Caso-âncora · relógio adiantado ou doença?
Bela · 7 anos · M4 P3a mais alta da turma"deixa rolar" estava errado< 8 = precoce
Bela · 7 anos · o caso que abre tudo

Bela tem 7 anos, é a mais alta da turma, já tem mama e pelos pubianos, e dois médicos diferentes olharam para ela e disseram à mãe a mesma coisa: "é assim mesmo, deixa rolar — daqui a pouco ela menstrua, vida que segue". A mãe está tranquila e orgulhosa da filha saudável. Antes de concordar com ela, vale uma pergunta: tudo o que você aprendeu sobre puberdade fisiológica encaixa numa menina de 7 anos M4 P3 — ou alguma coisa aqui está fora do lugar?

Paciente
Bela, 7 anos — mama M4, penificação P3, "a mais alta da turma"
História
telarca há ~8 meses (por volta dos 6 anos), depois pelos pubianos
O que tranquilizou
dois médicos liberaram como "é assim mesmo, deixa rolar"
A pergunta-fio
puberdade fisiológica ou puberdade precoce?

Bela, 7 anos, "deixa rolar": o caso que abre tudo

Escala de Tanner feminina (esquema): estágios I a V do desenvolvimento mamário (frente e perfil) e dos pelos pubianos, lidos como dois eixos independentes.
Esquema de referência — a escala de Tanner feminina com os dois eixos que se pontuam separados — mama (M1-M5) e pelos pubianos (P1-P5). Bela está em M4 P3: o estágio do duplo contorno (M4) com penificação P3.Michał Komorniczak, via Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0

Esquema de referência

Mama e pelos são eixos independentes: M4 marca o "duplo contorno" (aréola e papila projetadas acima do contorno da mama), P3 marca pelos escuros e espessos sobre a sínfise. Em Bela, os dois aparecem juntos e cedo — e é o cruzamento com a idade que muda tudo.

A menina mais alta da turma

Bela é uma escolar de 7 anos, levada a uma consulta de rotina. A mãe está satisfeita: a filha é saudável e vem crescendo bastante — na última festa da escola, era a mais alta entre todas as colegas. Para a mãe, isso é uma boa notícia. Guarde essa frase, porque ela é uma armadilha: "a mais alta da turma" vai se revelar, mais adiante, exatamente o sinal que deveria preocupar. A mãe ainda relata a cronologia: o desenvolvimento das mamas começou há pouco mais de 8 meses (por volta dos 6 anos), seguido pelo aparecimento dos pelos pubianos. E acrescenta o que tranquilizou os dois médicos anteriores: "outro médico já pediu exames e disse que era assim mesmo".

O que o exame e os exames mostraram

Ao exame físico, o que se encontra não é discreto. A mama apresenta tecido glandular estendendo-se além dos limites da aréola, com aréola e papila formando uma projeção acima do contorno da mama — isso é mama em estágio M4 (M4 é o estágio do "duplo contorno"). Há ainda pelos escuros e espessos sobre a sínfise púbica — penificação P3. Some tudo: 7 anos, M4 P3, com aceleração de crescimento. Os exames complementares de Bela: LH e FSH aumentados; ultrassonografia pélvica com útero de conformação puberal (durante a puberdade o formato do útero se altera e o volume uterino e ovariano aumentam — marca de impregnação estrogênica); e uma ressonância magnética de crânio, que veio normal (o motivo de ela ter sido feita fica reservado — voltaremos a Bela no fim, com todas as peças na mão).

Por que "deixa rolar" estava errado

Agora cruze isso com a régua da puberdade fisiológica que você já domina: a janela normal de início da puberdade feminina é dos 8 aos 13 anos — e iniciar antes dos 8 anos é o limite que define o "precoce". Bela tem 7 anos e já está em M4 P3: ela está fora da janela fisiológica, à esquerda do corte. À luz de tudo o que você já sabe, Bela não tem puberdade fisiológica — ela tem uma puberdade precoce. Os dois médicos que disseram "deixa rolar" trataram o desenvolvimento avançado como sinônimo de criança saudável. É o erro exato a desmontar: desenvolvimento puberal antes da hora não é "estar adiantada" — é um diagnóstico que pede causa e, muitas vezes, tratamento.

Ficha Clínica: Bela Ficha interativa da paciente Bela, 7 anos, apresentando estadiamento puberal M4 P3. Contém o relato da mãe e funcionalidade para confirmação de dados clínicos.
Interativo — a ficha de Bela — avatar neutro, idade (7a), estadiamento (M4 P3) e a frase-gancho da mãe ("é assim mesmo, deixa rolar"). Tom calmo de propósito: é o touchpoint que volta carimbado com a resposta no fechamento.
Toque para revelar; a ficha reaparece com o diagnóstico na última página.
Régua de Puberdade Precoce Feminina - Caso Bela Régua etária horizontal mostrando a janela fisiológica de puberdade feminina (8 a 13 anos) e o limite de precocidade em 8 anos. Bela tem 7 anos e está posicionada à esquerda do limite, dentro da zona de puberdade precoce (coral). S-TANNER07 · REGUA DE PUBERDADE ♀ 6a 7a 8a 9a 10a 11a 12a 13a 14a Idade (anos) Puberdade Precoce (< 8 anos) Janela Fisiológica ♀ (8–13 anos) Corte ♀ 8 anos Bela: 7a (M4 P3)
Documental — a régua etária da puberdade feminina (janela 8-13) com a zona "< 8 anos = precoce" destacada à esquerda e Bela (7a, M4 P3) caindo dentro dela. Em um olhar: Bela está à esquerda do corte. Reaproveita a régua que você já conhece — não recria o estadiamento.
O pin de Bela na zona vermelha é a prova visual do "fora da janela".

Quiz fixação

O caso-âncora e por que um desenvolvimento precoce não é "adiantamento saudável".

  1. Bela tem 7 anos, mama M4, penificação P3 e vem sendo a mais alta da turma; dois médicos liberaram como "é assim mesmo". À luz da puberdade fisiológica, qual a leitura correta?

  2. (Verdadeiro ou Falso) "Por ser a mais alta da turma, Bela tem um bom prognóstico de estatura na vida adulta."

Definição operacional · a equação
sinal + aceleraçãoisolado não basta♀ < 8 · ♂ < 9prova = 8

Se uma menina de 7 anos desenvolve só a mama, isso já é doença — ou ainda falta uma segunda peça para você poder chamar de puberdade precoce? E qual é exatamente essa peça?

Puberdade precoce é uma soma, não um sinal solto

A segunda peça obrigatória: aceleração

Aqui está a definição que separa doença de variante benigna, e ela é uma soma: puberdade precoce é o surgimento de caracteres sexuais secundários acompanhado de aceleração no crescimento, em idade abaixo do corte fisiológico. A palavra que carrega o peso é acompanhado. Um sinal puberal isolado não basta para diagnosticar puberdade precoce — uma menina que tem apenas a mama, ou apenas pelos, sem nada mais, pode estar apresentando só uma variante benigna do desenvolvimento (que tem página própria adiante). A criança que realmente tem puberdade precoce é a que apresenta os sinais puberais E aceleração do crescimento, com avanço da idade óssea. Fixe a equação: sinal puberal precoce + aceleração do crescimento (idade óssea avançada) = puberdade precoce. Tire a aceleração, e você tem outra coisa.

Os cortes por sexo: ♀ < 8 · ♂ < 9

Os cortes etários vêm da fisiologia da puberdade e são assimétricos — não os iguale. No sexo feminino, a puberdade precoce começa antes dos 8 anos (a janela fisiológica feminina é 8-13). No sexo masculino, começa antes dos 9 anos (a janela masculina é 9-14 — o corte do menino é < 9, não < 8). É o erro de prosa que mais escorrega: escrever "< 8" para o menino. Para o menino, o número é 9. Os dois números da casa, herdados da fisiologia da puberdade: ♀ = 8 · ♂ = 9.

A pegadinha do limite "em discussão"

Existe uma discussão real na literatura sobre baixar o limite etário inferior da definição (há quem proponha cortes menores em certas populações). Para a sua prova, isso é ruído controlado: mantém-se 8 anos como o limite inferior de referência (abaixo dos 8, na menina, é puberdade precoce). Não troque esse número na hora da questão por causa do debate acadêmico — a banca quer o 8.

sinal isolado SEM aceleração SINAL PUBERAL PRECOCE Telarca, pubarca ou sinal sexual antes da idade corte ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO Idade óssea avançada ou desvio da curva linear PUBERDADE PRECOCE Diagnóstico Confirmado VARIANTE BENIGNA Sinal puberal isolado (Reservado para depois) A aceleração é a peça obrigatória
Interativo — a equação que separa doença de variante benigna — "sinal puberal precoce + aceleração do crescimento / idade óssea avançada = PUBERDADE PRECOCE", com o ramo discreto "sinal isolado SEM aceleração → variante benigna". A peça-peso é o operador "+".
Toque no "+": a aceleração é a peça obrigatória.
Radiografia de mão e punho com idade óssea muito acima da idade cronológica, em contexto de puberdade precoce.
Radiografia (caso real) — a idade óssea avançada — a "segunda peça" objetivada. RX de mão/punho de paciente com maturação óssea muito acima da idade cronológica (fises das falanges já fusionadas); é a confirmação radiográfica da aceleração que fecha a equação.Desiree Rassa Eshraghi, Radiopaedia.org rID 160693 · CC BY-NC-SA 3.0

Radiografia (caso real)

A idade óssea é o que torna a "aceleração" mensurável: na puberdade precoce espera-se idade óssea maior que a cronológica. Mas guarde a pegadinha da página 7 — no primeiro exame ela pode ainda não ter batido +2 DP.

Cortes de Puberdade Precoce (P2) Passe o mouse ou toque nas réguas para revelar a janela fisiológica normal de cada sexo. Precoce ♀ (< 8 anos) Precoce ♂ (< 9 anos) Janela Fisiológica Normal (Hover) prova = 8 (limite em discussão, mas não mude)
Interativo — as duas réguas espelhadas de mesma largura — "♀ início < 8 anos = precoce" e "♂ início < 9 anos = precoce", cada uma com a zona precoce sombreada à esquerda do corte. Os cortes são assimétricos; o erro é igualá-los em "< 8".
Passe o mouse em cada régua para ver a janela fisiológica correspondente.

Quiz fixação

A equação (sinal + aceleração) e os cortes assimétricos.

  1. Uma menina de 6 anos apresenta apenas broto mamário, sem qualquer outro sinal e com velocidade de crescimento normal. Qual a classificação mais correta?

  2. Sobre os cortes etários da puberdade precoce, qual afirmação está CORRETA?

Por que importa · o paradoxo da estatura
3 motivos para trataralta agora, baixa depoisfechamento epifisário precoceas curvas se cruzam

Agora

A criança é a mais alta da turma — o estirão precoce a coloca à frente dos colegas.

Depois

Na vida adulta, será a mais baixa — o fechamento epifisário precoce cobra o preço.

O mesmo processo produz os dois resultados opostos. Como é que adiantar o crescimento acaba em perder estatura?

A criança mais alta da turma é a que vai ficar baixa

Por que tratar: os três motivos

A puberdade precoce importa — e exige tratamento — por três motivos. Primeiro: ela pode ser a manifestação de uma doença subjacente passível de tratamento (um tumor, uma lesão do sistema nervoso central — as causas vêm nas próximas páginas). Segundo: a consequência psicossocial. A criança passa a ter um corpo físico desenvolvido que não é acompanhado pelo desenvolvimento cognitivo correspondente — um corpo de adolescente com a mente de uma criança de 7 anos. Esse descompasso a torna mais vulnerável a situações de violência e interfere na forma como ela se relaciona, por ter um corpo diferente do das outras crianças do convívio. Terceiro, e grave a longo prazo: a puberdade precoce leva à baixa estatura na vida adulta. É esse terceiro motivo que o paradoxo explica.

O paradoxo: alta na infância, baixa na vida adulta

Aqui está o ponto mais cobrado e mais contraintuitivo do tema — o paradoxo da estatura: a puberdade precoce causa ALTA estatura na infância (por isso a criança é a mais alta da turma, como Bela) mas BAIXA estatura na vida adulta. As duas coisas, no mesmo paciente, em momentos diferentes. Quem olha a criança hoje vê altura e se tranquiliza (o erro da mãe de Bela). Quem entende o mecanismo sabe que essa altura precoce é justamente o sinal de que estatura está sendo perdida lá na frente.

O mecanismo: acelera o crescimento e o fechamento das epífises

O mecanismo tem dois efeitos simultâneos, e é a soma deles que produz o paradoxo. A criança tem aceleração do crescimento — fica mais alta, mais rápido, agora. Mas ela também tem aceleração do fechamento epifisário — as cartilagens de crescimento se fecham antes da hora, e o osso para de crescer mais cedo. E aqui está o detalhe decisivo: a aceleração temporária do crescimento NÃO consegue repor o tempo de crescimento perdido pelo fechamento precoce das epífises. Ganha-se altura por um período curto e intenso, mas perde-se o longo período de crescimento que viria depois. O saldo, sem tratamento, é perda de estatura adulta. Visualmente: a curva da puberdade precoce dispara cedo (fica acima da normal na infância), mas faz platô precoce (o osso fecha) e termina abaixo da curva normal. As duas curvas se cruzam — e esse cruzamento É o paradoxo.

O paradoxo da estatura na puberdade precoce: as curvas que se cruzam Figura-sintese do paradoxo da estatura em dois paineis, com estatura em centimetros contra a idade em anos. Painel macro: duas trajetorias na mesma escala. A trajetoria normal ou tratada sobe de forma constante, cresce por mais tempo, faz o estirao puberal na idade habitual e termina com a estatura adulta MAIOR. A trajetoria da puberdade precoce nao tratada DISPARA cedo: fica acima da normal durante a infancia, porque o estirao se antecipa. Em seguida ela faz um PLATO PRECOCE: o excesso de esteroides sexuais acelera a maturacao ossea e o fechamento epifisario antecipado interrompe o crescimento. Por isso ela termina ABAIXO da normal. As duas curvas SE CRUZAM em torno do inicio da adolescencia: o ponto de cruzamento e o coracao da figura, com a leitura aqui ela e a mais alta da turma, depois sera a mais baixa. Painel zoom: a regiao do cruzamento e do plato precoce ampliada, mostrando o joelho da curva precoce que verga e estaciona enquanto a normal segue subindo, e a distancia final entre as duas estaturas adultas. Regra de ouro: na puberdade precoce, ser a crianca mais alta agora e justamente o sinal de que pode ser o adulto mais baixo depois. O ganho na infancia e roubado do estoque de crescimento futuro. ESTATURA × IDADE · O PARADOXO · AS CURVAS QUE SE CRUZAM A mais alta da turma vira a mais baixa A puberdade precoce dispara cedo e fica acima na infancia. O fechamento epifisario antecipado corta o crescimento e ela termina abaixo. Reconheca o FORMATO e o CRUZAMENTO das curvas. Alta agora → baixa depois (paradoxo). As duas trajetorias: estatura × idade, na mesma escala Passe sobre o cruzamento, o plato precoce e a diferenca final. Use Animar para ver o paradoxo se formar. Eixo dialoga com a curva de velocidade da aula 07. Paradoxo completo Animar 110 125 140 155 170 185 Estatura (cm) 4 6 8 10 12 14 16 18 Idade (anos) 1 · DISPARA CEDO acima da normal na infancia 2 · CRUZAMENTO a normal ultrapassa 3 · PLATO PRECOCE × CRESCIMENTO QUE SEGUE Estirao antecipado sobe cedo, fica acima Estirao no tempo cresce por mais tempo Aqui: a mais alta depois: a mais baixa Plato: para de crescer idade ossea avancada normal: termina ALTA precoce: termina BAIXA normal / tratada puberdade precoce nao tratada cruzamento deficit final O cruzamento e o plato, ampliados O joelho da curva precoce verga e estaciona; a normal segue. estatura idade cruzam joelho / plato deficit Antes do cruzamento: precoce > normal. Depois: normal vence, para sempre. sobe e para sobe por mais tempo O paradoxo: alta na infancia → baixa na vida adulta O excesso de esteroides sexuais acelera a idade ossea → fechamento epifisario precoce → menos tempo de crescimento. As curvas se cruzam: o ganho aparente da infancia foi roubado do estoque de crescimento futuro. Regra de ouro: tratar a tempo freia o relogio osseo e protege a estatura adulta. Mesma linguagem visual da curva de velocidade da aula 07 — coerencia da plataforma.
Síntese — o paradoxo da estatura — duas trajetórias de estatura × idade na mesma escala. A curva normal sobe mais devagar, cresce por mais tempo, termina mais alta. A curva da puberdade precoce dispara cedo, faz platô precoce (fechamento epifisário) e termina abaixo. As curvas se cruzam: aqui ela é a mais alta; depois, a mais baixa. Hotspots no cruzamento, no fechamento precoce e na distância das alturas adultas.
Curvas CDC/NCHS de estatura por idade para meninos de 2 a 20 anos, com canais de percentil P3 a P97.
Curva de referência (CDC/NCHS) — a carta de estatura por idade com os canais de percentil — o pano de fundo real sobre o qual o paradoxo se desenha. Uma criança com PP fura para cima cedo e depois cruza para baixo o próprio canal, terminando abaixo do alvo.CDC/NCHS Growth Charts, via Wikimedia Commons · Domínio público (US Gov)

Curva de referência (CDC/NCHS)

A carta plota idade × estatura e localiza o canal de crescimento. Não confunda percentil (posição numa medida isolada) com velocidade (inclinação ao longo do tempo): é a mudança de canal — para cima cedo, para baixo depois — que conta a história da PP.

Doença subjacente tratável

A PP pode ser a ponta de um tumor ou de uma lesão do SNC — investigar pode revelar causa removível.

Consequência psicossocial

Corpo de adolescente com mente de criança → maior vulnerabilidade e dificuldade de convívio.

Baixa estatura adulta

Fechamento epifisário precoce: o estirão curto não repõe o tempo de crescimento perdido.

Quiz fixação

O paradoxo da estatura e os três motivos para tratar.

  1. Por que a puberdade precoce, que torna a criança mais alta na infância, resulta em baixa estatura na vida adulta?

  2. Quais são os três motivos que justificam tratar a puberdade precoce?

A bifurcação · a Árvore nasce
central × periféricaGnRH-dependente?sempre isossexual × iso/heterovirilização ≠ só pelo

Se uma menina com puberdade precoce e outra desenvolvem os mesmos sinais — mama, pelo, crescimento —, o que de fato separa as duas grandes formas da doença? E por que só uma delas é chamada de "verdadeira"?

A pergunta de prova é "qual é a causa?" — e ela tem duas respostas

A grande pergunta: qual é a causa?

Confirmada a puberdade precoce, a grande pergunta de prova é uma só: qual é a causa? E aqui vale o princípio de raciocínio que organiza o endócrino inteiro: não é decoreba — tudo é fisiologia. Entendendo o eixo (que você já domina da fisiologia da puberdade), a causa se deduz, não se memoriza. A puberdade precoce se separa em duas grandes síndromes, e a chave para distingui-las é uma pergunta sobre o eixo: o grande evento hormonal da puberdade — a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal — aconteceu, ou não?

Central = "verdadeira" = eixo HHG ativado = sempre isossexual

A primeira forma é a puberdade precoce CENTRAL, também chamada de puberdade precoce VERDADEIRA. Ela é dependente do GnRH. É chamada de "verdadeira" porque ocorre exatamente o evento da puberdade real: a ativação do eixo HHG — GnRH → hipófise → gonadotrofinas (LH/FSH) → ação nas gônadas (o eixo que você montou na fisiologia da puberdade). Como o eixo está ativado de verdade, o testículo secreta testosterona e o ovário secreta estrogênio, pelo estímulo gonadotrófico normal. Consequência direta: a puberdade central é sempre ISOSSEXUAL — desenvolvem-se os caracteres do próprio sexo genotípico (menina desenvolve mama, por ação estrogênica; menino vira-se viril). E a central é um diagnóstico sindrômico: há várias causas subjacentes a investigar (próxima página).

Periférica = "pseudopuberdade" = independente do GnRH = iso ou heterossexual

A segunda forma é a puberdade precoce PERIFÉRICA, também chamada de PSEUDOPUBERDADE — e o "pseudo" é literal: NÃO ocorre o grande evento hormonal da puberdade (a ativação do eixo HHG). Ela tem sinal puberal, aceleração do crescimento e perda de estatura — parece puberdade —, mas é um processo independente do GnRH: não há GnRH, não há gonadotrofina; os hormônios vêm de outra fonte (uma gônada autônoma, uma adrenal, uma fonte exógena). E aqui está a diferença-chave que a banca explora: a central é sempre isossexual; a periférica pode ser ISOSSEXUAL ou HETEROSSEXUAL. Heterossexual significa surgimento de sinais do sexo oposto — mais fácil de enxergar na menina: uma menina com sinais de virilização (excesso de androgênio).

O que é virilização (e por que não é só pelo)

Cuidado com a palavra virilização no sexo feminino — é uma pegadinha clássica. Virilização NÃO é só o surgimento de pelos. É o conjunto: pelos + hipertrofia de clitóris + alteração da voz. Esse conjunto é o que denota excesso de androgênio. Por que isso importa tanto? Porque pelo isolado, numa menina, pode ser só adrenarca (normal ou variante benigna — página 10); já hipertrofia de clitóris e voz gritam excesso de androgênio e apontam para doença da adrenal. Quem lê "pelos" e já escreve "virilização" perde a discriminação que a banca planta. Guarde o conjunto.

Árvore Diagnóstica de Puberdade Precoce Árvore de decisão clínica para diagnóstico diferencial de puberdade precoce: Central vs Periférica e variantes benignas. P4: BIFURCAÇÃO P5: RAMO CENTRAL P6: RAMO PERIFÉRICO P9: ATALHO MENINO P10: PONTA BENIGNA S-ARVORE · AULA 08 · ÁRVORE DIAGNÓSTICA CENTRAL X PERIFÉRICA SUSPEITA PUBERDADE PRECOCE Crescimento acelerado ou sinal físico? Sinal Isolado SEM Aceleração Variante benigna (clique para revelar) Telarca Precoce (♀) Só mama · Acompanhar clinicamente Adrenarca Precoce (♀/♂) Só pelo/odor · NÃO viriliza! PUBERDADE PRECOCE Sinal físico + aceleração de crescimento CENTRAL (GnRH-dep) "Verdadeira" · Eixo ativo · ISOSSEXUAL 🔗 EIXO HHG (AULA 7) PERIFÉRICA (GnRH-ind) "Pseudopuberdade" · ISO ou HETEROSSEXUAL Meninas (♀) Predomínio clínico (~90% PPC) Meninos (♂) SNC patológico frequente (>50%) Idiopática (~90%) 6-8 anos · Foco na consequência Investigar SNC RM do cérebro é mandatória 1. Hamartoma 2. Outras Neoplasias 3. Trauma SNC 4. Infecção SNC Craniofaringioma EXCEÇÃO: Causa ATRASO puberal Gônada Produção autônoma ovariana/testicular Adrenal Produção adrenal de androgênios McCune-Albright (Iso/Hetero) Cisto Ovariano (♀ · Isossexual) Tumor Ovariano/Testicular HAC 21-OH (Hetero ♀ / Iso ♂) Tumor de Córtex (+ Cushing) 🔗 Orquidômetro de Prader (Aula 7) ATALHO DO MENINO: SELECIONE O VOLUME TESTICULAR ≥ 4 mL (Grande) < 4 mL (Pequeno) Assimétrico P4 — A bifurcação que organiza tudo A puberdade precoce (com aceleração de crescimento) se divide estritamente em Central (eixo ativo, LH alto) ou Periférica (eixo inativo, LH baixo).
Interativo — a Árvore Central × Periférica — o objeto-âncora do raciocínio diagnóstico, que nasce aqui e hidrata ramo a ramo até a síntese. Raiz "puberdade precoce (sinal + aceleração)" → dois ramos: CENTRAL (GnRH-dependente, "verdadeira", sempre isossexual) × PERIFÉRICA (GnRH-independente, "pseudopuberdade", iso ou heterossexual). As abas percorrem os estados de hidratação — causas, exames e conduta — até a Árvore completa.
Abas P4→P10: clique num ramo para expandir; cada estado mostra o que aquele bloco constrói.
Central × Periférica — o que separa as duas
CaracterísticaCentralPeriférica
Dependência do GnRHGnRH-dependenteGnRH-independente
Apelido"verdadeira""pseudopuberdade"
Tiposempre isossexualiso OU heterossexual
Fluxograma publicado de avaliação da puberdade precoce, bifurcando central × periférica pelo LH.
Fluxograma publicado (caso real) — a bifurcação central × periférica na forma como a literatura a desenha: a triagem ancora no LH — LH puberal → central (→ RM cerebral); LH pré-puberal → teste com GnRH; LH baixo sustenta periférica. É a Árvore desta aula, publicada.Micangeli et al., Children 2023, via MDPI · CC BY 4.0

Fluxograma publicado (caso real)

Confronte com a Árvore acima: a mesma pergunta-mestra ("o eixo HHG ativou?") organiza os dois. O fluxograma publicado prova que a bifurcação central × periférica não é um truque didático — é como o tema se estrutura na fonte.

Quiz fixação

A bifurcação central × periférica e o conjunto da virilização.

  1. Qual característica define a puberdade precoce central e a distingue da periférica?

  2. Numa menina, qual achado caracteriza virilização (e não apenas adrenarca)?

Ramo central · a assimetria de gênero
♀ ~90% idiopática♂ > 50% lesão do SNChamartoma, neoplasia, trauma, infecçãoFAR = longe

Diante de uma menina

A aposta tranquila é "idiopática" — preocupa-se com a consequência (a baixa estatura).

Diante de um menino

A conduta vira uma corrida atrás de uma lesão cerebral — RM sempre.

A puberdade é "central" nos dois sexos — mesmo mecanismo, mesmo eixo ativado. A diferença não está no mecanismo — está na estatística, e ela inverte tudo.

Mesma síndrome, dois sexos, condutas opostas

Na menina: ~90% idiopática

A puberdade precoce central é muito mais frequente no sexo feminino — e, na menina, a principal forma é, indiscutivelmente, a IDIOPÁTICA. Idiopática significa o que o nome diz: não se identifica a razão da ativação precoce do eixo, mas o fato é que ela ocorreu. Os números: a PP central é idiopática em ~90% das meninas, especialmente nas meninas entre 6 e 8 anos. Por isso, diante de uma menina com puberdade central, a aposta de partida — pela frequência — é "idiopática", e a preocupação principal é com as consequências da puberdade (a baixa estatura adulta), não com uma causa oculta.

No menino: > 50% lesão do SNC — a conduta inverte

No sexo masculino, a estatística vira o jogo: em mais de 50% das vezes, a puberdade precoce central é resultado de alguma LESÃO do sistema nervoso central. E essa assimetria inverte a conduta. Diante de uma menina com puberdade central, preocupa-se com as consequências da puberdade. Diante de um menino com puberdade central, preocupa-se ainda mais — com as consequências E com a investigação obrigatória da causa subjacente. No menino, "central" não tranquiliza; acende o alerta de procurar uma lesão no cérebro (é o que justifica a RM sempre, página 7).

As causas no menino (hamartoma e companhia)

Quais lesões? A mais comum no menino é o HAMARTOMA hipotalâmico: uma malformação congênita com tecido hipotalâmico que produz GnRH por conta própria, causando puberdade precoce muito cedo, ainda nos primeiros anos de vida. Depois, as neoplasias do sistema nervoso central — e aqui um conceito amplo: a maioria das neoplasias do SNC cursa com puberdade precoce. Completam a lista o trauma craniano (pode, posteriormente, levar a PP) e as infecções do SNC (idem). Síntese: num menino com puberdade central, muito possivelmente uma dessas — hamartoma, neoplasia, trauma, infecção — está acontecendo ou aconteceu na vida da criança.

A exceção craniofaringioma: "FAR = longe"

Há uma exceção que a banca adora, e ela é o contrário de tudo o que foi dito: o craniofaringioma. Ao contrário das demais neoplasias do SNC, o craniofaringioma em geral cursa com ATRASO puberal, não com puberdade precoce. O mnemônico da casa para não esquecer: em "cranioFARingioma", "far" é "longe" em inglês — a puberdade vai lá para LONGE (atrasa). O resto das neoplasias do SNC, em geral, é puberdade precoce; o craniofaringioma, longe/atraso.

Ressonância magnética sagital de crânio mostrando massa ovalada na região hipotalâmica/túber cinéreo, compatível com hamartoma hipotalâmico.
RM (caso real) — a massa hipotalâmica no assoalho do III ventrículo (túber cinéreo) — um hamartoma hipotalâmico, a causa central mais comum no menino: tecido que produz GnRH por conta própria e dispara a puberdade muito cedo.Mehmet Yağtu, Radiopaedia.org rID 71281 · CC BY-NC-SA 3.0

RM (caso real)

É a imagem que justifica a "corrida atrás do cérebro" no menino: lesões hipotalâmicas ativam precocemente o eixo GnRH → LH/FSH. O hamartoma costuma ser congênito, bem delimitado e sem realce — diferente do craniofaringioma ao lado.

Ressonância magnética sagital T1 pós-contraste mostrando massa sólida-cística selar/suprasselar compatível com craniofaringioma.
RM (a exceção) — o craniofaringioma — massa sólida-cística selar/suprasselar. É a neoplasia do SNC que foge à regra: atrasa a puberdade ("FAR = longe"), em vez de adiantá-la.Hellerhoff, via Wikimedia Commons · CC BY 3.0

RM (a exceção)

Enquanto a maioria das neoplasias do SNC cursa com puberdade precoce, o craniofaringioma manda a puberdade para longe. É a pegadinha que a banca cobra — guarde o "FAR = longe".

Árvore Diagnóstica de Puberdade Precoce Árvore de decisão clínica para diagnóstico diferencial de puberdade precoce: Central vs Periférica e variantes benignas. P4: BIFURCAÇÃO P5: RAMO CENTRAL P6: RAMO PERIFÉRICO P9: ATALHO MENINO P10: PONTA BENIGNA S-ARVORE · AULA 08 · ÁRVORE DIAGNÓSTICA CENTRAL X PERIFÉRICA SUSPEITA PUBERDADE PRECOCE Crescimento acelerado ou sinal físico? Sinal Isolado SEM Aceleração Variante benigna (clique para revelar) Telarca Precoce (♀) Só mama · Acompanhar clinicamente Adrenarca Precoce (♀/♂) Só pelo/odor · NÃO viriliza! PUBERDADE PRECOCE Sinal físico + aceleração de crescimento CENTRAL (GnRH-dep) "Verdadeira" · Eixo ativo · ISOSSEXUAL 🔗 EIXO HHG (AULA 7) PERIFÉRICA (GnRH-ind) "Pseudopuberdade" · ISO ou HETEROSSEXUAL Meninas (♀) Predomínio clínico (~90% PPC) Meninos (♂) SNC patológico frequente (>50%) Idiopática (~90%) 6-8 anos · Foco na consequência Investigar SNC RM do cérebro é mandatória 1. Hamartoma 2. Outras Neoplasias 3. Trauma SNC 4. Infecção SNC Craniofaringioma EXCEÇÃO: Causa ATRASO puberal Gônada Produção autônoma ovariana/testicular Adrenal Produção adrenal de androgênios McCune-Albright (Iso/Hetero) Cisto Ovariano (♀ · Isossexual) Tumor Ovariano/Testicular HAC 21-OH (Hetero ♀ / Iso ♂) Tumor de Córtex (+ Cushing) 🔗 Orquidômetro de Prader (Aula 7) ATALHO DO MENINO: SELECIONE O VOLUME TESTICULAR ≥ 4 mL (Grande) < 4 mL (Pequeno) Assimétrico P4 — A bifurcação que organiza tudo A puberdade precoce (com aceleração de crescimento) se divide estritamente em Central (eixo ativo, LH alto) ou Periférica (eixo inativo, LH baixo).
Interativo — a Árvore hidrata o ramo CENTRAL: ♀ ("~90% idiopática", esp. 6-8 anos → foco na consequência) × ♂ ("> 50% lesão do SNC" → investigue o cérebro, RM sempre), com hamartoma, neoplasias, trauma e infecção, e o craniofaringioma marcado como exceção (atrasa). Mesmo objeto da bifurcação, agora com o ramo central aberto.
Passe o mouse em cada causa; o craniofaringioma destaca-se como a exceção que atrasa.

Quiz fixação

A assimetria ♀/♂ na central e a exceção do craniofaringioma.

  1. Um menino de 7 anos apresenta puberdade precoce central confirmada. Qual a conduta e o racional?

  2. Qual neoplasia do SNC é a exceção que cursa com atraso puberal, e não com puberdade precoce?

Ramo periférico · gônada × adrenal
cisto ovariano (primeiro ♀)virilização + Cushing = tumor adrenalHAC 21-hidroxilaseclássica × não-clássica

Se não foi o eixo central que disparou a puberdade, de onde vêm os hormônios — e qual sinal extra, além da virilização, entrega que o problema está na adrenal, e não na gônada?

Eixo calado, hormônio vindo de outro lugar: gônada ou adrenal

A gônada: cisto ovariano em primeiro lugar

A puberdade precoce periférica acontece, essencialmente, por uma doença na GÔNADA ou por uma doença na ADRENAL. Comecemos pela gônada. Tumores ovarianos e testiculares produzem esteroides gonadais independentemente de qualquer estímulo gonadotrófico — a gônada fabrica hormônio por conta própria. Na menina, a causa periférica em que se pensa primeiro é o CISTO OVARIANO: ele libera estrogênio, portanto cursa com puberdade ISOSSEXUAL (desenvolvimento de mama). Há ainda doenças gonadais com hiperfunção autônoma — a gônada produz hormônios sem nenhum estímulo —, como a síndrome de McCune-Albright. A hierarquia prática na menina: pense principalmente em tumor/cisto ovariano (o cisto é o mais frequente); McCune-Albright e demais são menos comuns.

A adrenal: virilização — e o sinal extra que entrega o tumor

A outra fonte é a adrenal. Tumores do córtex da adrenal podem produzir androgênio, causando VIRILIZAÇÃO tanto na menina quanto no menino. E aqui está a dica clínica decisiva que a banca cobra: além da virilização, o tumor de córtex adrenal pode dar manifestações de excesso de CORTISOL. Então o que faz pensar em tumor adrenal é virilização + síndrome de Cushing — obesidade centrípeta, estrias violáceas, hipertensão. Viu virilização com Cushing, pense tumor de córtex adrenal.

HAC: clássica (neonatal) × não-clássica (vira causa de PP)

A outra doença da adrenal que causa puberdade precoce periférica é a HIPERPLASIA ADRENAL CONGÊNITA (HAC), rastreada pelo teste do pezinho. A forma mais frequente é por deficiência da enzima 21-HIDROXILASE — sem 21-hidroxilase, não se produz cortisol adequadamente. A HAC tem duas formas, e a distinção é de prova. A forma CLÁSSICA se manifesta no período NEONATAL: a clássica perdedora de sal (a mais frequente) cursa, no recém-nascido, com vômitos, desidratação, hiponatremia e hipercalemia — porque, além da falta de cortisol, falta aldosterona. Já a forma NÃO CLÁSSICA não se manifesta no período neonatal; ela aparece ao longo dos anos, com sinais precoces de VIRILIZAÇÃO (♀ e ♂) — e é por isso que a não-clássica entra como causa de puberdade precoce periférica. Por fim, além de gônada e adrenal, há sempre a possibilidade de exposição hormonal EXÓGENA (creme/gel hormonal) — detalhada na investigação por sexo (página 8 e síntese).

Ultrassonografia pélvica do ovário esquerdo mostrando cisto ovariano anecoico de aproximadamente 5 cm.
USG pélvica (caso real) — o cisto ovariano — lesão grande, predominantemente anecoica (conteúdo negro, parede fina). É a causa periférica em que se pensa primeiro na menina: libera estrogênio → puberdade isossexual (mama).James Heilman, MD, via Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

USG pélvica (caso real)

O cisto fabrica hormônio por conta própria, sem estímulo do eixo. Por isso o quadro é isossexual (mama), mas com LH suprimido — diferente da central, onde o LH sobe. É o achado-chave que a USG pélvica busca no ramo periférico.

HAC por deficiência de 21-hidroxilase — clássica × não-clássica
CaracterísticaClássica perdedora de salNão clássica
Quando se manifestaperíodo neonatalao longo dos anos
Quadrovômito, desidratação, hiponatremia e hipercalemia (falta cortisol E aldosterona)virilização precoce (♀ e ♂)
Relação com PPnão é a causa típica de PPÉ causa de PP periférica
Árvore Diagnóstica de Puberdade Precoce Árvore de decisão clínica para diagnóstico diferencial de puberdade precoce: Central vs Periférica e variantes benignas. P4: BIFURCAÇÃO P5: RAMO CENTRAL P6: RAMO PERIFÉRICO P9: ATALHO MENINO P10: PONTA BENIGNA S-ARVORE · AULA 08 · ÁRVORE DIAGNÓSTICA CENTRAL X PERIFÉRICA SUSPEITA PUBERDADE PRECOCE Crescimento acelerado ou sinal físico? Sinal Isolado SEM Aceleração Variante benigna (clique para revelar) Telarca Precoce (♀) Só mama · Acompanhar clinicamente Adrenarca Precoce (♀/♂) Só pelo/odor · NÃO viriliza! PUBERDADE PRECOCE Sinal físico + aceleração de crescimento CENTRAL (GnRH-dep) "Verdadeira" · Eixo ativo · ISOSSEXUAL 🔗 EIXO HHG (AULA 7) PERIFÉRICA (GnRH-ind) "Pseudopuberdade" · ISO ou HETEROSSEXUAL Meninas (♀) Predomínio clínico (~90% PPC) Meninos (♂) SNC patológico frequente (>50%) Idiopática (~90%) 6-8 anos · Foco na consequência Investigar SNC RM do cérebro é mandatória 1. Hamartoma 2. Outras Neoplasias 3. Trauma SNC 4. Infecção SNC Craniofaringioma EXCEÇÃO: Causa ATRASO puberal Gônada Produção autônoma ovariana/testicular Adrenal Produção adrenal de androgênios McCune-Albright (Iso/Hetero) Cisto Ovariano (♀ · Isossexual) Tumor Ovariano/Testicular HAC 21-OH (Hetero ♀ / Iso ♂) Tumor de Córtex (+ Cushing) 🔗 Orquidômetro de Prader (Aula 7) ATALHO DO MENINO: SELECIONE O VOLUME TESTICULAR ≥ 4 mL (Grande) < 4 mL (Pequeno) Assimétrico P4 — A bifurcação que organiza tudo A puberdade precoce (com aceleração de crescimento) se divide estritamente em Central (eixo ativo, LH alto) ou Periférica (eixo inativo, LH baixo).
Interativo — a Árvore hidrata o ramo PERIFÉRICO: duas fontes espelhadas — GÔNADA (cisto ovariano = mais comum ♀, isossexual; McCune-Albright) × ADRENAL (tumor de córtex = virilização + Cushing; HAC 21-hidroxilase). Cada folha marca iso/hetero. Mesmo objeto, agora com o ramo periférico aberto.
Passe o mouse em cada fonte; gônada (isossexual) × adrenal (virilização).

Quiz fixação

As duas fontes periféricas e as formas da HAC.

  1. Uma menina de 6 anos apresenta virilização (pelo + clitoromegalia), obesidade centrípeta, estrias violáceas e hipertensão. Qual a principal hipótese?

  2. Sobre as formas de hiperplasia adrenal congênita por deficiência de 21-hidroxilase, qual afirmação está CORRETA?

Método · investigação por imagem
idade óssea comprovaRM = causa da centralUSG pélvica (2 finalidades)não se pede tudo

O diagnóstico de PP é clínico (sinal + aceleração) — os exames de imagem não dizem "se há PP", respondem a outras perguntas. Cada exame responde a uma pergunta:

  • Idade óssea (RX mão/punho) — comprova o avanço, e por que o 1º raio-X ainda pode não ter batido +2 DP
  • RM de crânio — investiga a causa da PP central (não "se há PP"): sempre no menino; ♀ < 6a sempre; 6-8a questionável
  • USG pélvica (♀) — duas finalidades: confirmar puberdade verdadeira (útero) × achar cisto ovariano
  • USG abdominal — só na suspeita de adrenal; não avalia a HAC (diagnóstico laboratorial)

Cada exame de imagem tem uma pergunta — não se pede tudo

Idade óssea: o exame que comprova o avanço

Diante de qualquer suspeita de puberdade precoce, um dos primeiros exames é a radiografia de mão e punho para avaliar a IDADE ÓSSEA. Na puberdade precoce, espera-se encontrar idade óssea MAIOR que a cronológica (idade óssea avançada) — é a confirmação objetiva da aceleração da segunda peça da equação. As definições, em desvio-padrão: idade óssea ATRASADA = 2 DP abaixo da cronológica; AVANÇADA = 2 DP acima. E uma pegadinha fina: numa avaliação inicial, o avanço pode ainda não estar bem definido. Se a criança começou com idade óssea 1 DP abaixo da cronológica, ela pode estar avançando sem ainda ter atingido os 2 DP acima. A idade óssea tem que avançar — mas pode não ter chegado lá no primeiro exame. Não descarte PP só porque o primeiro raio-X ainda não bateu +2 DP.

RM de crânio: investiga a causa da central, não "se há PP"

Aqui mora a confusão que a banca explora. A ressonância de crânio NÃO investiga "se há puberdade precoce" — ela investiga a ETIOLOGIA de uma puberdade precoce CENTRAL. A sequência lógica é: confirma-se que a criança tem PP (clínica + idade óssea), confirma-se que é central (LH — próxima página), e então a RM entra na investigação da causa. Quando ela é obrigatória? A RM é SEMPRE indicada nos MENINOS com puberdade central — porque > 50% têm alteração do SNC (página 5). Nas MENINAS, nem sempre: entre 6 e 8 anos é questionável (não necessariamente); menores de 6 anos = SEMPRE, porque há maior risco de alteração do SNC. Pode-se ainda solicitar a RM quando se acredita que a puberdade está avançando muito rápido (definição pouco clara) — foi por isso que Bela, com 7 anos, fez a ressonância, que veio normal.

Ultrassonografia: pélvica (♀) e abdominal (adrenal)

A USG pélvica tem duas finalidades na menina: (1) avaliar a puberdade — volume uterino aumentado e conformação uterina alterada confirmam puberdade verdadeira, distinguindo de uma variante benigna; (2) avaliar a periférica — identificar alterações ovarianas (ex.: cisto). Detalhe diagnóstico de ouro: mama isolada pode ser variante benigna, mas mama + alteração do volume uterino aponta para puberdade precoce verdadeira — foi exatamente o caso de Bela (útero de conformação puberal). Já a USG abdominal serve principalmente para avaliar a ADRENAL — para investigar tumores da adrenal (não é o melhor exame, mas costuma ser o primeiro). Duas ressalvas: a USG abdominal NÃO serve para avaliar a HAC (a HAC é diagnóstico LABORATORIAL, não de imagem); e ela não é pedida para toda criança com PP — só para quem pode ter doença da adrenal. Uma menina com desenvolvimento de mama (ação estrogênica) não tem doença da adrenal → não precisa de USG abdominal.

Radiografia AP da mão e punho com maturação óssea incompatível com a idade cronológica.
Radiografia (caso real) — a idade óssea lida no carpo — múltiplos centros de ossificação carpais e epífises digitais à frente da idade cronológica. É o exame que comprova a aceleração; compara-se com atlas de maturação (Greulich-Pyle).Panda PK et al., Ann Indian Acad Neurol 2022, via NCBI/PMC · CC BY-NC-SA 4.0

Radiografia (caso real)

A idade óssea não diz "se há PP" — ela comprova o avanço. Lembre a pegadinha: a idade óssea tem que avançar, mas no primeiro exame pode ainda não ter batido +2 DP (criança que partiu de −1 DP). Não descarte por isso.

IDADE ÓSSEA (RX mão/punho) = semprecomprova o avanço (±2 DP); 1º exame pode não ter batido +2 DPConfirmada PP → qual a pergunta seguinte?Se CENTRAL → RM de crâniosempre no menino · ♀ < 6a sempre · 6-8a questionável — investiga a ETIOLOGIASe suspeita PERIFÉRICA → USGpélvica (♀: útero/ovário) e/ou abdominal (adrenal/tumor, NÃO HAC)
Fluxo de decisão — exames de imagem na PP — cada um responde a uma pergunta diferente. A idade óssea comprova o avanço (sempre); confirmada a PP, a RM caça a causa da central e a USG investiga a periférica.
A USG abdominal NÃO avalia a HAC (diagnóstico laboratorial).

Quiz fixação

O método de imagem: cada exame, sua pergunta.

  1. Em qual situação a ressonância de crânio é sempre obrigatória na investigação de puberdade precoce central?

  2. Por que a ultrassonografia abdominal não é solicitada para uma menina com puberdade precoce e desenvolvimento de mama (sem virilização)?

O juiz · LH e teste de estímulo
LH↑ = central · LH suprimido = periféricaLH "normal" não afasta centralteste de estímulo (LHRH)androgênios + 17-OHP na virilização

O LH é o juiz da bifurcação — mas um juiz que às vezes se cala

O LH não diagnostica PP — ele diferencia central de periférica

Primeiro, o enquadramento que organiza tudo: nenhuma avaliação hormonal serve para DIAGNOSTICAR a puberdade precoce. Puberdade é diagnóstico CLÍNICO (sinal puberal + aceleração do crescimento) — os exames servem para definir a CAUSA. E o hormônio que arbitra a bifurcação é o LH: ele não diz "tem puberdade", ele diz central × periférica. Na puberdade precoce CENTRAL, o LH está AUMENTADO — porque é uma puberdade dependente de GnRH, e o GnRH estimula a liberação de gonadotrofina (LH e FSH). Avalia-se principalmente o LH (e não o FSH), porque o LH traz a informação mais fidedigna para distinguir central de periférica. Na puberdade precoce PERIFÉRICA, o LH está SUPRIMIDO, em nível pré-puberal (não há GnRH disparando-o; os hormônios vêm de fora do eixo).

A pegadinha do LH "normal" e o teste de estímulo

Agora a armadilha. Cuidado com o LH "NORMAL": aqui, "normal" significa PRÉ-PUBERAL — e um LH pré-puberal NÃO afasta puberdade precoce central, porque os níveis de LH flutuam. Um LH basal pode estar pré-puberal mesmo havendo puberdade central. O que fazer então? Quando o LH basal está pré-puberal/"normal", faz-se o TESTE DE ESTÍMULO: administra-se LHRH (GnRH), que estimula a liberação de LH, e dosa-se o LH. Se houver aumento significativo, isso indica ativação do eixo HHG → puberdade central. E a lógica fina, a que a banca cobra: o estímulo só provoca aumento significativo do LH se o eixo HHG JÁ estiver ativado. Se o eixo ainda estiver adormecido, o estímulo não produz resposta importante — o eixo precisa estar ativado para o estímulo funcionar. (Por isso o estímulo "positivo" = central, e o "negativo" = periférica/eixo calado.) Detalhe de economia: não se dosa estrogênio na investigação — sabe-se que há estrogênio porque já se vê a mama desenvolvida; dosar não acrescenta.

Quando há virilização: os androgênios da adrenal e a 17-OHP

Muda o cenário: quando se investiga uma puberdade com VIRILIZAÇÃO, o LH sai de cena e entram os androgênios da adrenal — sulfato de DHEA (S-DHEA), DHEA, androstenediona — e a 17-HIDROXIPROGESTERONA, que está muito aumentada na HAC. Solicita-se também a TESTOSTERONA. Como diferenciar tumor adrenal × HAC pelo laboratório: os androgênios da adrenal estão aumentados nos dois (aumento muito significativo no tumor; aumentados na HAC), mas a 17-OHP muito aumentada é típica da HAC, e o tumor pode ainda cursar com manifestações de excesso de cortisol (Cushing). E o exógeno (testosterona): testosterona muito alta com androgênios da adrenal todos baixos → aponta fonte de fora.

Gráfico da resposta de LH após estímulo com GnRH: a curva puberal (central) sobe a pico alto; a curva pré-puberal permanece baixa e quase plana.
Resposta ao estímulo (caso real) — a resposta de LH após GnRH: a curva da puberdade central (azul) dispara a pico alto em 15-45 min; a sem ativação central (vermelha) fica baixa e plana. É a tradução gráfica da pegadinha: o eixo só responde se já estiver ativado.Pellegrin MC et al., Medicina 2024;60(1):24, via MDPI · CC BY 4.0

Resposta ao estímulo (caso real)

Por isso o teste discrimina: o eixo já ativado (central) sobe; o eixo adormecido (periférica/pré-puberal) não responde. Um LH basal pré-puberal não afasta central — é o estímulo que revela.

PP confirmada → dosar LHLH AUMENTADO → CENTRALeixo HHG ativado (GnRH-dependente)LH PRÉ-PUBERAL / "normal" → NÃO afasta centralo LH flutua → fazer TESTE DE ESTÍMULO (LHRH/GnRH)LH SOBE ao estímulo = CENTRALeixo já ativado responde com pico de LHLH NÃO sobe = PERIFÉRICAeixo adormecido / LH suprimido
Fluxo de decisão — o LH como juiz + teste de estímulo. LH aumentado = central; LH pré-puberal não afasta central → teste de estímulo (LHRH): sobe = central, não sobe = periférica.
O estímulo só responde se o eixo já está ativado — é isso que separa central de periférica.
Laboratório da virilização — tumor adrenal × HAC × exógeno
AchadoTumor adrenalHACExógeno
Androgênios da adrenal (S-DHEA/DHEA/androstenediona)muito ↑↑normais
17-OH-progesterona—↑↑ (típica)—
Cortisol / Cushingpode (entrega o tumor)nãonão
Testosterona↑↑↑ (isolada)

1. O LH basal está pré-puberal ("normal") — mas isso não exclui central, porque o LH flutua.

2. Administra-se LHRH (GnRH), que estimula a hipófise a liberar LH.

3. Se o eixo HHG já está ativado (puberdade central), a hipófise responde com um pico de LH → central.

4. Se o eixo está adormecido (periférica/pré-puberal), não há resposta significativa → periférica.

A chave: o estímulo só "acorda" um eixo que já está ligado. Eixo desligado não responde — e é exatamente por isso que o teste discrimina.

Quiz fixação

O LH como juiz e a lógica do teste de estímulo.

  1. Uma menina com puberdade precoce isossexual tem LH basal em nível pré-puberal ("normal"). Qual a interpretação e a conduta corretas?

  2. No teste de estímulo com LHRH (GnRH), por que um aumento significativo do LH indica puberdade central?

O atalho do menino · volume testicular
testículo = termômetro do eixo≥ 4 mLgrande × pequeno × assimétricopalpe antes de pedir

No menino, palpe antes de pedir: o testículo entrega a causa

Por que o volume testicular entrega tudo

No sexo masculino, há um dado do exame físico que, mesmo antes de qualquer exame, direciona para puberdade central ou periférica: o VOLUME TESTICULAR (orquidômetro de Prader, corte ≥ 4 mL = puberdade começou). A lógica é puramente fisiológica: o que faz o testículo (e o ovário) aumentar de volume é o estímulo gonadotrófico — e estímulo gonadotrófico só existe na puberdade precoce CENTRAL (eixo HHG ativado → LH/FSH → gônada cresce). Logo, se o testículo cresceu, o eixo está ativado → central. Se há virilização mas o testículo é infantil, o androgênio veio de outro lugar → periférica. O testículo é o termômetro do eixo.

Os três padrões → três condutas

São três padrões, cada um com sua conduta:

Primeiro padrão — TESTÍCULOS AUMENTADOS (≥ 4 mL, simétricos) — ou LH aumentado → puberdade CENTRAL → obrigatório solicitar ressonância de crânio (> 50% têm lesão do SNC).

Segundo padrão — sinais de virilização (pênis aumentado, ex.: G4) mas TESTÍCULOS INFANTIS/PEQUENOS (ex.: ~2 mL) → o androgênio não vem da gônada → puberdade PERIFÉRICA: doença da adrenal (tumor de córtex, HAC) ou exposição exógena. No exógeno por testosterona, o laboratório mostra testosterona muito alta e androgênios da adrenal todos baixos.

Terceiro padrão — TESTÍCULOS ASSIMÉTRICOS → tumor TESTICULAR (um testículo cresce por conta do tumor, o outro não).

Como a banca arma a pegadinha

A banca explora isso de duas formas, e vale reconhecer o formato: (1) descreve testículos aumentados + virilização e pergunta a conduta → resposta: ressonância (é central). (2) Descreve virilização + testículo pequeno e oferece "solicitar LH" versus "solicitar androgênio da adrenal" → resposta: androgênio da adrenal, porque o testículo pequeno já aponta periférico (o LH ali seria redundante — você já sabe que o eixo não disparou). Quem palpou o testículo antes de pedir exame acerta as duas no automático.

Três volumes testiculares, três condutas: grande/simétrico × pequeno × assimétrico Cenários clínicos baseados no volume testicular no menino com puberdade precoce: aumentado simétrico (GnRH-dependente/central, RM), pequeno simétrico (GnRH-independente/periférico, adrenal) e assimétrico (suspeita de tumor). TRÊS VOLUMES TESTICULARES, TRÊS CONDUTAS AULA 08 · PÁGINA 9 AUMENTADOS SIMÉTRICOS ≥ 4 mL bilateral CENTRAL GnRH-dependente RM OBRIGATÓRIA Solicitar Ressonância Magnética de crânio para avaliar o SNC e afastar lesões. PEQUENOS / INFANTIS ~ 2 mL bilateral + virilização PERIFÉRICA GnRH-independente ADRENAL / EXÓGENO Pesquisar andrógenos da adrenal (HAC) ou histórico de uso de gel exógeno. ASSIMÉTRICOS Assimetria de volume evidente — Independente de Eixo TUMOR TESTICULAR Realizar USG de bolsa escrotal imediato e encaminhar para urologia/oncologia. Volume testicular estimado por orquidômetro de Prader (referência Aula 07). Clique nos testículos para destacar a conduta. Seleção limpa. Três cenários exibidos.
Interativo — os três volumes testiculares esquemáticos (par de elipsoides neutros, sem realismo — §sensibilidade pediátrica): (1) aumentados simétricos (≥ 4 mL) → CENTRAL → "RM obrigatória"; (2) pequenos/infantis (~2 mL) + virilização → PERIFÉRICA → "adrenal/exógeno → androgênios da adrenal"; (3) assimétricos → "tumor testicular". O cueing é o contraste de tamanho.
Clique num padrão: o destaque acende a conduta correspondente (orquidômetro de Prader, ≥ 4 mL).
Orquidômetro de Prader: colar de esferas elipsoides graduadas usado para estimar o volume testicular em mL.
Instrumento (referência) — o orquidômetro de Prader — esferas elipsoides numeradas para estimar o volume testicular por palpação comparada. O corte ≥ 4 mL marca o início puberal.Krishna KB, Witchel SF, Normal and Abnormal Puberty (Endotext) · CC BY-NC-ND 2.0

Instrumento (referência)

É o instrumento por trás do "atalho": comparando o testículo com as esferas, o examinador situa o volume. Grande/simétrico (≥ 4 mL) → central; pequeno (~2 mL) com virilização → periférica; assimétrico → tumor testicular.

Quiz fixação

O atalho do volume testicular e os três padrões.

  1. Um menino de 6 anos tem virilização (pênis aumentado, G4) e testículos infantis (~2 mL). Entre "dosar LH" e "dosar androgênios da adrenal", qual a melhor escolha e por quê?

  2. Um menino com puberdade precoce tem testículos assimétricos (um nitidamente maior). Qual a principal hipótese?

Triagem · variantes benignas
tem aceleração?telarca (só mama) × adrenarca (só pelo + odor)adrenarca NÃO virilizaPIG · SOP

Erro comum

"Toda menina de 7 anos com só a mama, ou só pelos e odor axilar, precisa de investigação extensa."

Não precisa. Na maioria das vezes é um quadro benigno que só pedia acompanhamento. O erro está em pular a pergunta de triagem. Qual é ela, e o que separa o benigno do que precisa investigar?

Sinal isolado, crescimento normal: nem todo sinal precoce é doença

A triagem: tem aceleração?

A grande triagem da prova: diante de caracteres sexuais precoces, verifique se vêm acompanhados de aceleração do crescimento / avanço da idade óssea. Se SIM → puberdade precoce (descubra a causa — tudo o que veio até aqui). Se NÃO (sinal puberal isolado, com crescimento normal) → pode ser uma variante benigna do desenvolvimento puberal. É a mesma segunda peça da equação (página 2), agora usada como filtro: sem aceleração, troca-se a investigação extensa por acompanhamento.

Telarca precoce (só mama) × adrenarca precoce (só pelo + odor)

São DUAS as variantes benignas a conhecer. A TELARCA precoce (prematura): a menina tem APENAS mamas, nenhum outro sinal de puberdade, abaixo dos 8 anos. É especialmente comum em meninas menores de 2 anos — desenvolvem mama e, a partir dos 2 anos, essa mama involui, sem mais nada. Importante: a telarca precoce sempre PODE ser o início de uma puberdade precoce — por isso se faz acompanhamento —; mas, com apenas mama e crescimento NÃO acelerado, não se submete a menina a investigações extensas. A ADRENARCA precoce: manifestações de adrenarca antes dos 8 anos (menina) / 9 anos (menino), especialmente entre 6 e 8/9 anos. Na adrenarca precoce, a criança tem PELOS (penificação genital, podendo ter axilar) e ODOR AXILAR; pode ter um pouco de acne. Essencialmente isso.

O ponto crítico: adrenarca precoce NÃO viriliza

Aqui está o ponto que a banca cobra e que muita gente erra: na adrenarca precoce NÃO existem sinais de virilização — não há hipertrofia de clitóris, não há aumento da genitália. É só pelo, odor axilar e talvez acne. A consequência é direta: se houver virilização, NÃO é variante benigna — é doença da adrenal (tumor ou HAC, página 6). Duas associações de prova da adrenarca precoce: é mais frequente em crianças que foram PIG (pequenas para a idade gestacional) e pode ter relação posterior com a síndrome dos ovários policísticos (SOP). Síntese: só pelo + odor (adrenarca) ou só mama (telarca), com crescimento normal = variante benigna; se tem mais do que isso (virilização, aceleração do crescimento), não é variante benigna — investigue.

Escala de Tanner feminina (esquema): mama (B1-B5) e pelos pubianos (P1-P5) lidos como eixos independentes.
Esquema — eixos independentes — a matriz de Tanner lida por eixos separados: telarca precoce isolada está no eixo mamário (B2, com P1 — só mama); adrenarca precoce isolada está no eixo pubiano (P2, com B1 — só pelo). Não é "uma criança", é uma matriz.Michał Komorniczak, via Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0

Esquema — eixos independentes

Mama e pelos se pontuam separados: telarca (só mama, B2/P1) × adrenarca (só pelo, B1/P2). O que tira o "benigno" é a virilização (clitoromegalia, voz) ou a aceleração — qualquer das duas manda investigar.

ÁRVORE DIAGNÓSTICA DE PP — RAMO BENIGNO A ponta benigna da Árvore: sinal isolado, crescimento normal = acompanhar Sinal puberal precoce Telarca, pubarca ou odor OPERADOR DE TRIAGEM Tem aceleração? Aceleração do cresc. + Idade Óssea avançada SIM PUBERDADE PRECOCE Sinal + Aceleração Exige investigação etiológica (Central ou Periférica) NÃO Cresc. Normal Clique para revelar Telarca Isolada Broto mamário isolado Sem outros sinais Adrenarca Isolada Pelo e/ou odor axilar NÃO viriliza! VARIANTE BENIGNA Acompanhar Clinicamente Crescimento e maturação normais DETALHES DO RACIOCÍNIO CLÍNICO Interaja com os elementos da árvore para ver a conduta clínica. Clique no nó "Cresc. Normal" para revelar o ramo benigno.
Interativo — a ponta benigna da Árvore — na raiz, o ramo "sinal isolado SEM aceleração" abre em telarca precoce (só mama) e adrenarca precoce (só pelo/odor) → "variante benigna, acompanhar", contrastando com "sinal + aceleração" → puberdade precoce. Liga a triagem inicial à Árvore já construída.
Toque para revelar as duas variantes a partir da raiz; adrenarca NÃO viriliza.
Telarca × adrenarca × PP verdadeira
CaracterísticaTelarca precoceAdrenarca precocePP verdadeira
O que aparecesó mamasó pelo + odor ± acnesinal + mais
Aceleração do crescimentonãonãoSIM
VirilizaçãonãoNÃO — ponto críticopode, se periférica
Condutaacompanharacompanharinvestigar causa

Quiz fixação

A triagem das variantes benignas e o ponto crítico da adrenarca.

  1. Uma menina de 7 anos apresenta pelos pubianos, odor axilar e acne leve, com crescimento normal e sem hipertrofia de clitóris. Qual a classificação e a conduta?

  2. O que descaracteriza uma adrenarca precoce como variante benigna e obriga a investigar doença da adrenal?

Tratamento · o agonista que freia
tratar a causa quando háleuprorrelina (análogo de GnRH)pulsátil ativa × constante bloqueiadessensibilização

Se o medicamento ESTIMULA o receptor do GnRH — o mesmo receptor que dispara a puberdade —, como é que ele FREIA a puberdade em vez de acelerá-la? A resposta está num detalhe que você já conhece da fisiologia: não basta estimular o receptor; importa como se estimula.

Um agonista que bloqueia: o paradoxo do tratamento

Tratar a causa quando há causa

O tratamento da puberdade precoce pode envolver, primeiro, tratar a CAUSA BASE quando ela é passível de tratamento: tumor de córtex adrenal, tumor testicular, alteração do sistema nervoso central. Achou a causa tratável (foi para isso toda a investigação), trata-se a causa. O que segue vale especialmente para a forma sem causa removível.

Para a central idiopática: o análogo do GnRH

Para a puberdade precoce CENTRAL, especialmente a idiopática (a mais comum na menina — Bela), a base do tratamento é o ANÁLOGO (agonista) do GnRH. O análogo mais famoso é a LEUPRORRELINA. A medicação é administrada por vários anos, acompanhando-se o crescimento da criança; num determinado momento ela é interrompida, e a puberdade segue seu curso normal. O objetivo, lembrando o paradoxo da estatura (página 3): frear o eixo para comprar tempo de crescimento e proteger a estatura adulta.

O paradoxo: pulsátil ativa, constante dessensibiliza

Agora o paradoxo aparente: o agonista estimula o receptor do GnRH — então deveria estimular a puberdade. Mas faz o contrário. A explicação está no padrão de secreção: o que mantém o eixo ATIVO é a secreção PULSÁTIL do GnRH — pulsos intermitentes. O agonista, administrado como depósito, mantém um estímulo CONSTANTE (não pulsátil) sobre o receptor. E o estímulo constante leva à DESSENSIBILIZAÇÃO dos receptores de GnRH. Ao dessensibilizar os receptores, a medicação BLOQUEIA o eixo — é assim que um agonista freia a puberdade. Em uma frase: pulsátil ativa; constante dessensibiliza e bloqueia. O mesmo receptor, o mesmo agonista — o que muda é o ritmo do estímulo.

Mecanismo de Ação do Agonista de GnRH Gráfico comparativo mostrando o estímulo pulsátil fisiológico que ativa o eixo, versus o estímulo constante do agonista de depósito (leuprorrelina) que causa dessensibilização dos receptores e bloqueio do eixo. S-MECANISMOGNRH · EXTRATO DE FARMACOLOGIA Pulsátil (fisiológico) Intensidade do Estímulo Tempo EIXO ATIVO Agonista depósito (constante) Intensidade do Estímulo Tempo Estímulo constante DESSENSIBILIZAÇÃO do receptor de GnRH EIXO BLOQUEADO Freia a puberdade
Interativo — o paradoxo do mecanismo — dois traçados de estímulo ao receptor de GnRH na mesma escala: ESQUERDA "pulsátil (fisiológico) → eixo ATIVO" (picos intermitentes) × DIREITA "agonista depósito = constante → DESSENSIBILIZAÇÃO → eixo BLOQUEADO" (linha alta e contínua). O que muda é o ritmo do estímulo, não o receptor.
Toque na leuprorrelina: o mecanismo é "constante → dessensibiliza → freia".
Fórmula estrutural 2D da leuprorrelina, análogo agonista de GnRH usado na puberdade precoce central.
Estrutura (referência) — a leuprorrelina em fórmula estrutural — análogo peptídico sintético do GnRH, usado em formulação depot para a PP central. O traço transparente exige frame claro (modo escuro não engole a molécula).Fvasconcellos, via Wikimedia Commons · Domínio público (PD-chem)

Estrutura (referência)

É o agonista que, em exposição sustentada/constante, reduz gonadotrofinas — diferente de um antagonista, ele tem uma fase agonista inicial, mas o uso contínuo dessensibiliza e bloqueia. A posologia depot não entra aqui — fica o nome e o mecanismo.

Tratamento da Puberdade Precoce Central Reversibilidade temporal: bloqueio de longo prazo e retomada fisiológica. INTERATIVO 1. BLOQUEIO TERAPÊUTICO (VÁRIOS ANOS) 2. SUSPENSÃO 3. RETOMADA NORMAL Atividade Puberal Normal (Curso Fisiológico) Eixo Hormonal Bloqueado/Supresso Crescimento Físico Contínuo 0 1 2 3 4 5 6 7 8 TEMPO DE ACOMPANHAMENTO (ANOS) Bloqueio do Eixo Hormonal - Ano 1 Eixo hormonal suprimido com sucesso. Os caracteres sexuais estao estabilizados e o crescimento fisico segue seu ritmo saudavel. Anos de bloqueio reversível: trata-se, suspende-se, a puberdade retoma
Documental — a timeline do tratamento — vários anos de medicação acompanhando o crescimento → interrupção → a puberdade segue o curso normal. Marca a natureza temporária e reversível do bloqueio.
O bloqueio é reversível: trata-se, suspende-se, a puberdade retoma.

Quiz fixação

O paradoxo do agonista que freia.

  1. Por que um agonista do receptor de GnRH (como a leuprorrelina), que estimula o receptor, acaba bloqueando a puberdade?

  2. Sobre o tratamento da puberdade precoce central idiopática com análogo de GnRH, qual afirmação está CORRETA?

Síntese · a Árvore inteira e Bela resolvida
algoritmo em 2 passosnão confunda (7 pares)Bela = central idiopáticaeconomia de exames

O fechamento amarra tudo num caminho de decisão:

  • transformar qualquer questão de puberdade precoce num caminho de decisão (a Árvore)
  • decidir, em dois passos, se um caso é variante benigna, central ou periférica
  • não cair nos pares que a banca troca (LH↑×suprimido, iso×hetero, virilização×só-pelo)
  • resolver Bela do começo ao fim, sabendo por que ela é central idiopática

A Árvore inteira na mão — e Bela, finalmente, resolvida

O algoritmo-mestre em 2 passos

O algoritmo-mestre, aplicável a qualquer questão: a banca apresenta surgimento precoce de caracteres sexuais (menina < 8 anos, menino < 9 anos) — penificação, mama, aumento de genitália.

Passo 1 — verifique se há aceleração do crescimento / avanço da idade óssea. Com aceleração → puberdade precoce (descubra a causa). Sem aceleração (sinal isolado) → variante benigna (telarca ou adrenarca precoce).

Passo 2 (♀) — situação A: mama + aceleração = puberdade ISOSSEXUAL (há estrogênio); pode ser central ou periférica (cisto ovariano). O que diferencia é o LH: LH aumentado (basal ou pós-estímulo) = CENTRAL (até prova em contrário, idiopática); LH pré-puberal = doença OVARIANA (periférica). Situação B: virilização (pelo, hipertrofia de clitóris) = pense ADRENAL → androgênios da adrenal + 17-OHP + testosterona; se exógeno, androgênios da adrenal normais e só testosterona alta.

Passo 2 (♂) — o diferencial é da puberdade isossexual com virilização, central ou periférica; o que diferencia é o LH, mas o VOLUME TESTICULAR já aponta antes: aumentado/simétrico → central (RM); pequeno + virilização → periférica (adrenal/exógeno); assimétrico → tumor testicular.

E em ambos os sexos, sempre lembrar da exposição EXÓGENA (creme/comprimido de estrogênio; gel de testosterona, hoje muito disponível). Economia de exames: menina com virilização não avalia LH; menina isossexual não pede androgênios da adrenal — não se pede "tudo de uma vez".

Não confunda: os pares que a banca troca

Antes de aplicar a Bela, reative os confundíveis que aparecem trocados nas questões:

Bela resolvida, passo a passo

Passo 1: Bela, 7 anos, M4 P3, com aceleração do crescimento → tem puberdade precoce (está abaixo do corte ♀ < 8). Passo 2: ela tem mama E penificação (P3); mas não se investiga adrenal pela penificação — o que comanda é o desenvolvimento da MAMA (ação estrogênica) → puberdade ISOSSEXUAL. (Detalhe fisiológico: sempre que há puberdade central, isso favorece a adrenarca — por isso Bela teve primeiro a mama e depois o pelo; é como se a central deflagrasse a adrenarca. Valoriza-se a mama.) Diferenciação pelo LH: Bela tem LH aumentado + mama → puberdade precoce CENTRAL, certamente IDIOPÁTICA — coerente com a ressonância normal. E mesmo sem os exames, a aposta seria a mesma: numa menina entre 6 e 8 anos com PP, a aposta pela frequência é central idiopática (investigando assim mesmo). Bela fez vários exames, mas não fez a radiografia de mão/punho — se fizesse, certamente mostraria idade óssea avançada. Por isso, sem tratamento, a principal complicação de longo prazo de Bela será a BAIXA ESTATURA na vida adulta — daí a indicação de tratar com o análogo do GnRH.

O gancho para o próximo tema

Dominado o raciocínio puberal — fisiológico e precoce —, o próximo passo na avaliação da criança que cresce é olhar como ela se desenvolve: o desenvolvimento neuropsicomotor, com seus marcos e reflexos. É outro tipo de relógio.

Fluxograma publicado de avaliação e manejo da puberdade precoce, separando central, periférica, familiar e orgânica.
Fluxograma publicado (caso real) — um algoritmo de manejo da literatura — a mesma lógica da Árvore, validada em publicação: triagem por LH/GnRH → central (familiar × esporádica → RM) × periférica. Confronte com a Árvore autoral ao lado.Micangeli et al., Children 2023, via MDPI · CC BY 4.0

Fluxograma publicado (caso real)

O fluxograma ancora a conduta no LH: LH puberal → central (esporádica → RM cerebral); LH pré-puberal → teste com GnRH (resposta puberal reclassifica como central; LH baixo sustenta periférica). É a Árvore desta aula, na forma como a banca a encontra publicada.

A Árvore Central x Periférica completa, com Bela cravada em central idiopática Figura-síntese que fecha a aula de puberdade precoce: a Árvore de decisão totalmente hidratada de todos os blocos da aula, em dois painéis. No painel macro, a raiz caracteres sexuais precoces desce para o nó de triagem tem aceleração do crescimento e idade óssea. Se não, segue para as variantes benignas telarca precoce, só mama, e adrenarca precoce, só pelo e odor, sem virilização, conduta acompanhar. Se sim, é puberdade precoce, que se bifurca em dois ramos espelhados. O ramo central, dependente de GnRH, chamado puberdade verdadeira, ocorre quando o eixo HHG ativa, é sempre isossexual, tem LH aumentado ou teste de estímulo com LHRH positivo, e se subdivide por sexo: na menina cerca de noventa por cento idiopática, especialmente de seis a oito anos, foco na consequência; no menino mais de cinquenta por cento lesão do sistema nervoso central, RM de crânio sempre, com hamartoma hipotalâmico como causa mais comum, neoplasias do SNC, trauma e infecção, e o craniofaringioma destacado em âmbar como exceção que causa atraso, não precocidade. No ramo masculino entra embutido o atalho do volume testicular: aumentado e simétrico maior ou igual a quatro mililitros aponta central; pequeno ou infantil com virilização aponta periférica ou adrenal; assimétrico aponta tumor testicular. O tratamento da central é o agonista de GnRH. O ramo periférico, independente de GnRH, chamado pseudopuberdade, ocorre sem ativação do eixo, pode ser isossexual ou heterossexual, tem LH suprimido em nível pré-puberal, e se subdivide por fonte: a gônada, com cisto ovariano como causa mais comum na menina e isossexual, tumores ovarianos e testiculares, e McCune-Albright por hiperfunção autônoma; e a adrenal, com tumor de córtex cursando virilização mais Cushing, e a hiperplasia adrenal congênita por deficiência de vinte e um hidroxilase, cuja forma não clássica viriliza ao longo dos anos. Há ainda a fonte exógena, como creme ou gel hormonal. No painel de detalhe, a trilha de Bela percorre o caminho destacado: aceleração sim, puberdade precoce, desenvolvimento de mama, isossexual, LH aumentado, central, e o destino final central idiopática, com a leitura de que a criança mais alta da turma vai ficar baixa se não tratada. Cor: central em teal e azul-céu, periférico em índigo, pegadinha e exceção em âmbar, alerta em coral, benigno e crescimento em verde. PUBERDADE PRECOCE · SÍNTESE FINAL · A ÁRVORE NA MÃO A Árvore Central × Periférica Tem aceleração? → central ou periférica? → sexo / fonte → exames → conduta. Clique em cada nó. E acenda a trilha de Bela. central (GnRH-dep) periférica (GnRH-indep) variante benigna pegadinha / exceção trilha de Bela PAINEL MACRO · A ÁRVORE INTEIRA Da raiz à conduta — central e periférica, ramos espelhados Caracteres sexuais precoces Tem aceleração? (idade óssea avançada) NÃO SIM Variantes benignas Telarca precoce — só mama Adrenarca precoce — só pelo + odor, NÃO viriliza acompanhar PUBERDADE PRECOCE o eixo HHG ativou? CENTRAL GnRH-dependente · “verdadeira” sempre ISOSSEXUAL LH↑ · estímulo LHRH (+) ♀ Menina ~90% idiopática 6-8 anos · foco na consequência ♂ Menino >50% lesão SNC RM de crânio SEMPRE Hamartoma hipotalâmico (mais comum) Neoplasia SNC · trauma · infecção → precoce EXCEÇÃO: craniofaringioma = ATRASO (FAR = longe) Atalho · volume testicular ≥ 4 mL simétrico → central ~2 mL + virilização → periférica · assimétrico → tumor Tratamento agonista de GnRH (leuprorrelina) constante → dessensibiliza → bloqueio reversível PERIFÉRICA GnRH-independente · pseudopuberdade ISO ou HETEROSSEXUAL LH suprimido (pré-puberal) Gônada Cisto ovariano + comum ♀ · isossexual tumor · McCune-Albright Adrenal Tumor: viriliz.+Cushing HAC 21-hidroxilase não clássica = viriliza Estrogênio → isossexual · Androgênio → heterossexual virilização = pelo + clitoromegalia + voz (não só pelo) Exógeno creme/gel · testo↑ / adrenais baixos O JUIZ DA BIFURCAÇÃO — LH Central: LH↑ (ou estímulo LHRH +). Periférica: LH suprimido. LH “normal” = pré-puberal → NÃO afasta central → faz-se o teste de estímulo (eixo já ativado responde). PAINEL ZOOM · A TRILHA DE BELA Bela, 7a, M4 P3 Percorrer a trilha → 1 Aceleração? SIM idade óssea avançada, M4 2 Puberdade precoce não é “deixa rolar” 3 Mama (estrogênio) + útero puberal na USG 4 Isossexual próprio sexo → aponta central 5 LH e FSH ↑ o juiz confirma: central C CENTRAL RM de crânio: normal DIAGNÓSTICO DE BELA Puberdade precoce central IDIOPÁTICA tratar: agonista de GnRH a mais alta da turma viraria a mais baixa, se não tratada NÃO CONFUNDA central = LH↑, sempre isossexual periférica = LH suprimido, pode hetero só periférica é heterossexual craniofaringioma = atraso (exceção) adrenarca NÃO viriliza
Síntese — a Árvore Central × Periférica completa — o objeto persistente fechado, totalmente hidratado: raiz "caracteres sexuais precoces" → "tem aceleração?" (não → variantes benignas; sim → PP) → CENTRAL (GnRH-dep, isossexual, LH↑; ♀ ~90% idiopática / ♂ > 50% SNC → RM; tratamento agonista de GnRH) × PERIFÉRICA (GnRH-indep, iso/hetero; gônada/cisto, adrenal/tumor+Cushing/HAC, exógeno; LH pré-puberal), com o atalho ♂ (volume testicular) no ramo masculino. Sobre ela, a trilha de Bela: aceleração SIM → PP → mama → isossexual → LH↑ → CENTRAL IDIOPÁTICA.

Quiz fixação

O algoritmo-mestre aplicado e Bela resolvida.

  1. Bela: 7 anos, mama M4 + penificação P3, com aceleração do crescimento e LH aumentado. Qual o diagnóstico, e que sinal comanda a classificação isossexual?

  2. No algoritmo da puberdade precoce, qual é a sequência correta de raciocínio?