Neonatologia

Classificação do RN e Sífilis Congênita

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Da primeira classificação do recém-nascido ao tratamento da neurossífilis.

Esta aula começa com as três classificações do RN, passa pelos caminhos de infecção neonatal e concentra a maior parte do raciocínio em sífilis congênita: clínica, VDRL, investigação, tratamento, seguimento e aplicação no caso Florinda Rosa/João Eucalipto.

Arte gerada de recém-nascido em berço neonatal com linha gestacional, escala de peso e símbolo de infecção congênita.
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Bloco 1

Classificação do recém-nascido

Mapa visual da classificação do recém-nascido por idade gestacional, peso e percentis P10-P90.

1. Idade gestacional

A primeira pergunta é quanto tempo de gestação havia quando o bebê nasceu. O dado pode vir da obstetrícia ou ser estimado pelo exame físico com Capurro ou New Ballard.

  • Pós-termo: 42 semanas ou mais.
  • Termo: de 37 semanas até 41 semanas e 6 dias.
  • Pré-termo: abaixo de 37 semanas.
  • Pré-termo tardio: 34 semanas até 36 semanas e 6 dias.
  • Pré-termo extremo: abaixo de 28 semanas.

2. Peso ao nascer

A segunda classificação vem da balança. A aula reforça três pontos de corte: 2.500 g, 1.500 g e 1.000 g.

  • Baixo peso: menor que 2.500 g até 1.500 g.
  • Muito baixo peso: menor que 1.500 g até 1.000 g.
  • Extremo baixo peso: menor que 1.000 g.
  • Menos de 1.500 g já permite inferir prematuridade.
  • Abaixo de 28 semanas, em geral, o RN estará abaixo de 1.000 g.

3. Peso para idade gestacional

Aqui o raciocínio cruza peso e idade gestacional no gráfico. Em RN, a faixa de normalidade é entre P10 e P90, não P3 e P97.

  • GIG: acima do percentil 90.
  • AIG: entre P10 e P90.
  • PIG: abaixo do percentil 10.
  • GIG e PIG têm maior risco de complicações, como hipoglicemia.

Ferramenta ativa

Classificador rápido do RN

Bloco 2

Infecções no recém-nascido

Ilustração das vias transplacentária, ascendente, comunitária e hospitalar de infecção neonatal.

Dentro do útero

Transplacentária: microrganismo passa pela placenta. Quando é por essa via, a aula chama de infecção congênita.

Ascendente ou intraparto: agente sobe pelo colo uterino ou infecta durante a passagem pelo canal de parto.

Depois do nascimento

Comunitária: adquirida fora do hospital, inclusive por vias como amamentação em infecções específicas.

Hospitalar ou nosocomial: associada ao cuidado, especialmente em RN que precisam de UTI neonatal.

Regra prática da clínica

A maioria das infecções congênitas ocorre no terceiro trimestre e, por isso, muitos RN nascem assintomáticos. Quando há manifestações, elas podem parecer soltas: icterícia, PIG, hepatosplenomegalia e lesões de pele. Em prova, vários achados desconexos em bebê pequeno devem acender a hipótese de infecção congênita.

IgMGrande, não atravessa placenta, sugere produção pelo bebê e infecção recente.
IgGAtravessa placenta; pode ser materna. O seguimento mostra se sobe ou cai.

Bloco 3

Sífilis congênita

O essencial

A sífilis é causada pelo Treponema pallidum. A forma congênita é a transmissão hematogênica transplacentária do treponema. A mãe pode transmitir em qualquer estágio, inclusive fase latente; primária e secundária têm carga maior e transmissão muito alta.

Por isso o pré-natal precisa diagnosticar e tratar antes do nascimento. O RN costuma ser assintomático, então a decisão nasce do dado materno, do VDRL e da investigação.

Manifestações precoces

  • Primeiros dois anos: inflamação em pele, mucosa e osso.
  • Rinite serossanguinolenta.
  • Placas mucosas no ângulo da boca.
  • Condiloma plano periorificial, especialmente perianal.
  • Pênfigo palmoplantar, lesão bolhosa muito infectante.
  • Periostite e osteocondrite.
  • Dor à manipulação e pseudoparalisia de Parrot.

Manifestações tardias

  • Acima de dois anos: sequelas cicatriciais/fibrosantes da inflamação precoce.
  • Fronte olímpica.
  • Tíbia em sabre.
  • Dentes de Hutchinson e molares em amora.
  • Nariz em sela.
  • Rágades.
  • Articulação de Clutton.

VDRL sem tropeço

O VDRL é teste não treponêmico, coletado em sangue periférico do bebê, nunca no cordão. Ele mede atividade de doença. Quanto maior a diluição ainda reagente, maior a atividade.

Testes treponêmicos, como FTA-ABS e teste rápido, não são o eixo desta fase inicial; a aula ressalta utilidade depois de 18 meses.

Ferramenta ativa

Comparador de VDRL mãe × RN

Bloco 4

Tratamento: seguir o fluxograma de cima para baixo

Fluxograma visual para tratamento da sífilis congênita seguindo tratamento materno, VDRL, líquor e exames.
1

Tratamento materno adequado?

Benzatina, dose/intervalo adequados ao estágio e primeira dose pelo menos 30 dias antes do parto.

2

Se inadequado: é sífilis congênita por definição

Notificar, examinar, pedir VDRL periférico, hemograma, RX de ossos longos e líquor.

3

Líquor alterado?

VDRL positivo no líquor, celularidade maior que 25 ou proteína maior que 150 indicam penicilina cristalina EV por 10 dias.

4

Líquor normal com outra alteração

Pode usar penicilina cristalina EV por 10 dias ou penicilina procaína IM por 10 dias.

5

Tudo normal apesar da mãe inadequada

Penicilina benzatina IM em dose única.

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Leitor do líquor

Ferramenta ativa

Decisor terapêutico completo

Tratamento materno
Recém-nascido

Bloco 5

Caso Florinda Rosa e João Eucalipto

Resumo visual do caso João Eucalipto com 36 semanas e 4 dias, 1900 gramas, líquor alterado e penicilina cristalina.

Dados do caso

  • Florinda Rosa, 20 anos, 14ª semana de gestação no diagnóstico.
  • VDRL materno inicial 1:32.
  • Tratamento feito: 2.400.000 UI de penicilina benzatina em dose única.
  • João Eucalipto nasceu com 36 semanas e 4 dias.
  • Peso de nascimento: 1.900 g; comprimento: 46 cm.
  • Ao nascer: hipotônico e em apneia.
  • Líquor: 40 células e 160 proteínas.

Conclusão guiada pela aula

  1. 36s4d = pré-termo tardio.
  2. 1.900 g = baixo peso.
  3. No cruzamento peso × idade, está abaixo do P10 = PIG.
  4. Tratamento materno foi inadequado, pois sífilis de duração ignorada exige três doses.
  5. Líquor alterado por celularidade > 25 e proteína > 150.
  6. Tratamento: penicilina cristalina endovenosa por 10 dias.

Bloco 6

Fixação ativa