: commons.wikimedia.org/wiki/File:Attaque;_Periode_Epileptoide._Planche_XVII._Wellcome_L0074938.jpg · Não é vídeo-EEG pediátrico nem caso atual identificável.
📌 Resumo operacional

Simples = GTC curta + sem 24 h + pós breve + exame N · Complexa = 1 desvio basta · def 15 ≠ prática 5.

Por que importa

A classificação decide o grau de dúvida e o peso da investigação — sem transformar toda complexa em painel automático.

🧠 Quiz

Q1. Crise febril de 8 minutos, generalizada, sem recorrência em 24 h, exame neurológico normal em 30 min. Classificação?
Q2. Qual achado sozinho já basta para chamar de complexa?